Por Sofia Loureiro dos Santos | Domingo, 06 Setembro , 2009, 22:05

 

Mais um debate civilizado, o que é excelente, mais BE contra PSD.

 

Ficaram bem patentes as diferenças entre o BE e o PSD. Mas essas diferenças já eram conhecidas.

 

Aquilo que me espantou foi ter assistido ao arrasar do programa eleitoral (inexistente) do PSD, obrigando-se Manuela Ferreira Leite a concordar pontualmente com Francisco Louçã e a desdizer o pouco que lá está escrito, como por exemplo na segurança social, por um pregador que do seu púlpito falou da liberdade e da responsabilidade, da grandeza da democracia, da violência da insensibilidade, etc.

 

Na questão do emprego e do desemprego Francisco Louçã exibia o sorriso do vencedor. Na saúde Manuela Ferreira Leite acenou com as listas de espera para morrer mas foi de imediato cilindrada pela necessidade que o sistema privado tem de se socorrer do público, precisamente nas áreas mais críticas dos cuidados intensivos, da oncologia, etc. Manuela Ferreira Leite esteve bem quando apelidou as taxas moderadoras para os internamentos e cirurgias de um imposto.

 

Por fim, de uma maneira cordata e serena, Francisco Louçã conduziu Manuela Ferreira Leite para o cadafalso quando se falou do casamento entre homossexuais, uniões de facto e procriação medicamente assistida. Num frenesim, Francisco Louçã perorou sobre a felicidade e o direito de amar que o Estado deve garantir a todo o indivíduo, encurralando Manuela Ferreira Leite no reconhecimento da evolução da sociedade que já não considera isso um tabu, sem sabermos exactamente o que era isso.

 

Louçã esmagou.

 

Nota: Também aqui.

 


Luís Filipe Vaz a 6 de Setembro de 2009 às 22:38
E a gaffe que a Dama de Ferro Rombo soltou logo no início do debate? Mais grave é que nem é gaffe, a senhora pensa mesmo que a economia do 24 de Abril era boa comparada com o que aconteceu depois da Revolução...
Se ganhar, o que não pode acontecer, vamos regredir como nunca, que não haja dúvidas...

Filipe a 6 de Setembro de 2009 às 22:45
A MFL gosta de ser avó. Tem o seu direito.
Mas tem-no tanto como um casal homossexual que queira formar um parelha.
Ou que direito terá ela a mais?
Parece-me mais que normal que, em pleno século XXI, seja um governo idóneo para reparar o sofrimento que muitas pessoas têm vivido.
E claro: legislação não muda mentes. Mas decerto que será um bom catalisador.

Anónimo a 6 de Setembro de 2009 às 23:04
Estimada Sofia,
Perdoe-me a ousadia, mas eu que vi o debate tenho uma leitura muito diferente: Quer Louça, com a uma postura moderada, quer Ferreira Leite, com um enorme grau de confiança, acabam por roubar votos ao PS (ou pelo menos não os perdem).
E, muito sinceramente, não me pareceu que alguém tivesse esmagado alguém.

Cumprimentos

Sofia Loureiro dos Santos a 6 de Setembro de 2009 às 23:09
As ousadias são bem vindas. É por isso que a verdade é diferente, conforme o ângulo por que se olhe.

Manuela Ferreira Leite contemporizou em várias situações, chegando a negar a proposta que está no programa do PSD em relação à segurança social. Pareceu-me quase atemorizada perante a arrogância moral do adversário. Mas já li outras leituras.

Cumprimentos.

Paulo Lobato a 6 de Setembro de 2009 às 23:11
(Saiu anónimo sem querer)

Sofia Loureiro dos Santos a 6 de Setembro de 2009 às 23:20
Obrigada, Paulo.

joaninha a 6 de Setembro de 2009 às 23:34
Aqui temos o programa do PSD. Não interessa do que se fala e quem fala, desde que roube (reparemno verbo: ROUBAR) votos ao PSD.
Na opinião do sr PSD anónimo, BE e PSD ou melhor, Loução e Manuela Ferreira Leite estiveram -AMBOS- muito bem (sub-entenda-se): um moderado e a outra confiante.
Política de verdade oblige!... ´
É a discutir assim o país que nos entendemos e progredimos; mas cada um fala do que sabe.

Paulo Lobato a 7 de Setembro de 2009 às 00:12
Estimada Joaninha,

Permita-me a devida correcção. O anónimo, que sou eu, não é PSD nem coisa nenhuma, apenas se limita a ter uma opinião quanto ao resultado do debate e esta vai no sentido contrário ao da dona da casa.
Quanto ao debate não disseram nada que eu já não soubesse.

cumprimentos

am a 6 de Setembro de 2009 às 23:54
Há uma coisa que não percebi. Qual é a pertinência do argumento de o sistema privado ter de se socorrer do público, precisamente nas áreas mais críticas dos cuidados intensivos, da oncologia, etc? Já toda a gente sabia que o sistema privado não tem esses serviços. Ninguém acredita no contrário.

Mas o sistema privado tem outros serviços que funcionam muito melhor do que os do sistema público. A marcação é muito mais rápida e o atendimento é muito melhor. Vivo no Porto. Por qualquer problema de saúde que a minha família tenha, QUE NÃO SEJA UM PROBLEMA DE EMERGÊNCIA MÉDICA, nunca vamos ao sistema público. Paga-se, mas NESTES CASOS é muito melhor. Quem não tiver, de todo, a possibilidade de pagar tem de sujeitar-se a longuíssimas esperas, quer para marcar consultas, quer para obter consultas urgentes no sistema público.
Agora, há 3 possibilidades:
- Mantém-se como está.
- Proibe-se o sistema privado de ser mais eficiente do que o público NESTES CASOS ou até se proibe o sistema privado tout court.
- Financia-se o acesso de todos ao sistema privado, considerando-se que está a prestar um serviço ao próprio SNS. Todos os utentes preferiam esta última possibilidade.

Paulo Lobato a 7 de Setembro de 2009 às 01:28
Caro AM,

Tenho receio que aumento da qualidade do privado esteja a ser feito à custa da degradação do Público.
E isto é uma pescadinha de rabo na boca.
Sendo a saúde um dos negócios do século XXI, cujos os custos sobem brutalmente, é importante manter este cluster sob a alçada do estado.

(Estará o privado disponível para abrir hospitais no interior?)

cumprimentos

am a 7 de Setembro de 2009 às 12:18
Não percebi a relação com o que escrevi. Certamente a culpa é minha mais uma vez.
A mim, quando preciso da assistência médica, não interessa se o serviço é público ou privado. É preciso ter preconceitos ideológicos para tomar partido pela superioridade de um dos sistemas. O que me interessa é ter o melhor serviço. Se os hospitais privados oferecem melhores serviços, QUANDO OS CASOS NÃO SÃO DE EMERGÊNCIA MÉDICA, que mal tem isso? Seja qual for o sistema, os cuidados médicos têm um custo que alguém tem de pagar. No sistema privado é o doente que paga directamente. Como nenhum doente tem dinheiro para pagar tratamentos de emergência ou oncológicos, os privados raramente oferecem esses serviços.
No sistema público é o governo que paga com o produto das colectas fiscais. É um autêntico seguro de saúde. A despesa é elástica ou a mesma despesa para mais serviço dá pior serviço. O governo decide qual é a carga fiscal necessária para fazer face a estas e outras despesas. Não é por ser público, é por ir a todas. Só por isso é que acho que o sistema público deve ser universal e tendencialmente gratuito e o sistema privado deve ser complementer.
Se se trocasse os financiamentos dos sistemas, eu iria ao sistema privado em situações de emergência e ao público nas outras situações. Não reconheço qualquer superioridade de princípio a qualquer dos sistemas.
É legítimo a qualquer sistema melhorar a sua oferta. O sistema público pode oferecer consultas oftalmológicas em menos de 30 dias? Consultas de urgência em menos de 20 minutos? E sem andar de balcão em balcão, a preencher e carimbar papéis? Então, porque não o faz?

am a 7 de Setembro de 2009 às 12:32
Discuto aparte um único item. Parece que o problema é o seguinte. No sistema público pretende-se financiar a totalidade dos serviços com uma quantia tão rígida quanto for possível. Julgo que em linguagem económica se pode falar em custos marginais nulos. Isto é, o sistema pode dar mais uma consulta, mas o custo total do sistema é o mesmo e a despesa está naturalmente controlada. Digo que é o barato que sai caro. No sistema privado paga-se à peça, a despesa é imprevisível, depende das consultas dadas e dificilmente se controla. É isso?

O problema é que eu sou professor e posso pagar para ter atendimento rápido e confortável. O auxiliar da escola tem de sujeitar-se às longuíssimas e desumanas esperas. Mas isto sou eu que penso, que nem sequer sou socialista. É isto que defendem?

Filipe a 7 de Setembro de 2009 às 12:50
O serviço de hospitais funciona tal e qual como uma empresa, desde as suas entranhas às engrenagens do lucros!
O SNS, por algo degradado que possa estar, existe. Não imaginemos hospitais públicos com luxos e mordomias como nos privados, isso não há em lado algum.
Mas sei fazer algo muito bom: contentar-me com o que tenho e ambicionar algo que posso ter. Acesso quase gratuito a um hospital, sem ter de me preocupar, como na América, no preço total que a intervenção X me vai custar.
Já tive as duas experiências: um privado e claro, mais que um público. Fazendo um balanço de qualidade-preço , porque aqui se impõe, prefiro 30x o público. Somos atendidos com competência e rigor, porque assim é necessário, e não com uma visão médica alterada pela obrigação do lucro imposto.

É triste que (até) com a Saúde se faça negócio.

am a 7 de Setembro de 2009 às 14:32
Não percebi nada. Hospitais como empresas até às engrenagens dos lucros, marcação rápida de consultas como luxos e mordomias, alteração da visão médica pelo lucro imposto (mas o serviço realizado pelos privados é frequentemente mais barato), concepção sulista católica europeia do lucro como uma coisa suja (mas o lucro é a retribuição de um investimento!).
Diga-me uma coisa. Se cortar um dedo com uma faca e precisar de ser suturado vai ao centro de saúde, onde se recusam a suturar porqur não são obrigados a fazê-lo? Se precisar de uma consulta de urgência vai ao centro de saúde, onde as consultas são marcadas com muita antecedência ou vai preventivamente, adivinhando a urgência futura, às 5 da madrugada, marcar vez no centro de saúde? Ou espera horas na urgência de um hospital público? Em que centro de saúde faz as suas consultas de medicina dentária, de oftalmologia, de ginecologia, de otorrinolaringologia, etc? Marca consultas a um ano num centro de saúde? Num hospital público? Para quê? Para não dar negócio aos privados? Privados que o atenderiam na hora? Que lhe dariam consultas de especialidade em menos de um mês? É esse o valor que dá à sua vida?

Filipe a 7 de Setembro de 2009 às 22:56
am,

Não sei que hospitais você frequenta, mas eu fico-me pelos de Lisboa. Já fui paciente no S. José e em dois privados, no da Luz e nos Lusíadas.
Deixe-me que lhe diga, e para isso pode confirmar pela net , que os hospitais privados são tão ou mais caóticos em termos de atendimento como um público.
No da Luz estive quase 3 horas às espera de ser atendido, numa urgência, depois de ter caído um vão de escadas. Acha pouco? Precisaria eu de cortar um dedo, como você heroicamente hiperbolizou?
No dos Lusíadas fui mais rapidamente atendido, mas as deficiências a nível de empregados também fazem com que seja pouquíssimo eficiente.
Ora portanto, e referindo-me aos custos, prefiro pagar pouco num público e esperar, do que pagar muito num privado e ... esperar!
E pegando no seu exemplo um tanto exagerado, se você cortar um dedo sugiro-lhe que se dirija ao hospital e não vá empatar aquelas gentes do CS mais perto. Mais vale ser bem atendido no hospital (e não acredito que com um corte no dedo, necessitando de sutura, demore horas). Deixe-se de espalhafato.

Nunca disse que o Estado não deve fazer acordos com os hospitais privados, mas já que afiançou o assunto digo-lhe que acho incorrecto muitos dos casos, sobretudo porque os públicos têm capacidade para resolver alguns dos problemas. Mas adiante.

Não me venha com historietas de que eu lhe quero coarctar a sua liberdade de escolha: falei no "eu", e não em "nós"...portanto ou você me considera como todos...ou então lê mal.

am a 7 de Setembro de 2009 às 14:47
"Não imaginemos hospitais públicos com luxos e mordomias como nos privados, isso não há em lado algum."

Está muito enganado. Pelo menos, os Hospitais de S João, de Matosinhos e da Feira até têm quartos individuais semelhentes aos dos privados. E não são para qualquer pessoa, se é que me faço entender...

"sem ter de me preocupar ... no preço total que a intervenção X me vai custar"

É uma questão de diferenciação do financiamento dos dois sistemas. O público é financiado pelas receitas fiscais públicas que pagam o que o governo quiser. Os privados não podem lançar taxas e impostos. É assim e é muito bem. O que não impede o governo de financiar os doentes para terem no sistema privado os tratamentos que o sistema público não presta tão eficientemente. A menos que o governo também tenha preconceitos ideológicos contra os privados e os negócios dos privados.

"prefiro 30x o público."

eu prefiro 31x o melhor, quero lá saber se é público ou privado. mas deixem-me ter a minha escolha em cada caso. ou a liberdade de escolha tem para si pouco valor?

"Somos atendidos com competência e rigor, porque assim é necessário"

umas vezes sim, outras vezes não, como em tudo na vida, não é tudo igual. não pode generalizar.

pedro a 7 de Setembro de 2009 às 15:54
permita-me discordar de si..

n considero q ninguém tenha esmagado ninguém.

reconheço q as expectativas em relação à prestação da mfl eram mt baixs, e a aferição das prestações tem sempre isto em conta.
mas msm considerando isso, acho q esteve razoavelmente bem (sabendo q aquele n é, definitivamente, o seu habitat natural)
houve, inclusive, àreas, em q me pareceu ter posto o louça pouco à vontade, como na questão das grandes empresas, e na dificuldade do louça em explicar como se promove crescimento económico (pra pagar td o q ele gostava de pagar e oferecer!). falar em dar é fácil..onde se vai buscar(e como se vai buscar) é mais complicado.

enfim..uma conversa amena (regras obrigam) q mostrou "um louça estranhamente nervoso, e uma mfl surpreendentemente confiante"..

Cumprimento..

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