Por Miguel Abrantes | Terça-feira, 08 Setembro , 2009, 13:57


Que terá imaginado o leitor quando leu a manchete de hoje do Correio da Manhã? Temos finalmente bronca da grossa… Acontece que o artigo, para lá de mais uma aparente violação do segredo de justiça, faz apenas alusão a dois aspectos que convém sublinhar:

    • Segundo o tablóide, a “investigação descobriu depósitos em várias contas abertas em paraísos fiscais britânicos que implicam outros suspeitos já constituídos arguidos e também mais três pessoas”;
    • “Já sobre José Sócrates ou familiares seus não foram recolhidos movimentos suspeitos.”


Depois de José Sócrates ter sido bombardeado durante meses por causa do Freeport, que manchete seria mais apropriada: uma em que se destacasse o facto de que o primeiro-ministro não tem nada a ver com o caso Freeport ou a que o CM utilizou, que, dada a sua natureza dúbia, permite continuar a alimentar o folhetim (e em que a referência a Sócrates é omitida na edição on-line)? Por que uma informação tão relevante em termos políticos aparece quase escondida no artigo?

Acontece que o Público replica a notícia do CM e censura o único aspecto que é politicamente relevante: “Já sobre José Sócrates ou familiares seus não foram recolhidos movimentos suspeitos.” A notícia do Público é um vómito tão grande que nenhum jornalista teve coragem para a assinar.

Não há mesmo uma campanha negra?


David Fernandes a 8 de Setembro de 2009 às 15:41
No recorte da 1º página que você coloca ali em cima não se vê Sócrates em lado nenhum.

A gente tomada pelo pânico fica mesmo transtornada.

Paulo Ferreira a 8 de Setembro de 2009 às 16:49
Tão negra quanto a ética e a deontologia do JMF....

Tiago Julião Neves a 8 de Setembro de 2009 às 16:54
É de facto vergonhosa esta omissão do Público. Existe uma claríssima tendência de desinformação da opinião pública e de tentar prolongar o não-caso MMG .

henrique pereira dos santos a 8 de Setembro de 2009 às 18:18
Cada vez tenho mais dificuldade em perceber este blog: não sei se não lêem as referências que citam ou se lêem muito bem mas estão à espera que ninguém as leia.
Transcrito da notícia linkada do público:
"Contudo, segundo o "Correio da Manhã" não foram recolhidos movimentos suspeitos nem sobre José Sócrates nem sobre os seus familiares."
Onde está a censura?
Para além disso parece que por aqui se acha que o único interesse público no freeport é saber se Sócrates recebeu luvas ou não.
Ou seja, que exista na administração um caso de corrupção desta dimensão envolvendo altos quadros da administração (a provar-se o que até hoje se sabe da investigação, o que está longe de acontecer) para este blog parece ser um detalhe irrelevante da Governação do país.
Que seja possível aos altos quadros da administração enganar as suas tutelas levando-as a fazer aprovações assentes em pagamentos corruptos ou decorre de entorses no processo decisório que é bom clarificar para corrigir, ou da incompetência dos governantes que são enganados tão ingenuamente.
Em qualquer caso parece ser matéria relevante de discussão pública, ou não?
henrique pereira dos santos

Porfírio Silva a 8 de Setembro de 2009 às 19:13
Leste lá "Notícia actualizada às 15h59"? Percebeste?

É giro: quando já toda a gente percebeu que Sócrates não tem nada a ver com o Freeport, e quando começa a suspeitar-se que os caluniadores poderão ter a careca a descoberto, começam os holofotes a só estar interessados nos outros.

Henrique, sei que és insistente, mas não voltarei aqui. Só quero dizer-te que não engulo a ingenuidade dos que fazem de conta que não perceberam para que servia todo este caso. Nada teria sido como foi se fosse para proteger o interesse público, que concordo está em causa. Mas só um cego não vê por que razão se puseram todos estes meios neste assunto. Não há pior cego do que aquele que não quer ver. Ou talvez haja: os cegos pelo ódio.

henrique pereira dos santos a 8 de Setembro de 2009 às 19:45
Sim, depois de me terem chamado a atenção reparei na actualização das 15h e 59m.
Com certeza que todos os holofotes estão sobre o assunto face à suspeita de que haveria ligações com Sócrates.
E um dos principais responsáveis por isso chama-se José Sócrates.
Espero poder explicar serenamente o meu ponto de vista sem ser preciso que venham com processos de intenções.
Na primeira reacção às primeiras notícias sobre o assunto José Sócrates garantiu que a aprovação deste projecto tinha sido absolutamente igual a qualquer outro processo.
Ora esse ponto em concreto não é verdade e portanto todos os jornalistas começaram a tropeçar em contradições esta afirmação (voluntarista e admito que sincera, mas errada) de José Sócrates e as peripécias da aprovação do projecto.
Quer isto dizer que há alguma ligação de José Sócrates com a corrupção associada ao freeport (que começou por ser negada, aparentemente sem razão). Não, claro que não.
As responsabilidades políticas de José Sócrates acabam no estar ou não associado à corrupção?
Também não.
Escrevi um longo texto no blog onde escrevo em que explico que a forma de decisão de José Sócrates abre caminho a este tipo de situações per ser fortemente personalizada e muito pouco aberta ao escrutínio.
Podes discordar (não tenho dúvidas de que discordas) mas deixa lá as conversas dos ódios e etc., que não fazem o menor sentido.
Discordo em absoluto dos métodos de José Sócrates mas não tenho o menor ódio em relação a ele.
E parece-me que tenho o direito de discutir o Governo do meu país sem ter de ser sujeito a esse tipo de críticas sem qualquer valor acrescentado.
henrique pereira dos santos

Porfírio Silva a 8 de Setembro de 2009 às 20:01
Críticas sem valor acrescentado? Vens para aqui acusar os autores de fazerem acusações infundadas, quando tu é que não te deste ao cuidado de verificar as coisas, e depois vens cheio de lições para dar? Começa a cansar essa técnica de acusar os outros disto e daquilo só para disfarçar a pressa em dizer mal de tudo.
Quanto ao resto, mantenho: a falsa ingenuidade é isso mesmo: falsa. Mas há coisas piores: a manha de querer crucificar aqueles de quem não se gosta, à boleia do bem comum, é uma dessas coisas piores. E garanto-te que as conversas dos ódios fazem sentido. Ai se fazem!
Ah, claro: se, como de costume, te fizeres agora de muito zangado por te terem respondido à letra, não há azar - já estamos habituados.

joaninha a 9 de Setembro de 2009 às 01:06
"Espero poder explicar serenamente o meu ponto de vista sem ser preciso que venham com processos de intenções".
Referia-se a quem no processo de intenções?

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