Por Eduardo Graça | Terça-feira, 08 Setembro , 2009, 23:21

 

Vou ser sincero quanto se pode ser sincero nestas matérias de apreciação de debates políticos. Sempre se fica com a sensação que cada um dos contendores poderia ir mais além. Observado de qualquer ângulo o treinador de bancada não perdoa qualquer hesitação, imprecisão, erro ou omissão. Nem deixa sequer passar em claro um esgar inapropriado que a televisão, implacável, amplia de uma forma brutal. O que me apetece dizer, após este debate entre Sócrates e Louçã, é que mais subiu o meu apreço, e admiração, por Sócrates. Fazer o balanço da política do governo que chefia, de peito aberto, no meio dos efeitos concretos de uma crise financeira e económica brutal não é mais do que o seu dever. Certo! Mas tomar a iniciativa de puxar as questões da política económica no confronto com um adversário especialista na matéria é mais do que o cumprimento de um dever, é assumir um pesado risco. Mas Sócrates, no campo das questões técnicas que Louçã domina, não perdeu, antes ganhou, tornando a força na fraqueza de Louçã. Afinal Sócrates mostrou que a fraqueza de Louçã é o seu próprio programa. É obra! E remato com uma citação, de 1974, que fui buscar a um velha brochura do extinto MES: “O socialismo é a associação livre de produtores livres e iguais, a sociedade em que aos produtores e apenas a eles caiba decidir o que se produz, como se produz e para que se produz”. É esta a utopia que Louçã balbucia mas não é capaz de transformar em programa político pois nunca ninguém foi capaz, nem nunca será, pela razão simples de se tratar de uma utopia.  Mal dos povos que dêem ouvidos a dirigentes que queiram transformar as utopias em experiências políticas pois essas experiências sempre acabam em tiranias.    
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Irene Pimentel a 8 de Setembro de 2009 às 23:57
Somos mesmo da mesma geração, Eduardo. Que, em jovens acreditámos nas utopias (?). Será mesmo que não sabíamos que a utopia está lá longe para servir de referência, mas nunca para ser aplicada no imediato (nunca para ser aplicada, ponto)? O que eu senti hoje, é que há uma geração, da qual José Sócrates é um (não digo representante, mas é um deles), que pensa no País e nas pessoas, sem pensar em desígnios absolutos, perfeitos...
José Sócrates tem defeitos, como todos temos, mas tem a enorme qualidade de saber que os tem.
Quando Francisco Louçã quis ridicularizar o passado de José Sócrates (toda a gente sabe que ele foi do PSD e está no PS, por ser social-democrata), eu tive pena de não estar ali para dizer (a Francisco Louçã), mas será que não percebeu que esse passado é óptimo? É que está ligado ao presente. E daí até ao futuro (próximo) vai um passo
Melhor que o de Louçã, e que o meu.
A diferença é que Louçã ainda não percebeu. E está tudo ligado à liberdade.

Eleitor a 8 de Setembro de 2009 às 23:58
Ninguém vai votar no BE na esperança de o ver no governo a aplicar o seu programa. O voto no BE é um voto de protesto, para alguns dos que não acreditam no PS e no PSD. É que o BE, por não estar comprometido com a camarilha do centrão, denuncia as negociatas, expões as mentiras, suscita discussão de temas "incómodos": em suma, ajuda a pôr a nu (mesmo que parcialmente) os podres dos que nos governam há mais de 30 anos.
Só pelo papel de denúncia que desempenha pode valer a pena votar nele.

joaninha a 9 de Setembro de 2009 às 00:46
Pois, pois, vote, vote, enquanto tem liberdades para isso, enquanto estiver o PS governo.
Com Louçã, tenho dúvidas. Muitas dúvidas!...

João Galamba a 9 de Setembro de 2009 às 00:58
Pois. Mas só se denuncia se não se estiver a governar. Que eu saiba, estas eleições não são para eleger os melhores denunciadores. Estarei enganado?

Anónimo a 9 de Setembro de 2009 às 00:52
Com as nacionalizações também virão as expropriações sem direito a indemnização, à boa maneira 'revolucionária'!

O risinho de Francisco Louçã quando Sócrates revelou-nos que a intenção do B.E é acabar com os benefícios fiscais da 'Classe Média', é revelador.
Para o Bloco a classe média é um estorvo (vem nos seus livros) e a sua ideia é realmente simples, como ele disse - nada mais simples como acabar com todas as deduções na Saúde, na Educação e com os PPR.
E não é para o 'Amorim' ...é mesmo para a classe média!...são só uns milhões de portugueses que descobriram o embuste do plano de Francisco Louçã.

Mas concedo-lhe mérito e concordância ao menos nisto - é a favor do investimento inadiável nas projectos públicos como forma de combater o desemprego e vê claramente Manuela Ferreira Leite como uma 'Judas da Verdade e da asfixia democrática'.

Nuno Pereira a 9 de Setembro de 2009 às 01:04
Mas valer a pena votar nele é votar na direita e por isso e perante o comentário em cima não resta duvida que os bloquistas irão se cingir à expressão habitual, porque não valerá a pena correr o risco de por a direita no governo.
Sócrates como se viu merece outra oportunidade, provou ser o melhor politico da actualidade perante louça que todos consideramos o único que pode roubar a vitoria a Sócrates.
Não esquecer que à dois meses muitos socialistas foram dar as mãos a louça. E depois de verem Sócrates em acção irão reconsiderar e voltar a acreditar em Sócrates e no PS.
Foi um debate que obrigou a quem o iniciou, a ficar até ao fim!
Sócrates foi melhor e de certeza este será o melhor debate nesta maratona.

BO a 9 de Setembro de 2009 às 01:49
Louçã é inteligente e honesto.
Sócrates até respirava fundo.

Sócrates é esperto, chico-esperto.

Aquela das camas do hospital só pode ser aldrabice, pois não é?
Lol


Filipe Ribeiro a 9 de Setembro de 2009 às 14:37
As camas de hotel....

E então quando foi a Braga inaugurar o centro de nano tecnologia? O aluguer da relva, pago a peso de ouro? O alcatrão que foi removido logo na segunda-feira?
Tudo o que se montou (e que custou balúrdios), para logo depois desmontar?

E como estes dois exemplos, são quase todas as inaugurações que se fazem... infelizmente brinca-se imenso com o dinheiro dos contribuintes...

Eduardo Gravanita a 9 de Setembro de 2009 às 01:56
Que se poderia esperar de Louçã no debate? Para além da verborreia demagógica forjada nas assembleias do PREC, pensei que - enquanto Doutor em Economia - Louçã fosse capaz de explicitar uma estratégia de desenvolvimento que respondesse à chaga do desemprego e que, caso seguida pelo PS, tivesse minorado o impacto da crise mundial. Nada disso, Louçã não foi capaz de dar a "aula de economia". Desta forma, tornou-se para mim evidente que não há outro caminho ou alternativa. Aliás, se das eleições resultar a instabilidade, o país perde a capacidade de acompanhar a retoma económica mundial. Muitas decisões ficarão adiadas e mais desemprego haverá. É importante que os eleitores sejam esclarecidos e confrontados com este perigo.

Mariana X a 9 de Setembro de 2009 às 05:00
Louçã deu um bailinho a Sócrates. Ainda duvidam que o nariz do Pinóquio continua a crescer?

MR a 9 de Setembro de 2009 às 07:17
Se queria mesmo ser sincero como começa por anunciar, bastava que dissesse que só consegue ouvir o que quer ouvir. Sócrates derrapou em tudo o que respeitava a economia. E essa de "ir buscar a brochura do MES", só mostra que não faz a mais pequena ideia dos alicerces teóricos do Louçã.

Pedro Sá a 9 de Setembro de 2009 às 09:42
O Eleitor para isso tem muito por onde votar. No PCTP/MRPP, p.ex. Ao menos são mais sérios.

Pedro Ferro a 9 de Setembro de 2009 às 17:16
Estou a ver que aqui vai grande campanha pró-Sócrates e de pancadinha em pancadinha nas costas vão amenizando a dor da derrota (óbvia) neste seu debate.

"Afinal Sócrates mostrou que a fraqueza de Louçã é o seu próprio programa."

Não devemos ter visto o mesmo debate concerteza, continuem a lançar em voz alta este tipo de argumentos, pode ser que por muito o repetirem comecem a acreditar nele!

«não faz sentido estar a deduzir fiscalmente aquilo que deve ser fornecido às pessoas», nomeadamente a Educação e a Saúde. Façam as contas, se forem capazes, e vejam de que forma se obtem maior benefício!

Nas urnas se verá o verdadeiro resultado!

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