Por José Reis Santos | Sexta-feira, 04 Setembro , 2009, 02:04

O recente episódio da TVI -Manuela Moura Guedes tem contornos muito estranhos. Já toda a gente bem informada sabia em Julho de que a senhora pivot do Jornal de Sexta ia lançar algo sobre o Freeport justamente em Setembro, para cumprir com o calendário eleitoral. Já toda a gente sabia que a dita senhora (e companhia) ia lançar toda a lenha na fogueira para queimar José Sócrates, porque lhe apetecia (a ela e ao marido). E já toda a gente sabia que o PSD ia cavalgar atrás da agenda noticiosa criada pela jornalista da TVI. Coisas da Política de Verdade (lá diz o ditado popular que «quem não tem cão… »).

 

Claro que para a oposição dita «governamental» pouco interessava a validade e o teor dessa verdadeira campanha difamatória da ex-cantora / groupie dos anos 80; assim como pouco interessa qualquer ideia de proporcionar um debate eleitoral informado e civilizado em torno do que se pretende para o país. Para o PSD o que importa é dominar a agenda mediática, não com propostas ou ideias para Portugal, mas spinando insinuações, comentando boatos e fabricando fait divers. Disto já todos nos tínhamos apercebido.
A novidade da season não é, portanto, o conteúdo do discurso do PSD (que nunca houve), mas a forma do mesmo. Vale tudo para denegrir a imagem do Primeiro-ministro, mesmo recorrer à imbecilidade e ao ridículo e, quando todos os partidos políticos – sem excepção – pedem explicações à Prisa pelo sucedido, o PSD decide enveredar por uma estratégia de ataque pessoal infundado e insinuador, com contornos ridículos de falta de lucidez e percepção. Afinal, parece que foi hoje lançado o programa do PSD. E até é curtinho, como alguns pediam e resume-se a uma ideia: cavalgar a onda de fumaça que diariamente criam ou potenciam.
Reparem: num dia como o de hoje, com tanta insinuação, quando todos os partidos políticos exigem um esclarecimento cabal da entidade «promotora» do escândalo o que faz o PSD? Assume uma postura de Estado? Não? Assume e respeita a separação entre a esfera pública e a económica? Não. Prefere comparar o estado da nossa democracia actual – e da nossa liberdade de expressão – com o do PREC.Ninguém reparou que o que este senhor disse é uma barbaridade. Quase apetece lhe perguntar «onde é que estava no 25 de Abril?». É verdade que muito se opina sobre as férias que muitos senhores de outro regime tiraram entre 1974 e os anos 80 (tem havido muitas reportagens recentes sobre o assunto) e, sem querer acusar o senhor porta-voz do PSD de alguma adesivagem, estranho a falta de memória histórica de tão prestigiado e destacado elemento da corte laranja. Então não deve o país a liberdade conquistada após o 25 de Abril ao PS? Não é este Partido o principal responsável para que haja hoje liberdade de expressão em Portugal? Tem alguma ideia esse senhor do que é viver num regime sem liberdade de expressão? Decerto que não terá televisão, ou então não acompanha nenhum dos programas de debates que correm por essa TV fora… Adiante. Vive de fumaça este PSD.
Não fossem estas declarações suficientemente infames, logo veio o eurodeputado-emigrado-mas-que-afinal-não-sai-de-cá apelar ao um levantamento popular. Bem, se ao senhor do Porto lhe falta história, o novo delfim excede-se nas invocações colectivas e decide-se, vejam lá, apelar a uma nova Maria da Fonte… Vá lá, podia ter pedido a alguns amigos que se mudassem as bandeiras em todos os estádios de futebol… Claro que depois de gastas estas pérolas os senhores da laranja terão poucas munições para comentarem (em directo) a esperada e já quasi-anunciada e, dizem, acordada saída de José Manuel Fernandes do Público. Talvez uma intervenção da NATO em Portugal, deixo a sugestão. Mais fumaça não dá.
Agora novamente num tom mais sério. São, naturalmente inaceitáveis as declarações de destacados dirigentes do PSD. Espera-se muito mais de quem quer ser governo. E ainda mais preocupante é que comentam – com pouquíssima informação - assuntos do foro íntimo de uma empresa privada (não deviam esses senhores, como liberais novecentistas que apregoam ser, defender uma clara separação entre o foro político e o foro económico?). Afinal, para quem pretende defender o privado face ao público estranha-se o rápido comentário político sobre um assunto da competência exclusiva de uma empresa privada; mas enfim, com tanta fumaça decerto serão poucos os atentos a estas contradições contra-natura do discurso liberal do PSD - que deixam aliás bem claro quem é que se está a tentar aproveitar deste episódio, colocando inclusivamente no ar a ideia de uma concertação MMG-Freeport-PSD.
Claro que a questão fulcral em todo este affair – que nada tem a ver com a governação do país ou com as propostas para o governar no futuro - é então a de saber quais as razões que levaram a administração da TVI a tomar esta decisão a três semanas das eleições. Há ainda pouca informação disponível e, neste momento, todas as leituras são extemporâneas. Para o necessário esclarecimento deste caso, é exigível e urgente, que a administração da TVI esclareça publica e cabalmente quais os motivos que levaram a esta decisão. Entretanto, vão-se posicionando mais um par de bandarilheiros pelos lados da São Caetano à Lapa…

JORGE ROCHA a 4 de Setembro de 2009 às 03:20
Concordo em absoluto com o texto em causa, que subscreveria por inteiro ou não tivesse já expressado opinião quase idêntico no meu próprio blog (Tempos Interessantes).
Contrariemos intensivamente a estratégia goebbeliana dos senhores do PSD!

JORGE ROCHA a 4 de Setembro de 2009 às 04:01
Descubro agora haver blog quase homónimo. O meu é www.temposinteressantes.blogspot.com

Carlos Pimentel a 4 de Setembro de 2009 às 04:11
Discordo. Em absoluto.

Dizer que Manuela Guedes é da TVI, ainda vá que vá, tá na cara, dizer que é 'jornalista', já isso, é preciso ser demasiado bem intencionado, caramba, um pouco de respeito pela Manuela Guedes, ela está «triste» com «tudo o que se passou», todas estas especulações sobre as suas putativas 'cachas', a pobre sofre, angustiada, e vós, ó simplistas, abordam o assunto sem qualquer tipo de pudor...

Jorge O Neil a 4 de Setembro de 2009 às 04:27
Manuela M G (Moniz move) esticou a corda e o Cebrian mordeu o isco
A 3 semanas das eleições , e depois de ter preparado o terreno, Manuela montou o seu spot promocional de regresso. Era uma afronta a Sócrates, fazia do jornal de sextas a principal oposição ao PS às próximas eleições, a 3 semanas das eleições. O spot foi enviado e traduzido para a casa Mãe (Espanha) que a 3 semanas das eleições jamais deixaria alguém de uma estação sua (PSOE) fazer oposição e prejudicar a difícil vitória do PS. O PS foi avisado e Manuela M G tb soube. Sócrates terá dito? Vamos ser prejudicados nas eleições!!! Mas, por outro lado, temos o exemplo do Marcelo bem recente e na verdade não fomos nós. E é tão evidente que muitos não acreditam que fomos. Façam o que quiserem. Se puderem dêem provas que não fomos nós para ver se os outros ficam mal vistos - fisgados
A Manuela M G que tb sabia foi dar entrevistas sobre o seu programa sabendo que o spot fora cancelado e o programa tab.
Quem vence?
Não se sabe , mas para já o plano corre ás mil maravilhas
***O PS de Sócrates é o acusado e muitos desconfiam que sta acusação pode valer menos votos que meia dúzia de patacoadas sobre o Freeport
****A mulher do Vice-presidente da Oingoing naõ podia andar aos saltos e soluços em horário nobre e sai de cena
*****As acções da impresa que agora já não interessam à Ongoing, porque não podem ter a hegemonia, valem bem mais depois do afastamento do casal e as da MediaCapital em sentido inverso – em pouco mais de um mês com a desvalorização da media CapitalTVI e consequente valorização da Impresa a Ongoing pôs a balança do seu lado upa, upa,
***Para acabar, a não presença de Manuela Moura Guedes ajudará a fazer descer o share da Tvi, Share que, curiosamente, este mês, foi o pior dos últimos 3 anos; apesar da grelha estar feita por Moniz
A Ongoing avançou para Moniz (e TVI) pouco depois da investida da PT. Afinal, aquela loucura - da candidatura à presidência do Benfica- , tão pouco ao género de Moniz, e que até deixou de boca aberta os mais próximos era apenas o primeiro passo – ver se a PRISA o deixava sair e , acima de tudo, ver como o mercado, reagia à saída do senhorTVI.
A Ongoing fez o seu papel e afrontou Balsemão com a sua posição de hegemonia e o interesse, deles, na concorrência, e tornou-se indesejado é insustentável é melhor sair; apesar de responsável principal pela valorização da Impresa.

Cena final:
A Ongoing compra a Tvi e vende a Impresa; no negócio do ano, tem uma posição de hegemonia num canal (que inclui a TVI24 para transformar em Económico) e Moniz acabar a controlar a TVI e outros. Manuela sai de cena; se vencer o PS a Ongoing, empresa muito importante no panorama Nacional não pode ter a mulher do vice a coiso na TV. Se vencer PSD, Manuela já não faz sentido e vai para casa com sentimento de missão cumprida.

Palmas!!!



ADP a 4 de Setembro de 2009 às 12:12
E toda a gente sabia que nao dava jeito o PS que em setembro viesse mais um bomba sobre o freeport! Por isso o melhor era afastar a senhora e acabar com o seu jornal!
Onde anda a liberdade de expressao?

Zé dos Montes a 4 de Setembro de 2009 às 12:34
Quem melhor consegue denegrir a imagem do primeiro ministro que ele próprio.
- projectos na Guarda
- estação de compostagem da cova da beira
- construção de 10 estádios para o euro 2004 (precisávamos de 8)
- co-inceração
- licenciatura duvidosa na independente
- freeport (sim, foi construído um centro comercial numa zona de protecção, que eu saiba o Sócrates era o ministro do ambiente, pelo menos tem a responsabilidade politica para o sucedido)
- compra da casa em Lisboa por um preço inferior aos outros condóminos do mesmo edifício
- processos em tribunal contra bloggers e jornalistas na tentativa de os condicionar (tem perdido todos!)
- relatório da OCDE sobre a educação (afinal pago e não foi feito pela OCDE)
- adjudicação sem concurso da compra do Magalhãe à JP Sá Couto
- terminal de contentores em Cascais

Ainda se lembram de um tempo em que um ministro se demitia por contar anedotas (ministro Borrego no governo PSD), outro demitia-se por usar carros da GNR para fazer uma mudança (ministro Cadilhe do governo PSD), outro demitiu-se por ter declarado um valor mais baixo na compra da casa para pagar menos SISA (ministro Murteira Nabo no governo PS), e um último demitiu-se pela queda de uma Ponte (ministro Jorge Coelho do governo PS).
Não é só na crise económica que batemos muito baixo, a crise moral, ética e de valores já vai a pique, e não se vêm sinais da retoma

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