Por Tiago Julião Neves | Domingo, 13 Setembro , 2009, 05:53

Ela teve uma vida de estudo, uma vida académica, uma vida profissional, muitas conferências, muitas coisas escritas, experiência governativa... e agora voltou para nos livrar dele! 

 

 

Defensora da liberdade e da transparência (quando não aceita que lhe questionem uma certa seriedade política ou quando pede para se silenciarem incertas manifestações de camaradas espanhóis), baluarte da rectidão moral (quando reabilita Santana, incensa Jardim ou convida António Preto) esta personagem está muito além da plasticidade das palavras, do nevoeiro da dúvida e da escorregadia realidade factual.

 

Aquilo que diz e faz não importa. O que importa é aquilo que acha que disse e fez. Se há provas cabais que a desmentem, isso também não importa. Em MFL a essência não importa, ela é suprema e inatingível. O que importa é a substância cósmica, é a intuição sensível e o enlevo de sensações. MFL flui numa nuvem de sublimação ética e infinita elasticidade que lhe permitem reinventar continuamente a realidade.

 

Se MFL se exalta com a exposição pública das suas incongruências, lida mal com a insistência de jornalistas e adversários políticos, isso também não importa. MFL quer um cheque em branco devemos dar-lhe claro um destes... 

 

A proliferação de declarações contraditórias num tão curto espaço de tempo relativamente a temas tão diversos e importantes como a privatização da saúde e da educação, a importância da alta velocidade, ou as auto-estradas SCUT também não interessam. Só os medíocres é que analisam factos, os grandes políticos odeiam os espanhóis e desconfiam dos órfãos.

 

Ver aqui o debate entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite.


Filipe a 13 de Setembro de 2009 às 10:09
Tiago,

Encomende-se a remessa completa dessas pílulas de memória: é que além de lhe faltar muita, compõe-se também o hobby: dourá-la.
Haja paciência e, sobretudo, consciência (deixe-me o ressabiamento que só obstrui a fluência clarividente).

Zé dos Montes a 13 de Setembro de 2009 às 11:22
Relativamente à mudança de opinião durante esta legislatura:
Saude
As maternidades públicas “...teriam de ter o mínimo de 1.500 partos por ano (“...de 1500 nascimentos por ano, o critério definido pela Organização Mundial de Saúde para garantir a segurança das grávidas...” segundo Correia de Campos http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=636815)
Mas para as maternidades privadas é suficiente “...a realização de partos com uma frequência mínima superior a três por semana...” desde que “...existência de hospital de apoio perinatal a menos de 30 minutos ...” (o serviço nacional de saúde a servir de muleta ao privado) 21.04.2009 http://diario.iol.pt/sociedade/saude-tvi24-estudo-nascimentos-maternidades/1058691-4071.html

Educação
Todos se lembram das vantagens do modelo de avaliação dos professores:
Segundo a Ministra da Educação
“...Já sabemos também que há milhares de professores que tentam contornar e ultrapassar obstáculos e concretizar este modelo.
Já sabemos que as opiniões sobre este modelo são muitas e as mais diversas, mas também sabemos que é absolutamente necessário concretizar este modelo de avaliação de desempenho para que possamos concluir da sua bondade.
Ele contém imensas potencialidades...” 24 de Out de 2008 http://www.min-edu.pt/np3/2764.html
“...Eu não estou num impasse. Estou a concretizar o que estava no memorando de entendimento, independentemente dos sindicatos. Há coisas muito importantes no memorando, designadamente a garantia de que nenhum professor sairá prejudicado deste modelo de avaliação. E não vou voltar atrás...” 17 de Nov de 2008 http://www.min-edu.pt/np3/2853.html
No mesmo dia
“...O Ministério da Educação admite alterar o sistema de avaliação dos professores...” 17 NOV 08 às 11:01 http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1045416

Mas afinal tinha havido erros
Sócrates durante a entrevista na RTP 01.09.2009 – “"Talvez não tivesse havido, e reconheço isso sem problemas, suficiente delicadeza no tratamento da nossa relação com os professores. E porventura falhámos aí, nessa forma de nos explicarmos, nessa relação" http://aeiou.visao.pt/socrates-admite-erros-na-relacao-com-professores=f527624
Ministra da Educação 02.09.2009 “...A ministra da Educação admite que existiram problemas de comunicação entre Governo e professores nos últimos quatro anos...” http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1398806
Portanto se era tudo uma questão de delicadeza e problemas de comunicação porque continuaram estas “guerras” durante 4 anos e porquê prolongar a avaliação “simplificada” para 2010 (http://diario.iol.pt/sociedade/cavaco-educacao-professores-avaliacao-tvi24-ultimas-noticias/1083029-4071.html ), bastava falarem com delicadeza e de forma compreensível para os professores aceitarem.

E o aeroporto em Alcochete? Jamais.

Tiago Julião Neves a 13 de Setembro de 2009 às 16:47
Caro Zé dos Montes,

O primeiro caso não posso comentar porque desconheço e sou leigo na matéria, mas se assim é parece-me mal.

O segundo 100% a favor da avaliação de professores, mas admito que houve intransigências e irredutibilidade de parte a parte e que o processo poderia ter sido melhor conduzido. Mas em termos de irresponsabilidade e demagogia o campeão não foi claramente o governo.

Do novo aeroporto não sou especialista nem fã, prefiro requalificar a Portela e desviar as low cost para outro aeroporto, mas sou leigo na matéria e admito estar errado. Privilegiaria o TGV e a requalificação e densificação da rede ferroviária.

Fala de casos num governo que combateu interesses instalados, efectuou reformas chave tantas vezes adiadas e lançou as bases para outras fundamentais. Pode citar mais 3 ou 4 que isso não altera o meu raciocínio essencial e eu discordo de várias medidas deste governo. Simplesmente considero que JS reformou e inovou, acertou muitas vezes, errou algumas, mas é um líder capaz de admitir erros e corrigir a trajectória. Para mim isso é extremamente meritório e vale o meu voto. Ab

Zé dos Montes a 13 de Setembro de 2009 às 11:47
Quando no google se pesquisa desrespeito ao parlamento quem aparece? Surpresa – José Sócrates
“...Os números falam por si: o Governo de José Sócrates não respondeu a 694 questões e a 62 requerimentos que os deputados, de todas as bancadas, formularam no Parlamento...” 27-Dez-2008 http://www.inverbis.net/opiniao/governar-dar-respostas-cumprir-prazos.html

Tiago Julião Neves a 13 de Setembro de 2009 às 16:58
Caro Zé dos Montes,

Manipular assim é feio. Ao menos transcreva os parágrafos seguintes do mesmo link para dar aos leitores a possibilidade de interpretação livre.

Sobre o confronto da idealização com a realidade... aqui vai o texto completo.

"Os números falam por si: o Governo de José Sócrates não respondeu a 694 questões e a 62 requerimentos que os deputados, de todas as bancadas, formularam no Parlamento.

É certo que este não é um pecado original - sempre foi assim na nossa democracia. E nem sequer este Governo pode ser acusado de ter a pior prática em matéria de transparência. Outros houve cujo desrespeito pela Assembleia da República era mais gritante. É até justo dizer que José Sócrates é o primeiro-ministro que mais vezes se desloca a São Bento para ser confrontado pelos deputados - seja por vontade própria ou porque o regimento o obriga. Mas isso não chega.

A democracia exige que não haja perguntas sem resposta. É que, para além de ignorarem o que os representantes do povo querem saber (e têm direito a saber), vários ministérios e entidades públicas constam também de uma lista publicada em Diário da República como desrespeitadores dos prazos legais. Mais de mil perguntas e mais de 200 requerimentos tiveram direito a resposta tardia.

No balanço desta legislatura, até ao momento, o Executivo que se diz moderno e dialogante não fica muito bem na fotografia. As perguntas e os requerimentos que os partidos formulam na Assembleia da República relevam de um direito constitucional: fiscalizar a acção executiva do Governo. Quem não aceita submeter-se ao escrutínio das várias oposições e rejeita o contraditório deve explicações. Não só ao Parlamento, mas aos portugueses."

Ou seja este é mau mas é o melhor dos que já tivémos. Todas as críticas redundassem nestes elogios.
Ab

Tiago Julião Neves a 13 de Setembro de 2009 às 17:13
Claro que acho grave haver perguntas sem resposta e atrasos exagerados.

No exercício das minhas funções de economista já respondi a alguns requerimentos de deputados e por vezes chegaram-me verdadeiros monumentos de ignorância e demagogia pret-a-manger cujo redacção deveria envergonhar os autores e a que sempre respondi com a maior pedagogia e transparência.

Esta é uma trica sem interesse, mas provavelmente algumas das que ficaram por responder podem estar nessa categoria. Não que isto sirva de desculpa porque todas merecem resposta mas acredite que às vezes é difícil porque são declarações ideológicas mascaradas de perguntas às quais apenas podemos responder com isenção factual e e expertise técnica, o que invariavelmente gera descontentamento nos autores do requerimento.

Ab

Vera Santana a 13 de Setembro de 2009 às 17:36
Tiago,

Esta realidade contém aspectos graves que devem ser discutidos, ponderados bem como apresentadas soluções. Não é esta a altura mas creio que, logo a seguir às eleições, se deverá reflectir sobre o tema.

Saudações,

Vera

Tiago Julião Neves a 13 de Setembro de 2009 às 18:49
Obrigado Vera,
Neste momento não é claramente um aspecto prioritário.
Ab

Nathalie Gonçalves a 13 de Setembro de 2009 às 17:58
Os resultados das pesquisas na Google são-lhes apresentados em função das suas proprias pesquisas... diferem de um utilizador para outro... em função dos seus proprios comportamentos...

Margarida Trüninger de Albuquerque a 13 de Setembro de 2009 às 14:44
Olá Tiago!

Agradeço-te o convite para participar neste blog e contribuir de alguma forma ao debate de ideias que aqui se faz. Já li aqui posts teus bastante interessantes, em que te reconheço claramente na argumentação informada e inteligente (ex. o post das bicicletas eléctricas).

Mas este teu último post, confesso-te que me entristece, por me parecer que escorregas no discurso típico da propaganda política que até agora entendia que repudiavas...pelo menos segundo as tuas próprias palavras no email:

"Penso que nesta campanha como noutras as pessoas continuam demasiado interessadas em tricas sem qualquer relevância estratégica para o País."

Nem mais.

A título de curiosidade, distancio-me da leitura que fazes do debate de ontem. Em Sócrates basta-me ver desonestidade intelectual quando responde ao lado das perguntas que se lhe faz. Sou independente e certamente por isso, nunca estive tão convicta do meu voto no PSD.

Um abraço,
Margarida

h a 13 de Setembro de 2009 às 15:00
Tiago Julião Neves armado em Paulo Campos ????

Tiago Julião Neves a 13 de Setembro de 2009 às 17:36
Por caridade pedagógica aqui vai:

Tenho amigos de esquerda e de direita (desde a CDU ao CDS) e admiro pessoas das mais variadas tendências político-partidárias. A clara maioria pertencerá ao socialismo democrático e tem uma visão liberal da sociedade e dos costumes, defende a economia de mercado mas também a necessidade de regular as suas falhas e acredita num estado social robusto.

Como não sou sectário e admiro a discussão de ideias desafiei várias pessoas (da esquerda à direita do PS) a contribuírem para o debate público.

Acredite h, se quiser também pode fazer o mesmo.

Vera Santana a 13 de Setembro de 2009 às 17:40
Fez muito bem, Tiago. A "boca" de h não tem sentido. A pluralidade e o debate são para serem EXERCIDOS.

Vera

Tiago Julião Neves a 13 de Setembro de 2009 às 18:50
Margarida,

Obrigado por teres aceite o repto para participar na discussão, é indispensável ter pessoas com visões discordantes a debater neste espaço, felizmente já consegui trazer várias à esquerda e à direita.

Discordo da tua análise porque penso que em política não podemos ser ingénuos e é impossível discutir com a mesma argumentação e tom asséptico temas como as energias renováveis e a mobilidade eléctrica, ou matérias como a credibilidade e o assassinato de carácter.

Relativamente a honestidade intelectual penso que este PSD bateu no fundo e em termos de competência, visão e obra feita acho que o Sócrates está a léguas de MFL , tanto que chega a ser confrangedor. Assumo que estou mais inflamado na discussão de ideias porque cada vez mais convicto do meu voto no PS.

Tal como tu sou independente e nunca tive qualquer envolvimento com partidos políticos. Mas não digo isto como prova de pureza original porque acho que os partidos são essenciais e considero que os países tem os políticos que merecem. Se o nível é baixo cabe às pessoas competentes e com consciência cívica envolverem-se na politica e efectuarem o crowding-out dos oportunistas e medíocres. Tem custos e podemos ficar mais desiludidos ou amargos, mas a penalidade de sermos governados pelos nossos inferiores parece-me bem pior.

Concretamente sobre MFL e JS deixo-te uma nota que (podes considerar uma trica) mas que eu acho consubstancia o postulado de seriedade deste PSD:

MFL - “A credibilidade construída ao longo de uma vida não se dissolve em dois minutos ou dois aspectos” (...)

CS - “E eu lembro-lhe as palavras de Sá Carneiro que a política sem ética é uma vergonha e que qualquer político deve estar acima de qualquer suspeita, o que lhe pergunto é apesar de obviamente só serem...” interrupção de MFL

MFL - “não sei se essa falta de ética está a querer referir-se a mim, se está a referir-se a mim...”

CS - “Eu estou a falar de uma frase do Dr. Francisco Sá Carneiro que era esta e diz que...”

MFL – “Que eu considero que é uma frase que resume muito o espírito do partido e que eu considero e sinto-me muito honrada em seguir essa orientação do nosso partido estabelecida pelo Dr. Sá Carneiro.”

CS – ”Ou seja não acha que possa ser posta em causa com a escolha de Helena Lopes da Costa António Preto apesar de serem já considerados uma ferida aberta no partido”

MFL : “Olhe eu nesse momento nem sequer iria discutir esse ponto...”

MFL diz que não responde porque o assunto está na justiça... eu acho que não responde pelo facto de simplesmente não haver explicação, pelo facto da inominável politica de verdade estar inquinada de casos deste calibre.

Outro domínio é a quantidade e gravidade de escândalos que envolvem ex-governantes daquele PSD rigoroso de seriedade inquestionável (Dias Loureiro, Arlindo Carvalho, Oliveira e Costa...) e que representam perdas de centenas de milhões de euros, envolvem prisões preventivas, dedução de gravíssimas acusações e muitos arguidos. Eu que não acredito em mitos nem em messias, não entro na descrença dos que não suportam a frustração do desmoronar do seu mundo ideal (construção pessoal e fictícia ) e assumo que há desonestidade e corrupção em política como há também mérito e dedicação.

Isso não me impede de clarificar as águas e de considerar que a diferença entre os casos que envolvem PS e PSD é total apesar do que alguns querem fazer crer. O caso Freeport , o mais grave envolvendo o PS não chega em importância aos calcanhares dos que envolvem o PSD (mas este não é o ponto relevante) mas a sua cobertura mediática é gigante apesar de não haver um indício que ligue o caso ao PM . Não obstante e como é mais difícil fabricar provas, o PSD decide fabricar suspeições e adopta uma estratégia de assassinato de carácter. Até agora o jogo corre mal ao PSD porque indícios ou provas que envolvam o PM , até agora zero.

Mas como os factos são aborrecidos, estou certo que até dia 27 deverão surgir mais primos gordos ou cartas anónimas porque a suspeição encomendada também dá votos. As máquinas de nevoeiro voltarão à carga e eu só espero que haja cada vez mais pessoas a ver através dele.

Um abraço
Tiago

Margarida Trüninger de Albuquerque a 15 de Setembro de 2009 às 12:46
Olá Tiago!
Comento abaixo:
Margarida,

Obrigado por teres aceite o repto para participar na discussão, é indispensável ter pessoas com visões discordantes a debater neste espaço, felizmente já consegui trazer várias à esquerda e à direita.
→ Tiago,
Obrigado eu, my pleasure!:)

Discordo da tua análise porque penso que em política não podemos ser ingénuos e é impossível discutir com a mesma argumentação e tom asséptico temas como as energias renováveis e a mobilidade eléctrica, ou matérias como a credibilidade e o assassinato de carácter.

→Não creio que se trate de ingenuidade. Muito pelo contrário, trata-se de se manter firme na discussão de ideias e recusar veemente cair na esparrela da ofensa pessoal gratuita. Exacto, parece impossível fazê-lo em matérias mais sensíveis, “closer to the heart”, but impossible is nothing, right? E é exactamente aí, quando vejo que uma discussão que se quer de ideias escorrega para os ataques pessoais, que me deixa de interessar e muito menos convencer. Aliás, porque recorrer a tricas e desconversa exactamente em questões sérias de credibilidade, é como dar um tiro nos pés. Bem sei que em politiquice (não politica), a desconversa, os ataques pessoais e a brejeirice fazem parte do modus operandi. E apenas porque sou totalmente aversa a esse tipo de conversa que não leva a lado nenhum, resolvi comentar. Está claro que exagerei, o teu post acima está longe de me entristecer, muito pelo contrario. Por muito que alinhes nos zero sum games (“do I eat it or does it eat me?”) sei que ao menos ser-te-á complicado fazê-lo por menos que uma valente gargalhada, daquelas que une as partes e fá-las dar as mãos na construção de algo melhor.


Relativamente a honestidade intelectual penso que este PSD bateu no fundo e em termos de competência, visão e obra feita acho que o Sócrates está a léguas de MFL , tanto que chega a ser confrangedor. Assumo que estou mais inflamado na discussão de ideias porque cada vez mais convicto do meu voto no PS.

→Que o PSD bateu no fundo enquanto oposição ao governo isso é uma evidência. O que me dá mais uma razão para votar PSD! A meu ver o PS, apesar das obras feitas que valorizo (e que acredito que serão continuadas se o PSD ganha, ex. aposta nas energias renováveis, apoio ao investimento privado, etc), não precisou do empurrão de ninguém, nem de homicidas de carácter nem muito menos de crises internacionais para obter os resultados que obteve. O recorrer a este tipo de desculpa fácil, causa-me arrepios, tanto no PS como PSD como quem quer que as use. Chega de perder tempo a sacudir responsabilidades, porque nao ter a valentia de reconhecer alguns erros, mmo que não sejam o resultado único dos nossos actos, e partir de imediato para as soluções. Discutir responsabilidades é uma pura perda de tempo e amplia a dimensão dos erros.

Tal como tu sou independente e nunca tive qualquer envolvimento com partidos políticos. Mas não digo isto como prova de pureza original porque acho que os partidos são essenciais e considero que os países tem os políticos que merecem. Se o nível é baixo cabe às pessoas competentes e com consciência cívica envolverem-se na politica e efectuarem o crowding-out dos oportunistas e medíocres. Tem custos e podemos ficar mais desiludidos ou amargos, mas a penalidade de sermos governados pelos nossos inferiores parece-me bem pior.

→Tiago, nem eu. Disse que sou independente porque o sou e ponto final. Não é prova de pureza original, é prova de que não sou nem preciso de ser PSD para votar PSD nestas eleições. De qualquer forma, não podia estar mais a favor do que dizes. Que sejam cada vez mais essas as motivações de quem escolhe hoje seguir uma carreira política.

(continua...)

Margarida Trüninger de Albuquerque a 15 de Setembro de 2009 às 12:53
(continuação)

"Concretamente sobre MFL e JS deixo-te uma nota que (podes considerar uma trica) mas que eu acho consubstancia o postulado de seriedade deste PSD:

MFL - “A credibilidade construída ao longo de uma vida não se dissolve em dois minutos ou dois aspectos” (...)

CS - “E eu lembro-lhe as palavras de Sá Carneiro que a política sem ética é uma vergonha e que qualquer político deve estar acima de qualquer suspeita, o que lhe pergunto é apesar de obviamente só serem...” interrupção de MFL

MFL - “não sei se essa falta de ética está a querer referir-se a mim, se está a referir-se a mim...”

CS - “Eu estou a falar de uma frase do Dr. Francisco Sá Carneiro que era esta e diz que...”

MFL – “Que eu considero que é uma frase que resume muito o espírito do partido e que eu considero e sinto-me muito honrada em seguir essa orientação do nosso partido estabelecida pelo Dr. Sá Carneiro.”

CS – ”Ou seja não acha que possa ser posta em causa com a escolha de Helena Lopes da Costa António Preto apesar de serem já considerados uma ferida aberta no partido”

MFL : “Olhe eu nesse momento nem sequer iria discutir esse ponto...”

MFL diz que não responde porque o assunto está na justiça... eu acho que não responde pelo facto de simplesmente não haver explicação, pelo facto da inominável politica de verdade estar inquinada de casos deste calibre."

→Sim, é uma trica. Mas tens razão, é uma trica reveladora. Revela que MFL responde directamente à pergunta que se lhe faz, o que significa que ouviu e percebeu o que se lhe pergunta e foi frontal e honesta na sua decisão de não querer responder. Acho este tipo de resposta infinitamente mais honesta que a “resposta à la Sócrates.” Em que suponho que Sócrates ouça a pergunta, entenda onde se quer chegar com ela (enfim, dependendo do nível técnico...) e responde exactamente ao lado, seja com contra-ataques ou com algum apoio social (desses que dá à descrição na sua “politica” social). Ou seja desconversa e ofende a inteligência do interlocutor, o que é para mim das formas mais medíocres de desonestidade, por sinal muito pouco intelectual. Já MFL, não tenho dúvidas nenhumas que terá os seus erros e desenganos, mas ao menos parece-me honesta, assume-os frontalmente e justifica-se de forma lógica e inteligente.

"Outro domínio é a quantidade e gravidade de escândalos que envolvem ex-governantes daquele PSD rigoroso de seriedade inquestionável (Dias Loureiro, Arlindo Carvalho, Oliveira e Costa...) e que representam perdas de centenas de milhões de euros, envolvem prisões preventivas, dedução de gravíssimas acusações e muitos arguidos. Eu que não acredito em mitos nem em messias, não entro na descrença dos que não suportam a frustração do desmoronar do seu mundo ideal (construção pessoal e fictícia ) e assumo que há desonestidade e corrupção em política como há também mérito e dedicação."

→Tiago, claro que sim. Se quiseres até te digo mais: para episódios de tremenda falta de seriedade basta-me lembrar de Durão Barroso ao descomprometer-se do cargo de PM, exactamente quando Portugal se orientava para sair da recessão de 2002/03. Este foi, a meu ver, dos erros mais graves e consequentes da história recente que mergulhou Portugal numa crise politica sem precedentes e afundou-o ainda mais numa espiral de empobrecimento que dura há quase 10 anos!

(ufff...continua! E depois disto passamos a email, vale?;)

Margarida Trüninger de Albuquerque a 15 de Setembro de 2009 às 13:10
(ajudai-nos!)

"Isso não me impede de clarificar as águas e de considerar que a diferença entre os casos que envolvem PS e PSD é total apesar do que alguns querem fazer crer. O caso Freeport , o mais grave envolvendo o PS não chega em importância aos calcanhares dos que envolvem o PSD (mas este não é o ponto relevante) mas a sua cobertura mediática é gigante apesar de não haver um indício que ligue o caso ao PM . Não obstante e como é mais difícil fabricar provas, o PSD decide fabricar suspeições e adopta uma estratégia de assassinato de carácter. Até agora o jogo corre mal ao PSD porque indícios ou provas que envolvam o PM , até agora zero."

→Sem dúvida o jogo mediático é do mais criminoso, mas infelizmente creio que atinge a gregos e a troianos. O caso Freeport não me parece nem de longe nem de perto o mais grave do PS. Creio que “licenciaturas” na Independente, isso sim já é caso sério para falar em suicídio de carácter...Seja como for, a propósito de clarificar as águas, Tiago, duvido muito que tu e eu discordemos sobre politicas de fundo para o pais, o caso do novo aeroporto de Lisboa é apenas um exemplo, que para mim é central porque estou tal como tu convencida que é dos maiores disparates, e que a fazer-se aí sim, é questão de dar-lhe uns anos até se descobrir o que poderá vir a ser o pior caso de corrupção do PS...

"Mas como os factos são aborrecidos, estou certo que até dia 27 deverão surgir mais primos gordos ou cartas anónimas porque a suspeição encomendada também dá votos. As máquinas de nevoeiro voltarão à carga e eu só espero que haja cada vez mais pessoas a ver através dele."

→Subscrevo inteiramente a tua última frase. E dou-te os Parabéns pelo trabalho que aqui fazes na “clarificação das águas”!;) A título de curiosidade, quando comecei a ler o Simplex, pouco antes de receber o teu email (cheguei aqui pelo teu facebook creio!), confesso-te que estava perfeitamente indecisa. Enfim, sabia que votar Sócrates era-me complicado porque, desde logo, custa-me muito aceitar que o PM de Portugal use um estilo de argumentação assente na desconversa desonesta e na propaganda politica constantes. Assim que da hesitação em votar entre BE, CDS e PSD, tenho-vos a agradecer a todos, em especial a ti e a Carlos Santos, com o qual concordo nas principais matérias de fundo, porque ajudaram-me a esclarecer os motivos pelos quais votarei PSD nas próximas eleições.

Um abraço, Tiago. E o próximo que seja live!:)
Margarida

Tiago Julião Neves a 15 de Setembro de 2009 às 15:34
Ufa estou estafado... Margarida isto aqui é complicado! Claramente um jantar ou almoço em Lisboa (estarei lá de 24set a 7oct ) e vão ser umas horas à conversa.

Coloca comments nos posts sobre economia porque temos aí debate interessante e gostava de ouvir os teus argumentos a favor da defesa da política económica da MFL , já que sobre as questões de carácter estamos em desacordo. Digo isto para estruturar a discussão, há tópicos específicos sobre TGV, endividamento, exportações etc...

A boca da pureza original não era para ti obviamente, mas coloquei-a logo a seguir no texto e deu essa impressão. É para a malta que se tenta afastar do trabalho árduo da discussão de ideias e do reality-check , o que revela preguiça ou desinteresse, eventualmente fomentado pela desilusão com os políticos (mas a ilusão é coisa que deve ser desconstruída).

Abraço
Tiago

horacio a 13 de Setembro de 2009 às 14:47
"Novo Governo, novos ministros. Em todas as pastas haverá novos ministros", disse Sócrates ontem à saida do debate. Sim sr 1º ministro isso diz tudo sobre a qualidade do seu governo. Mas eu lembro-o que para haver real mudança também tem que haver mudança do 1ºministro. O senhor é a principal fonte de conflitos na sociedade portuguesa.

Isabel Trüninger de Albuquerque a 13 de Setembro de 2009 às 14:49
Uma das virtudes da Democracia é a alternância no poder. Um dos riscos do poder é a corrupção. Independentemente dos programas, importantes sem dúvida, são as pessoas que os planeiam, dirigem e executam. É exactamente a integridade dessas pessoas que nos deve preocupar, agora. O actual governo mostrou claramente a colagem escandalosa a determinados grupos económico/ industriais e outros da mesma cor política, com prejuízos de milhões e milhões de euros para o país. Em situação de crise gravíssima! Os favores geram dívidas que por sua vez geram outros favores, uma espiral a que urge pôr cobro. É assim que se movem actualmente as equipas governativas. Votar PS é manifestar de livre vontade que queremos mais ou pior do mesmo. NÃO ACREDITO NESTAS PESSOAS. Não sejamos ingénuos não se trata de programas, sim de pessoas que venderam a sua dignidade, contribuindo para a desorçamentação do país com sinistra facilidade, em 4 anos….de poder. Em situação de crise grave, repito. Nem a crise e o desemprego lhes provocou qualquer constrangimento ou compaixão!

Experimentei de perto como funciona este enorme polvo, convivendo com Administrações Hospitalares e Direcções de Serviços de Saúde. Tive a experiência do PSD anterior e do actual PS. O PSD tímido e cauteloso nas manobras, lá ia recuando quando chamado à atenção, o PS cavalgou tudo e todos, sem limites, em pouco tempo, com a sua maioria absoluta, utilizando-a no pior sentido.

Sou independente, livre e lúcida. Aprecio nas pessoas, a verticalidade, inteligência, lucidez e generosidade acrescida nos políticos de competências estratégicas de visão a longo prazo. E capacidade para dinamizar, entusiasmar e executar nos sucessivos curtos prazos a caminhada rigorosa que nos levará longe.

Anónimo a 17 de Janeiro de 2011 às 14:44
Ainda bem que procurei por ti na internet em geral...Encontrei a pessoa que recordava. Não podia estar mais de acordo com tudo o que expressas neste comentário, TUDO, incluzive na forma como o fazes.

susana a 13 de Setembro de 2009 às 14:55
plastic woman might not remember , mas eu ainda me lembro das trevas da educação quando ela foi ministra... blarrghhh .. mayday .. mayday
talvez administrar-lhe os memory pills com o soro da verdade!

ps- tiago gostei, particularmente, da tecitura do texto com as imagens

Tiago Julião Neves a 15 de Setembro de 2009 às 15:38
Obrigado Susana,

A combinação terapêutica que propões parece-me adequada.

E o que eu penei para encontrar uma imagem da plastic woman, já do plastic man havia aos montes. Isto é mesmo um mundo de homens... ou era?

Ab

rui david a 13 de Setembro de 2009 às 15:13
Bonito gesto, Tiago.
Convidas a Margarida para o blog e a "independente convicta" eleitora do PSD aproveita o ensejo, como lhe compete, e em toda a coerência e independência, para o mimo do Sócrates "desonesto intelectual".
É nisto que eles aceitem que sejamos superiores a eles.
Damos a cara à bofetada.
Quando não o fazemos, é claro que eles estranham. Chamam-nos sectários, arrogantes...antidemocráticos.
Por isso não gostam do Sócrates, não há neste momento um líder do PSD que ele não passe a ferro num debate ( e dos outros... talvez apenas o Portas se equilibre...a custo). O que é extremamente injusto e desonesto.

Margarida Trüninger de Albuquerque a 15 de Setembro de 2009 às 15:03
Caro Rui,

Nem mais! Até o cito:
"Damos a cara à bofetada.
Quando não o fazemos, é claro que eles estranham. Chamam-nos sectários, arrogantes...antidemocráticos."

Exactamente. Se bem que se fosse o Rui, caso me prestasse a chamar nomes na ilusão de servir alguma convicção, bastava-me com um: cobardes. Pelo menos é o que depreendo daquele que fogem à "bofetada", i.e., às perguntas e demais contrariedades da vida.

Quanto a Sócrates e à sua máquina de passar a ferro, concordo plenamente consigo: "em toda a coerência e independência", só votando PSD.







rui david a 13 de Setembro de 2009 às 15:16
Oops... e com uma Margarida veio uma Isabel...isto já não é a invasão das mulheres de plástico, é a cavalgada das valquírias.
Tiago, descobriste um ninho, rapaz.

Tiago Julião Neves a 13 de Setembro de 2009 às 19:18
Caro Rui,

A Margarida é uma amiga, a Isabel será familiar e são obviamente bem-vindas ao debate. Como aliás todos os que queiram expressar a sua opinião e contribuir para uma knowledge pool dos temas em discussão.

O último parágrafo da Isabel é exactamente a razão porque vou votar em JS . O primeiro é mais grave porque revela desconhecimento de economia e um apagão sobre os casos BPN , Arlindo Carvalho, Santana, Alberto João, António Preto... so much to choose from . Mas sobre economia aconselho a leitura dos excelentes posts do Carlos Santos aqui no simplex.

Sem desrespeito para com a Margarida e a Isabel essa da cavalgada das valquírias é óptima, lembrei-me logo do apocalipse now quando um dos soldados começa a surfar no meio de uma batalha infernal onde chovem bombas de todos os lados.

Ab

Margarida Trüninger de Albuquerque a 15 de Setembro de 2009 às 17:19
Ufff e por fim aclaremos as águas.

Será que me podias indicar no 1º parágrafo de Isabel Trüninger de Albuquerque (por certo, minha Mãe!) onde se revela desconhecimento de economia ou algum apagão de casos PSD (que aparentemente enumeras à descrição)?


Entendo e respeito perfeitamente que estejas convicto (e bem inflamado!) do teu voto PS, mas agradeço-te que tenhas cuidado nas interpretações que fazes.

Porque de outra forma, diz-me, achas mesmo que é a discutir assim, com recurso à extrapolação infundada, que convences alguma cavalgada de valquírias? ;)

Um abraço Tiago!
Cá te espero para uma boa jantarada! Estou cá até 28 Set.

Margarida








Tiago Julião Neves a 15 de Setembro de 2009 às 18:23
"O actual governo mostrou claramente a colagem escandalosa a determinados grupos económico/ industriais e outros da mesma cor política, com prejuízos de milhões e milhões de euros para o país. Em situação de crise gravíssima! Os favores geram dívidas que por sua vez geram outros favores, uma espiral a que urge pôr cobro. É assim que se movem actualmente as equipas governativas. crise Votar PS é manifestar de livre vontade que queremos mais ou pior do mesmo. NÃO ACREDITO NESTAS PESSOAS. Não sejamos ingénuos não se trata de programas, sim de pessoas que venderam a sua dignidade, contribuindo para a desorçamentação do país com sinistra facilidade, em 4 anos….de poder. Em situação de crise grave, repito. Nem a crise e o desemprego lhes provocou qualquer constrangimento ou compaixão!"

A Isabel ataca ferozmente a moral e a "escandaleira" económica deste PS. recordo que foi este PS que entre outros méritos obteve 1) o menor défice de sempre em democracia apesar de herdar o desastre orçamental dos governos Durão-Santana; 2) iniciou a reconversão do paradigma da economia portuguesa (de mão de obra barata para competência tecnológica) por exemplo nas energias renováveis ou na mobilidade eléctrica; 3) Até à crise o governo estava a superar largamente o objectivo da criação de emprego; 4) Portugal foi um dos últimos países da zona EUR a entrar em recessão técnica e um dos três primeiros a dela.

Concluo que dificilmente se poderia ter feito melhor num cenário de preço do petróleo a disparar seguido de gravíssima crise económica mundial. Certamente não seria com a estratégia de não combate à crise advogado pelo PSD.

Por fim falar nos escândalos deste governo (falta de concurso público nos Contentores, JP Sá Couto...) e não referir casos muitíssimo mais graves como o BPN e outros que tais, onde existem acusações deduzidas contra figuras de topo do PSD (Arlindo Carvalho, Dias Loureiro, António Preto...) da tal "seriedade" que MFL defende configura para mim um enorme apagão.

Ab
Dia 26 almoço por ex. (falamos por mail)

Isaura a 13 de Setembro de 2009 às 17:02

Por acaso estão lembrados da imagem de marca de MFL como ministra da educação? Lembram-se da "geração rasca"?
E dos rabos á mostra em frente ás camaras de tv para que todo o país vi-se?

Vera Santana a 13 de Setembro de 2009 às 17:31
Isaura,

Tem um erro ortográfico (distração, decerto) em vi-se.
Podió (homenagem com o devido e enorme respeito) emendá-lo?

Vera

Isaura a 13 de Setembro de 2009 às 18:12
Oh Vera eu sinto que Portugal está a cair no abismo se não fizermos nada. Daí nem ter tido a preocupação de verificar a ortografia.Agradeço o seu cuidado.

" visse"

Vera Santana a 13 de Setembro de 2009 às 19:51
E eu por distracção escrevi distração!!!!!!!!!!!!!! Ai, ai! ;-(

horacio a 14 de Setembro de 2009 às 01:09
Cara Isaura, não foi MFL que inventou o termo "geração rasca". Foi Vicente Jorge Silva à altura director do "Publico" e hoje blogueiro com Ana Gomes e apoiante de Sócrates .
Hoje em vez de "Geração Rasca" temos geração "Carolina Patrocínio " certamente um belo exemplo de vida para a geração socrática.

PS : sabe de quem ela é neta? Investigue.

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