Por Palmira F. Silva | Sábado, 05 Setembro , 2009, 11:05

 

Há uns tempos escrevi um post na jugular que aborda o que se pensa ter sido a primeira guerra da propaganda, com os resultados, catastróficos, que podem ser apreciados em San Giminiano na Toscana. Esta forma de combate político medieval, assente na maledicência e destruição do trabalho do oponente, deu um contributo não despiciendo para que a cidade que era um dos mais florescentes centros italianos à época seja hoje uma pequena vila medieval com interesse apenas turístico.

 

Naquele que se pensa ser o primeiro cartaz de propaganda da História,  os apoiantes do papado romano acusavam os seus rivais seculares, os gibelinos, de promoverem o «pecado» considerado mais herético, «o agir contra natura, desarmonia, e falta de sentimento de comunidade». Por outras palavras, os guelfos, assentes na mitologia então dominante, lançavam um boato infundado sobre os seus oponentes políticos e acusavam-nos de fomentarem o colapso civilizacional.

 

Os últimos episódios da politiquice nacional, em que, à falta de ideias, se ululam, com estridência e grandes rasgos de vestes, acusações análogas - com o intuito de obnubilar a discussão e induzir enviesamento cognitivo no eleitorado -, fizeram-me recordar estes métodos de propaganda política. Em particular, fizeram-me recordar as consequências deste tipo de irresponsabilidade política.

 

Lançar suspeições totalmente infundadas em todas as direcções e esperar que pelo menos algumas peguem, não é debate político admissível no século XXI, muito menos na grave situação em que o país se encontra. Que ficará certamente certamente mais grave se continuarmos o que comentadores sortidos se devotaram ontem em todas as televisões: discussão de boatos e teorias da conspiração em vez de debate de ideias. Se não pretendermos pôr em causa o futuro do país, importa recentrar no que é realmente importante. E importa sobretudo recordar as lições da História e ter presentes as torres de San Giminiano...


amália a 5 de Setembro de 2009 às 11:15
Muito bem.

Méon a 5 de Setembro de 2009 às 13:29
Sim, já lá estive, a admirar as torres que cada um fazia mais alta do que as outras, para se afirmar. Bela metáfora deste país de ópera!!!

james a 5 de Setembro de 2009 às 14:38
"Que ficará certamente certamente mais grave se continuarmos o que comentadores sortidos se devotaram ontem em todas as televisões: discussão de boatos e teorias da conspiração em vez de debate de ideias".

Os jornais " editorializados " de Mário Crespo são disso o expoente máximo.

Luís Oliveira a 5 de Setembro de 2009 às 14:53
Essa tag do "populismo de direita" não terá "o intuito de obnubilar a discussão e induzir enviesamento cognitivo no eleitorado", certamente.

Xico a 5 de Setembro de 2009 às 16:11
Também estou de acordo com a Palmira. Discursos como os que o Vital Moreira fez em Évora, além de serem um nojo, são contraproducentes, porque toda a gente percebe que têm somente o objectivo de desviar a atenção da roubalheira que se vai fazendo por quem tem poder!

Aires Almeida a 5 de Setembro de 2009 às 16:40
Não me leve a mal, mas este post parece-me algo obscuro e bastante desleixado.

Obscuro porque não se percebe bem a quem se está a referir. Quando refere o populismo de direita, está a referir-se, entre outros, a José Sócrates e seus acólitos? Adivinho que não, mas o post encaixa muitíssimo bem neles.

Depois também não se percebe por que razão exclui o populismo de esquerda. Será este geneticamente virtuoso, ao contrário do populismo de direita?

Finalmente, o desleixo do post nota-se até nos topónimos e nas imprecisões históricas, apesar de se tratar de pormenores, reconheço. Em primeiro lugar, a Toscânia não existe, mas sim a Toscana. Em segundo lugar, San Gimiano também não existe, mas San Gimignano (ou, aportuguesando, São Giminiano). Em terceiro lugar, San Gimignano teve alguma importância à época, mas não tanta como sugere e a sua decadência deve-se quase totalmente à peste negra.

De resto, o post é um bocado irrelevante para ilustrar o que actualmente se passa em Portugal.

Palmira F. Silva a 6 de Setembro de 2009 às 08:49
Obrigado pela detecção das gralhas. Sobre as causas da decadência de San Giminiano, deixo-lhe um parágrafo do texto da jugular que linko:

«Uma conjunção de factores, a que não são alheios a irracionalidade política e a peste negra, levaram à degradação de San Giminiano, que de um dos mais florescentes centros italianos medievais, rota de comércio no coração da Via Francigena e o principal produtor de açafrão, se transformou numa cidade em ruínas.»

burns a 5 de Setembro de 2009 às 17:07
esta a esquecer-se do vital moreira, esse é bem mais novo que o tal san gimiano

Rita a 5 de Setembro de 2009 às 20:54
O Valupi já respondeu aos dois últimos comentadores no Aspirina B (http://aspirinab.com/valupi/e-qual-e-a-tua-opiniao-joao-miranda/). A resposta é curta e na mouche:

"João Miranda acha que Vital Moreira pode ser dado como exemplo de maledicência. Vital Moreira atreveu-se a falar do BPN em período de campanha para as Europeias. E falou nele com o propósito de censurar o silêncio do PSD a seu respeito, não para fazer associações de carácter criminal, político ou moral. O que Vital expressou foi a sua indignação face à cobardia cívica do PSD. Como resultado, recebeu um coro de censuras, incluindo de elementos do próprio PS. É este o exemplo que Miranda acha comparável com a campanha de destruição de carácter e suspeitas conspirativas, com insídias nunca antes vistas, que dura desde 2007 sem qualquer demarcação das figuras gradas do PSD.

Ora, para memória futura, seria do maior interesse conhecer a resposta do Miranda a esta pergunta: na tua opinião, o PSD tem alguma responsabilidade criminal, política ou moral no caso BPN?"

rui david a 5 de Setembro de 2009 às 23:09
Post perigoso. a beleza estética de san geminiano, passados todos estes séculos ao lado do progresso, pode fazer-nos sonhar com um bocadinho de obscurantismo e irracionalidade para criar as condições para o turismo histórico de qualidade do século XXV

Aires Almeida a 6 de Setembro de 2009 às 01:49
Elucidativo.

Fiz um comentário que, embora crítico, penso ser civilizado, tanto no tom como no conteúdo, mas não passou a censura interna. Isto apesar de alguns dos topónimos do post terem sido corrigidos (mal) na sequência do meu comentário. Depois dizem que não há asfixia.

Perder a dignidade, mesmo que os leitores não saibam é sempre perder a dignidade. Edificante!

Palmira F. Silva a 6 de Setembro de 2009 às 08:54
Caro Aires Almeida:

espero que releve o facto de ser fim-de-semana e não estar sempre a ver os comentários que eistem para aprovar. sobre as gralhas, se reparar no texto original são mesmo gralhas,

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