Por João Galamba | Quarta-feira, 09 Setembro , 2009, 14:15

Para o Bloco, a solução para a pobreza e para as desigualdades é muito simples: estamos perante um problema de redistribuição da riqueza. É o estafado: existem pobres porque existem ricos. Há quem ache que se deve ir por aqui. Eu discordo. Ou melhor: a redistribuição e necessária, mas não chega. É uma fantasia achar que se resolve o problma da pobreza e das desigualdades criando um escalão de 45% de IRS e um imposto sobre as grandes fortunas. Os nossos problemas também não se resolvem nacionalizando a banca, os seguros e o sector energético — e muitos menos se resolvem introduzindo mecanismos de controlo administrativo e burocratico dos juros.


Em tudo o que cheire a economia a solução do BE é sempre a mesma: estatismo e penalização da iniciativa privada. Estamos perante, se me permitem, um liberalismo invertido: onde estes acham que o privado resolve tudo, o BE acha que o estatismo é a panaceia para todos os atrasos do nosso país. Um e outro, acreditam na solução varinha mágica e reduzem as razões do nosso atraso reside à estafada questão da propriedade dos recursos — e não na utilização dos recursos. Se o PSD tem um preconceito em relação ao Estado, o BE tem um preconceito em relação aos privados. Nenhum destes partidos entende que a relação entre Estado e privados não é um jogo de soma nula.

 

O PS mostra ser mais inteligente e vai buscar ensinamentos tanto à direita liberal como à esquerda estatista. Daí o PS propor uma solução intermédia que reconhece a complementariedade entre público e privado, isto é, o PS é o único partido que mostra ter aprendido com a crise actual e com a falência do socialismo real. Enquanto o PSD fala como se esta crise não tivesse existido, o BE fala como se só tivesse existido essa crise, como se o socialismo tivesse sido inventado em 2009.

 

Um dos maiores problemas do BE consiste na ausência de uma política que assegure um crescimento económico que garanta o a sustentabilidade do estado social. Para o Bloco, solidariedade não requer competitividade e crescimento económico. Por outras palavras: a solução para todos os nossos problemas não tem de ser construída, isto é, não depende da criação de um contexto que económico que ainda não existe. Os nossos problemas resolvem-se a partir dos recursos actualmente existentes, redistribuindo-os. Mas alguém acredita que as medidas propostas pelo Bloco garantam os crescimento económico que financie as políticas sociais que a esquerda bloquista deseja? Qual a tx de crescimento necessária para pagar o estado social defendido pelo bloco sem que o défice se torne insustentável? O BE, infelizmente, ignorou estas contas.
 

Méon a 9 de Setembro de 2009 às 14:53
Registei: "se a GALP não tivesse ido para o Amorim, ia para os italianos da ENI".
Portanto, antes o Amorim que é português!

A maior contradição do nosso tempo, parece-me, é a que existe entre os limites estreitos das fronteiras nacionais e a transnacionalidade radical do mundo financeiro.

Estou à espera que os socialistas democráticos tragam solução para este problema. Em vão, até agora.
O BE é utópico? É sim senhor! Mas chateia à brava todos aqueles que nos roubam! O que não acontece com o PS. Daí tanta gente estar com vontade de votar BE!
Do PS já sabem com o que contam. Da Dona Manuela nem a cara. Do PCP não gostam da religiosidade partidária. Do CDS detestam os dentes brancos.
Portanto...
Isto digo eu... não sei!

Mário Teixeira a 9 de Setembro de 2009 às 15:21
Vi o debate de ontem com muita atenção e tornei a revê-lo.

Concluo que o BE e Francisco Louçã não têm ponto por onde se lhe pegue.

Não respondeu a praticamente questões nenhumas, limitando-se a lançar granadas de mão, aliás ao seu estilo Populista e de consciência moral da democracia.

Confesso que é irritante a postura de FL, principalmente quando é confrontado com as suas reais intenções políticas.
Um das que ficou por responder (não por falta de insistência numa resposta) foi a das Nacionalizações. Quais as consequências que isso teria para o país.

Concluo que o BE e FL são invejosos, invejosos porque na perspectiva deles não podem existir ricos ou pessoas que tenham trabalhado e atingido boas condições de vida. Para eles todas as pessoas deveriam ser pobres e infelizes, se Portugal fosse dirigido pelo FL e pelo BE, imagino um País cinzento, sem cor, todos com uniformes da mesma cor, casas iguais, carros iguais, livros iguais, músicas iguais. Um lugar onde a criatividade e a liberdade não teriam lugar.

Eu não quero um país assim, não quero viver assim. Com ideias do séc. XIX que já foi mais do que provado que não são exequíveis nem trazem nem progresso e bem estar aos povos.

É muito lamentável que FL continue a insistir nesta forma irresponsavél de fazer política. É aliás nojento tudo isto. Mentir declaradamente. Enganar as pessoas desta forma.

Se assim como dizem esta "esquerda" a esquerda caviar, é composta por intelectuais, eu diria que estes intelectuais deveriam estar num museu ao lado do bakunine e dos outros todos. Porque o seu contributo para a melhoria do país é nulo.

Resumidamente, gente que nasce infeliz e tentam tornar todos os que os rodeiam em infelizes.

Mariana X a 9 de Setembro de 2009 às 20:19
Sim, de facto está mal perturbar quem é feliz a olhar para as sombras na parede da caverna...

Eduardo Gravanita a 9 de Setembro de 2009 às 15:28
O socialismo revolucionário tem a sua graça ao nível do verbo inflamado. A sua desgraça e perdição está na aplicação à realidade. O "socialismo revolucionário" e o "socialismo científico" falharam. Pode-se teorizar sobre o assunto, mas julgo que o cerne está aqui: não se pode distribuir a riqueza que não se cria; e a apropriação colectiva dos meios de produção elimina a iniciativa individual; finalmente, sem liberdade e iniciatiava individual todo o sistema colapsa, porque nega a natureza humana. A liberdade, o livre arbítrio, são a pedra de toque na discussão doutrinária. Para um socialista democrático, nada vale a pena se implicar o sacrifício da liberdade individual. Um socialista democrático nunca relativiza a liberdade, ao contrário dos "revolucionários" para quem a liberdade é instrumental e considerada no plano colectivo. Atente-se: um "revolucionário" nunca fala em liberdade individual. Nestes termos, entre o PS e o BE vai um mundo de distância. Para mim, que fui "comunista aos 20, para chegar a social democrata aos 40", como dizia Willy Brandt, estão há muito desfeitos os equívocos. Do campo do radicalismo, nada há a esperar - o seu discurso não resiste à prova da realidade.

Pedro Sá a 9 de Setembro de 2009 às 15:41
Curiosamente a única Câmara BE do país está envolvida em enormes suspeitas de corrupção.

Mas é exactamente isso João. Para eles a riqueza é sempre algo de fixo, e se alguns enriquecem é porque estão a tirar a outros. O que é falso.

Não uses é a palavra "redistribuição", que essa expressão tresanda a "roubo legalizado"...parece-me que essa palavra deve ser evitada.

ds a 9 de Setembro de 2009 às 16:01
OK... A «esquerda» moderna é a terceira via. Nada que já não se soubesse. Só falta lembrar que essa terceira via foi/é cúmplice do neoliberalismo, e que de moderna tem, por isso, pouca coisa. È mais «pós-moderna», se é que me faço entender...

Nuno a 9 de Setembro de 2009 às 17:34
Faz lembrar a história, verdadeira ou não, de Otelo que uma vez disse a Olof Palme: "Em Portugal estamos quase a acabar com os ricos." e a resposta terá sido "Na suécia estamos quase a acabar com os pobres". Agora é trocar os nomes acima com os protagonistas do debate de ontem!

Marco Alberto Alves a 10 de Setembro de 2009 às 11:24


Caro João Galamba,

concordo consigo, não totalmente, mas poria a questão essencial, metaforicamente, nestes termos simples: onde o F. Louçã torce fanaticamente por uma equipa (a dos fracos), sem olhar a meios (basta-lhe a "razão"), e a Ferreira Leite torce manhosamente por outra (a dos fortes), sem olhar a truques (sobra-lhe o "poder"), o P. S. pugna por outra equipa, a de arbitragem, insistindo nas virtudes do cumprimento escrupuloso das leis do jogo.


Quanto àquilo de que discordo de si é mais ou menos isto: existe um meio termo conceptual entre criar riqueza desmesurada, sem uma justa distribuição, e distrubuir equitativamente a riqueza que existe (mas que se supõe poder estagnar). Mais uma vez uma metáfora simples:

numa Família em que o Pai e a Mãe comem bife e os Fillhos pão seco, embora os Pais se fartem de trabalhar, não é necessariamente mais saudável e pacífica do que aqueloutra Família em que os Pais e os Filhos comem todos apenas uma sardinha.


Mais uma vez, haverá que fugir ao simlplismo e procurar a tal linha de equilíbrio entre estes dois extremos conceptuais, que é o chamado Estado Social em ambiente político de Democracia e Liberdade e económico de Mercado Regulado, onde os Pais possam comer mais do uma sardinha, se fizerem por isso, mas os Filhos nunca desçam abaixo do pãozinho com manteiga, mesmo quando têm mau comportamento.


Boraí explicar isto aos empedernidos neo-liberais e aos justiceiros marxistas?

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