Por Sofia Loureiro dos Santos | Quarta-feira, 09 Setembro , 2009, 22:45

 

A pandemia de gripe A está a canibalizar toda a política de saúde. A 3 semanas das eleições legislativas a explicação do que foi feito durante 4 anos assim como o que ficou por fazer, a discussão das propostas para o futuro e as diferenças entre os programas deveriam estar na agenda do partido do governo.

 

Porque, ao contrário do que se tem repetido até à exaustão, mais uma vez pela santa aliança entre os partidos à direita e à esquerda do PS, foram iniciadas reformas importantíssimas na última legislatura.

 

A reforma dos cuidados primários é essencial para a reforma do SNS. Claro que todos os partidos estão de acordo em que se deveria ter feito mais. Mas a verdade é que foi feita alguma coisa com a criação das USF, que modifica a forma de organização existente nos Centros de Saúde, com aumento da multidisciplinaridade dos profissionais, alargamento de horários e de oferta de consultas, assistência ao domicílio e exames complementares de diagnóstico, reduzindo significativamente o número de utentes sem médico de família.

 

Iniciou-se uma urgentíssima reorganização e referenciação da rede das urgências hospitalares, bandeira única da demagogia e da manipulação das populações, mas que melhora objectivamente a igualdade de acesso a verdadeiros serviços de urgência, com concentração de escassos recursos humanos e técnicos e melhoria da qualidade de assistência médica. O mesmo foi feito com o fechamento das maternidades que não cumpriam os requisitos mínimos internacionalmente aceites, garantindo que as grávidas e os recém-nascidos tivessem uma assistência de qualidade, independentemente do local de residência e da sua capacidade económica.

 

O problema da não rentabilização dos recursos instalados nos Hospitais, com a implementação do controlo de assiduidade, com a clarificação das incompatibilidades entre o serviço público e privado, problema recorrente e que levanta sempre grande celeuma, foi um passo importantíssimo para a melhor utilização daquilo que é a capacidade do SNS.

 

A importantíssima decisão de alterar o regime das farmácias hospitalares, investindo mais na generalização da prescrição de genéricos, deve ser continuada com a implementação da prescrição por DCI e com a possibilidade de despensa de unidose.

 

Há muito a fazer em todos estes sectores e noutros. Era importante que os responsáveis do PS valorizassem o seu Ministério e explicassem as suas propostas, pois urge perceber que há mais problemas e mais projectos para além da pandemia de gripe A e seu combate.
 

Nota: Também aqui.

 


Valupi a 10 de Setembro de 2009 às 00:14
Muito bem lembrado, Sofia.

Zé dos Montes a 10 de Setembro de 2009 às 15:39
“...O mesmo foi feito com o fechamento das maternidades que não cumpriam os requisitos mínimos internacionalmente aceites...” Como na altura foi referido por muitos responsáveis teriam de ter o mínimo de 1.500 partos por ano (“...de 1500 nascimentos por ano, o critério definido pela Organização Mundial de Saúde para garantir a segurança das grávidas...” http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=636815)

“....O ministro da Saúde, Correia de Campos, anunciou ontem, no Parlamento, que vai encerrar nove maternidades até ao final do ano, seguindo as recomendações da Comissão Nacional de Saúde Materna... falta pessoal clínico, equipamentos e o número de partos é inferior a 1500 por ano....”16.03.2006 http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=637441

Mas quando se fala das maternidade privadas “...A maior parte das recomendações que fizemos foram cumpridas. Nas que subsistem, algumas é difícil de ultrapassar como é o caso do número de partos...” e “...Foram classificados como critérios essenciais a existência de protocolo para iniciar procedimento de emergência em situação de risco, a existência de uma sala de reanimação com características apropriadas, a existência de pessoal especializado 24 horas por dia, o acesso a laboratório de análise 24 horas por dia, a existência de hospital de apoio perinatal a menos de 30 minutos, a existência de normas de limpeza e esterilização das salas de parto, bloco cirúrgico e materiais e a realização de partos com uma frequência mínima superior a três por semana...” 21.04.2009 http://diario.iol.pt/sociedade/saude-tvi24-estudo-nascimentos-maternidades/1058691-4071.html

Ora então para as maternidades privadas o critério mínimo é de 3 partos por semana, o que dá 156 por ano, longe (10x menos) dos critério para as maternidades públicas de 1.500 partos por ano (o que é recomendado pela OMS).
Portanto o estado não protege as mulheres e respectivos filhos quando optam por uma maternidade privada!

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