Por Rogério Costa Pereira | Terça-feira, 08 Setembro , 2009, 22:04

Ficámos todos a conhecer muito bem o programa do Bloco (com e sem ironia) - e conhecer o programa do Bloco é importante para quem pensa(va) votar Bloco. Desta vez - e pela primeira vez -, verificou-se um vencedor claro: Sócrates. E nem sequer foi à tangente. 7 a 1, eu diria - Sócrates fez a Louçã o mesmo que Manuel Fernandes fez àquela defesa do Benfica.

 

Foi muito engraçado ver Louçã levar a maior tareia da sua vida. Ficou gravado. Não, meu caro, não foi um comboio. Foi como que um feitiço.

 

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Diogo a 8 de Setembro de 2009 às 22:22
Pois eu vi algumas negociatas do Governo a vir ao de cima.

Como disse Miguel Sousa Tavares no Expresso de 07/01/2006:

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos da Ota e do TGV, [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita.»

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»

Rogério Costa Pereira a 8 de Setembro de 2009 às 22:27
Deve ter visto outro debate. Mas o comentário é esclarecedor. Ainda estão a ver estrelinhas.

António P. a 8 de Setembro de 2009 às 22:32
Caro Rogério,
Totalmente de acordo com a sua análise do debate e da vitória.
Mas ( há sempre um ) o seu sportinguismo traiu-o.
É que no ano dos 7-1 o campeão foi o Benfica.
Espero bem que depois dos 7-1 do Sócrates ao Louçã..o campeão ( a maioria ) seja o Sócrates.
Cumprimentos

Rogério Costa Pereira a 8 de Setembro de 2009 às 23:59
De quem ganhou esse campeonato não reza a história.

Diogo Miguéis a 8 de Setembro de 2009 às 22:39
Talvez se tenha enganado no canal, meu caro. Se por ganhar um debate é entendido ter um comportamento canino, i.e, arrancaar à dentada uma parte do programa e andar a abanar a cauda com ele à volta da mesa, propagandear um país irreal e uma governação falhada em pontos essenciais, e ladrar para tentar assustar o eleitorado que lhe escorre por entre os dedos, então estamos mais do que conversados. A sua euforiazinha é difícil de explicar, portanto. O primeiro-ministro mente quanto à adjudicação das auto-estradas, mente quanto ao projecto de nacionalização da banca (ou se preferir não lê as frases até ao fim), prende-se a questões de estilo e à postura de social-democrata-delicado-optimista (no eterno jogo de máscaras a que nios vai habituando), e escapou-se assim a uma análise intensiva de propostas. É invariavelmente assim que joga (sujo, diria eu). Esteve mal, e ao contrário de Francisco Louçã (que lhe apontou a falta) elevado no ar, qual Guido Anselmi em sonhos.

E mais sonhador sou eu, que venho pregar isenção às rémoras deste blog (sem maldade, quem leu o sermão sabe do que falo)

Rogério Costa Pereira a 9 de Setembro de 2009 às 00:02
O seu comentário tem piada. Não diz nada de jeito, mas tem piada.

Diogo Miguéis a 9 de Setembro de 2009 às 01:11
Primus) Veja lá que estamos então unidos pela comédia. Também eu soltei umas gargalhadas de espanto com os seus destacados, sobretudo o segundo que evoca o feiticeiro Sócrates, que será um misto de Ricardo "Potter" Quaresma e de um nigromante faustiano, presumo. Do seu ponto de vista até estranho que não escolhesse o comboio. "Eng. Sócrates, o TGV da retórica", acompanhado por uma das inspiradíssimas ilustrações que são apanágio desta casa. Se eu pouco ou nada digo, segundo o senhor, ao menos faço-o num melhor estilo.

Secundum) Mas, infelizmente para nós e sobretudo para sua excelência o primeiro-ministro, isto não vai lá com estilos. Por isso urge falar do que vimos esta noite. José Sócrates acusou o seu adversário de se socorrer de vários casos pontuais. Ora isto é perfeitamente legítimo, na medida em que esses poucos danificaram o erário em milhares de milhões de euros, e são sintomáticos deste regime bicéfalo que alegadamente assegurou a governabilidade do país nos últimos 35 anos. Não vejo refutação possível, nem aqui nem ao longo do debate.

Tertius) volto à minha inspirada imagem do canino Sócrates: agarrou um pedaço da reforma fiscal do BE e andou a abaná-la durante largos minutos, acusando Louçã de tergiversar, apesar de este ter respondido à questão, talvez não tão bem quanto desejável, mas o suficiente para se prosseguir. E este já era o plano B, porque o primeiro, com a furiosa nacionalização de "bancos e seguradoras", já tinha sido furado: era só ler a frase até ao fim. Para fechar este ponto também eu remeto para o texto de Daniel Oliveira no Arrastão

quartus) se bem que foi um debate bem disputado, as constantes interrupções e suspiros de Sócrates, bem como parte do tempo que se perdeu a doutrinar o medo ao BE - estratégia que AJ Jardim vem a utilizar desde há décadas com as populações da Madeira (naturalmente em relação ao PS) - impediu que se falasse na educação, por exemplo, ou na Justiça, em que havia tanto para dizer. Fica naturalmente o eng. Pinto de Sousa a ganhar quanto menos se falar de tudo isto, da realidade,e nos mantivermos sob a influência do seu (Rogério) mago e dessa terra prometida, aonde corre leite e mel. Ainda sobre gente voadora ou alada, lembrou-me Ícaro e as suas asas unidas com cera. Rezem para que o Primeiro ministro cessante não continue a chegar tão perto do sol.

quintus) para terminar, aprecio sempre um bom debate ideológico. Mas é condição sine qua non para o sucesso de tal empresa que cada um dos homens na liça tenha uma, e José "real politik" Pinto de Sousa não se qualifica para tal. Já me alonguei demais. Espero que se continue a divertir tanto com o que eu digo como eu com as suas postas. Votos para que não sejamos todos peixes-roncadores.

Francisco a 8 de Setembro de 2009 às 22:44
Não acho que tenha sido uma goleada. Sócrates teve fases de insegurança. E Louça conseguiu levantar questões que os portugueses vão querer ver respondidas; especialmente o público alvo deste debate, muito maioritariamente pessoas que votaram PS há 4 anos. E se Sócrates pode ter levado muitos destes a descartar o bloco de esquerda, a verdade é que as questões levantadas podem fazer muitos votos em branco.
No global acho que este debate teve um vencedor mas foi um jogo de perde-perde, onde o balanço final conduz a uma perda de votos da esquerda.

Pedro Sá a 8 de Setembro de 2009 às 22:49
Foi pena aquando da insinuação de ter sido do PSD Sócrates não ter tido a Louçã isto que era simples:

"Eu evoluí. Você é que não saiu do mesmo sítio, da extrema-esquerda radical".

Mas parece-me que o momento essencial foi o das deduções ao IRS. Certamente muita gente pensou na sua carteira naquele momento.

Não sei se Sócrates e o PS ganharam muitos votos. Mas o BE perdeu certamente bastantes. E pode ter sido hoje o princípio do fim do BE.

portela menos 1 a 8 de Setembro de 2009 às 23:50
“O fim de muitos dos benefícios fiscais é mais do que justo. Por três razões:

1. Só pode beneficiar deles quem tem mais dinheiro para gastar (serão muito raros os contribuintes que, recebendo 800 ou 900 euros mensais, desviem os seus parcos recursos para um PPR). Bem sei que estão nos escalões mínimos, mas nem por isso deixam de estar incluídos no sistema e descontar para ele. Mais: só chega ao tecto máximo de deduções quem gasta mais. Só gasta mais quem tem mais. Os benefícios fiscais, favorecendo a classe média, põem a classe baixa a “contribuir” para as despesas de quem ganha mais. É uma distorção da justiça fiscal, que passa pela regra inversa: os que ganham mais ajudam os ganham menos. Os benefícios fiscais a investimentos em poupança em produtos fornecidos para os privados correspondem ao desvio de fundos públicos para o privado, prejudicando quem não usa (porque não tem margem para usar) os serviços privados. Quem se pode justamente queixar de pagar serviços públicos (taxas de saúde, propinas, etc), dizendo que assim se trata de uma dupla tributação, se depois quer que o Estado lhe pague os serviços privados?
ARRASTÃO/DO



Rogério Costa Pereira a 9 de Setembro de 2009 às 00:09
Como é óbvio, as segunda e terceira não passam. Fica aqui o link: http://arrastao.org/sem-categoria/quando-bagao-esteve-a-esquerda-de-socrates/

É assim que se faz, espécie de heliporto.

james a 9 de Setembro de 2009 às 00:38
" Dá-le "!

portela menos 1 a 9 de Setembro de 2009 às 00:19
obrigado Senhor Rogério DA Costa Pereira;
antes o link que a censuara.

Francisco Cavaco a 9 de Setembro de 2009 às 11:30
Mas no final o Benfica foi campeão e o Sporting continuou na sua senda gloriosa de 18 anos sem ser campeão, espero que aconteça o mesmo a Sócrates que ganhe um jogo por 7-1 e depois perca as eleições. E já agora lembra-se dos 6 a 3.
SLB 4 ever

Pedro Ferreira a 9 de Setembro de 2009 às 12:25
Ou o que JVP fez à defesa do Sporting...

Joaquim Patrício a 10 de Setembro de 2009 às 19:36
A que propósito é que aparece o Benfica nisto,... dos debates?!?!?
Porque não falamos só dos Candidatos e nesse caso, do Sócrates, da Manelinha , do "tio" Alberto João ...?!?!
Ah já percebi, o nosso Amigo Rogério da Costa, ouviu falar que o Benfica é um "sério Candidato" ??? ... ah não, isso é outra coisa!

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