Por Eduardo Graça | Quinta-feira, 03 Setembro , 2009, 22:49

 

Não é surpreendente o teor de certas acusações assassinas dirigidas, hoje, à liderança do PS que estão, aliás, em linha com outras proferidas no passado recente, sob diferentes pretextos; nem sequer, apesar de chocantes, são novidade como se pode verificar pelo pequeno excerto de uma alocução de Albert Camus, datada de 1948:  
(…)
Não há vida sem diálogo. Mas o diálogo foi, hoje, na maior parte do mundo, substituído pela polémica. O século XX é o século da polémica e do insulto. Eles ocupam, entre as nações e os indivíduos, e mesmo ao nível das disciplinas outrora desinteressadas, o lugar que tradicionalmente cabia ao diálogo reflectido. Dia e noite, milhares de vozes, empenhadas, cada uma por seu lado, num tumultuoso monólogo, lançam sobre os povos uma torrente de palavras mistificadoras, de ataques, de defesas, de exaltações. Mas qual é o mecanismo da polémica? Consiste em considerar o adversário como inimigo, por conseguinte a simplificá-lo e a recusar vê-lo. Aquele que insulto, já não sei de que cor são os seus olhos, ou se acaso sorri, e como o faz. Tornados quase cegos por obra e graça da polémica, já não vivemos entre os homens, mas num mundo de sombras.” (…)
Albert Camus – alocução feita na sala Pleyel em Novembro de 1948, in Actualidades - Contexto
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O Camus do século XXI a 3 de Setembro de 2009 às 23:05
"Tornados quase cegos por obra e graça da polémica, já não vivemos entre os homens, mas num mundo de sombras.”

Em 2009 nem o Salazar conseguia fazer melhor. Sem censura, sem riscos azuis e com gajos a pensar que o Socrates é o Albert Camus.

Tudo moderado, claro está, com o tal lápis de 1948.

Eduardo Graça a 3 de Setembro de 2009 às 23:23
A direita clama contra a censura que põe nos outros para esconder a sua vernácula vocação censória. É um velho truque conhecido mas que, quase sempre, resulta nos momentos de desencanto. Se ascenderem ao poder os “impolutos”, e impunes, herdeiros do Miguelismo, acharão crime em tudo mesmo no que, para honrar os princípios da honra republicana, tenham feito os seus adversários para defender a liberdade e, por consequência, os defender também a eles.

portela menos 1 a 3 de Setembro de 2009 às 23:24
(...) Aquele que insulto, já não sei de que cor são os seus olhos, ou se acaso sorri, e como o faz (...)

esta citação aplica-se que nem uma luva aos posts do Simplex sobre o BE e Louça.

Eduardo Graça a 3 de Setembro de 2009 às 23:31
A interpretação do que se escreve aqui é livre e publicada ... é a vantagem da liberdade por quem, de forma assumida e responsável, a pratica!

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