Por Vera Santana | Quinta-feira, 03 Setembro , 2009, 11:38

 

EM RESPOSTA AOS COMENTÁRIOS AO POST  "Quem avisa, Amigo/a é"
 
I. Com a frase “Independentemente da impossibilidade de a Escola voltar a funcionar a tempo parcial” estou, em primeiro lugar, a identificar a fonte do descontentamento dos professores, a saber, a institucionalização da Escola a tempo integral e a impossibilidade da sua desinstitucionalização. Esta é inviável, na medida em que o trabalho feminino é desde há muito uma realidade (mais expressiva em Portugal do que em muitos outros países europeus), os avós -  e sobretudo as avós - se encontram ainda na vida activa aquando do início da escolarização dos netos, as qualificações femininas são cada vez mais elevadas – o que leva a um maior desejo de aplicar os saberes adquiridos - e, simultaneamente, muitas mães trabalham não apenas pelo prazer de exercerem uma profissão mas frequentemente porque o salário feminino é, para as famílias portuguesas, uma necessidade familiar e não um suplemento .
Em segundo lugar estou a sublinhar que a fonte de descontentamento do grupo sócio-profissional dos Professores se tornou num permanente conflito latente, i.e., não expresso por sindicatos e por professores, dada a impossibilidade absoluta de o resolver, seja por parte do Ministério da Educação (qualquer que seja a filosofia educativa) voltando à Escola a tempo parcial, seja por parte dos Professores aceitando plenamente a mudança na sociedade portuguesa que levou à inexorabilidade da Escola a tempo integral.

Este conflito mudo e inultrapassável mina a comunicação, as negociações e, mais grave, a Educação Pública em Portugal e o presente e o futuro dos nossos Alunos, apanhados no centro de uma luta de resistência a mudanças necessárias. Aos Sindicatos, como actores com muito poder, caberia a tarefa pedagógica, progressista e “contemporânea” de demonstrar as causas, o âmbito e os efeitos a médio prazo desta transformação social, aos seus representados, os Professores. E, no entanto, os Sindicatos, fruto da zeitgeist da “modernidade” (histórica, do século XIX) que assistiu ao seu nascimento, prosseguem caminhos conduzidos por objectivos reivindicativos próprios de uma sociedade em processo de início de industrialização que viu nascer um proletariado operário constituído por agregados familiares nos quais as mulheres eram donas-de-casa e o trabalho era emprego para a vida. Este proletariado, estes tipos de famílias e o emprego para  vida não existem no século XXI.
 
II. Admito a existência de movimentos de Professores ao arrepio das directivas dos seus Sindicatos. Seria interessante identificar os actores do “arrepio” e descrever as suas acções colectivas quer as iniciais quer as ulteriores (não estudei estas acções colectivas mas estudei outras). Estou em crer que esses movimentos de protesto assentam no descontentamente cuja fonte abordei no ponto I., bem como na original (i.e. primeva) capacidade de Sindicatos de tendência CGTP para a mobilização de assalariados nas ruas. Os restantes Sindicatos foram arrastados na corrente de protestos nas ruas. Pergunto se não teria sido mais útil, em termos societais, um movimento de forte negociação conjunta de todos os Sindicatos, na mesa das negociações, com o Ministério da Educação. Sabemos que os Sindicatos da UGT são acusados, pelos Sindicatos da CGTP, de privilegiarem a negociação e que estes privilegiam a conquista das ruas e, consequentemente dos media. Tomados que estavam os media – por focarem, ininterruptamente, as manifestações dos Professores – muito difícil teria sido recentrar a luta nas negociações.
 
III. O poder dos media instalou-se de um lado da barricada, o lado dos Professores. Estes não sofrem propriamente de uma sindrome pavloviana nem são ignorantes nem estúpidos mas todos conhecemos muito bem (e estamos sujeitos a) os efeitos perversos dos media nos comportamentos individuais e colectivos. Se exortamos a juventude, os corpos Danone, o fitness, o hedonismo, o prazer imediato e se praticamos o consumo exagerado e a manutenção de corpos musculados e sem rotundidades, a origem destes modos de sentir e de agir encontra-se no poder dos media. Este poder não sendo, necessariamente, político nem partidário rege-se por audiências. As manifestações de rua – nas quais reinam as emoções e os slogans, compreensíveis por todos os espectadores - fazem disparar as audiências, ao contrário de negociações, racionais e fora dos espaços públicos, focalizadas em problemas complexos, de difícil compreensão num noticiário televisivo. A importância das emoções em directo ultrapassou a pertinência de processos racionais. Os slogans gritados por multidões nas ruas mais não são do que cristalizações de emoções. Esta constatação aplica-se a todos os actos públicos de multidões unidas por emoções: concertos em estádios, manifestações reivindicativas ou comícios político-partidários. É esta uma faceta da realidade do século XXI.
 
(a continuar ...)
 

Paulo Ferreira a 3 de Setembro de 2009 às 13:01
Excelente análise, espero ansiosamente pela continuação.

am a 3 de Setembro de 2009 às 13:12
A escola a tempo integral não é a fonte do descontentamento dos professores. Talvez seja a fonte do descontentamento dos professores do1º ciclo. Talvez, porque desconheço o problema, se é que existe. Dos professores do 3º ciclo e secundário, não é de certeza absoluta.

Vera Santana a 3 de Setembro de 2009 às 14:19
am,

Pode explicar e fundamentar as suas afirmações, por favor?
Agradeço desde já,

Vera

am a 3 de Setembro de 2009 às 14:50
Relativamente a tempoi parcial ou tempo integral o que é que julga que aconteceu nas escolas do 2º ciclo, 3º ciclo e secundário?

Stran a 3 de Setembro de 2009 às 20:33
Oi Vera,

Obrigado pela explicação. No entanto eu julgo que o problema não reside no facto de passar para uma escola a tempo integral mas o que isso significa. Como professora que julgo que sejas deves gastar parte do teu tempo a preparar as aulas. Para o fazeres muitas vezes tens de ter disponível material, a grande questão é que esse material (quer seja ferramentas como computadores, quer seja apenas espaço) não existe.

Basicamente este tempo integral que a escola tem de estar aberta, e refiro-me ao secundário, significa que obrigas seres humanos a estar num local sem condições nenhumas e sem poder gastar tempo a preparar aulas.

Ora se o que aconteceu tivesse acontecido numa empresa (o que aconteceu é o equivalente a um trabalhador ser obrigado a estar numa sala que tivesse só uma cadeira e mais nada) não só a pessoa poderia se despedir com justa causa como poderia ainda receber uma indemnização por danos morais.

O problema do que aconteceu na Educação não foram os objectivos. Foi a forma como foi feita, atropelando-se direitos e mesma a dignidade de pessoas, algo que é injustificável.

am a 3 de Setembro de 2009 às 22:25
Eu sou professor do secundário e não sei que tempo integral é esse. Não há tempo integral para os alunos. Têm várias manhãs e tardes livres, sem qualquer actividade escolar. Também não há tempo integral para os professores. Temos diversas manhãs e/ou tardes completamente livres de actividades nas escolas. Mais de um terço do nosso tempo de trabalho continua a decorrer em casa (na melhor das hipóteses...)

Stran a 3 de Setembro de 2009 às 23:38
Soube de casos em que o professores foram obrigados a passar este tempo "livre" na Escola. Imagino que não devem ter sido casos unicos. Saudo que na sua escola não tenha acontecido isso.

Mas já agora, para que não haja dúvidas eu sou a favor que os professores deverão estar 8 horas na escola, julgo que o isolamento e "obrigatoriedade" de trabalhar em casa nefasta para a pessoa. No entanto tem é de se dar condições aos professores para que isso aconteça, condições que actualmente não existem e que levará muito tempo a existir.

am a 4 de Setembro de 2009 às 00:00
Estou surpreendido, porque se há casos desses, violam as orientações dadas pelo Ministério da Educação e os inspectores não o permitem!

5 dias vezes 8 horas dá 40 horas. O horário de trabalho é 35 horas.

O trabalho individual é tão importante como o trabalho não individual. Ambos são indispensáveis.

E os escritores também devem escrever nas editoras? E os pintores também devem pintar nas galerias? Acha mesmo que a qualidade do trabalho dos professores melhorava se trabalhássemos integralmente nas escolas? Eu não me importo de experimentar.

Stran a 4 de Setembro de 2009 às 18:43
"Estou surpreendido, porque se há casos desses, violam as orientações dadas pelo Ministério da Educação e os inspectores não o permitem!

5 dias vezes 8 horas dá 40 horas. O horário de trabalho é 35 horas."

Sobre este ponto eu falei em tempo livre, as 8 horas mencionei noutro contexto e como é obvio foi um erro meu (pois é o meu - e de muitos milhõe - horário).


"O trabalho individual é tão importante como o trabalho não individual. Ambos são indispensáveis."

Concordo, no entanto o contexto de grupo é muito importante.

"E os escritores também devem escrever nas editoras? E os pintores também devem pintar nas galerias?"

Julgo que a comparação não é a mais feliz. Um escritor é livre para escrever o que quer, o pintor também, no caso dos professores não é bem assim. Num exemplo de escrita o professor é mais equivalente a um jornalista...

"Acha mesmo que a qualidade do trabalho dos professores melhorava se trabalhássemos integralmente nas escolas? Eu não me importo de experimentar."

Sim, mas com condições de trabalho. Só o facto de estarem juntos permite que uma pessoa mais facilmente ultrapasse obstaculos pois tem ajuda de pessoas que estão no mesmo contexto. Isto não significa que têm de trabalhar em grupo, apenas quer dizer que estão num ambiente social o que julgo ser mais salutar a nível profissional e pessoal. No entanto e como gosto de ser flexível, julgo que deve ser opcional. Se quiseres eu depois desenvolvo o pensamento...

Francisco Cavaco a 3 de Setembro de 2009 às 22:54
Vera é o que dá escrever sobre aquilo que não sabemos, a politica da escola a tempo inteiro é para o primeiro ciclo mas não funciona com os professores curriculares, funciona com outros profissionais a dar Inglês e música e outras actividades.
No 2 e 3 ciclo passamos um pouco mais de tempo na escola na generalidade dos docentes 22 horas + 4 horas por força da nova regulamentação da componente não lectiva, estas horas algumas são destinadas as aulas de substituição, apoio a alunos, mas mais nada são mais quatro horas.
A Vera fala em sindicatos da UGT e da CGTP relembro-lhe que existe uma plataforma sindical que é constituída por todos os sindicatos da educação CGTP UGT.
Vera o que entende por negociação? espero que não tenha o mesmo entendimento da MLR eu imponho e VC aceitam.isto não é negociação.
Vera as tentativas toscas de recuperar o voto dos professores é perfeitamente degradante, depois dos insultos como ratos covardes esparguete de tudo nos chamaram a uma coisa que não tem preço pelo menos para mim a Honra e a Dignidade Por isso sou professor e não voto PS


am a 3 de Setembro de 2009 às 23:47
As 22 horas nem sequer são 22 horas. São 22 vezes 45 minutos. Somando as outras horas, dá (no meu caso, horário de 2008/2009), incluindo os tempos dos intervalos entre as aulas, exactamente 22h20min de permanência na escola. Para 35 horas de trabalho por semana vão 12 h40min. Diz o governo que este é o tempo de trabalho individual fora da escola. Para os professores não há escola integral. Para os alunos também não.

JFilipe a 4 de Setembro de 2009 às 01:29
De facto existem vários mundos...num deles trabalha-se 35 horas por semana - e considera-se isso uma indignidade! Noutros, trabalha-se até ser necessário, e o Estado vai cobrando impostos ou fazendo hastas públicas para arranjar recursos para pagar a estas primas donas.

am a 4 de Setembro de 2009 às 10:56
Quais são os outros?

Nina Abreu a 4 de Setembro de 2009 às 14:45
Não venho atropelar nenhum colega de outros ciclos da educação, mas apenas expôr a minha situação e que tem a ver com o ensino secundário. Este ano vou ter 5 turmas ( 2 do 10º ano, 1 do 11º e duas do 12º), logo 3 níveis diferentes, três situações diferentes que me obrigam a programar tudo até ao milímetro, que me obrigam a procurar, seleccionar, adapatar recursos pedagógicos, diversificar estratégias, acompanhar de perto os alunos com mais dificuldades. Sendo professora de português, é fundamental exercitar a escrita ( com várias actividades, trabalhos individuais, colectivos, etc, e "corrigir" quer sob a forma de auto ou heteroavaliação), exercitar a oralidade que o ME genialmente considerou merecer 25% na avaliação mas que depois nos exames nacionais do 12º ano parece esquecer, preparar, trabalhar fichas várias sobre o funcionamento da língua nas várias perspectivas das TLEBS, exercitar a leitura ( sim, no 10º ano e não só, há alunos a ler tipo roda quadrada, num pára-arranca), análise de obras literárias, etc, etc.( HORARIO LECTIVO)
Vou dar um api (apoio pedagógico individualizado) a um aluno do 10º ano, aulas de substituição e que o ME não considera tempos lectivos! Ou seja, nestas situações parece que devo optar por ensaiar o bailinho da madeira ou explicar os melhores passos para obter êxito a jogar xadrez, já que, para o ME isto nada terá a ver com actividades didacticopedagógicas. Adiante. Sou ainda delegada de grupo, a gerir um grupo de 10 docentes, e com as inerências que o cargo implica. Vou andar ao longo do ano em acções de formação sobre os novos programas de lángua portuguesa do 3º ciclo e depois reuinir nas escola com os meus pares e reproduzir essas acções.
Resumindo: fico sem tempo OFICIAL para preparar aulas, pesquisar, fazer fichas/testes, corrigir, etc, etc....porque pelo meio desta alienação há sempre reuniões: de grupo, trabalho colaborativo, etc, etc.
Só me pergunto e desculpem lá o possível tom tendencioso: corrigir testes, trabalhos, debates, preparar aulas, etc serão tarefas iguais em todos os ciclos de estudo? Mesmo gerindo de forma racional o meu tempo, jamais serão 7 a 8 horas de trabalho individual, o tal que fica por minha conta, suficientes para se ser Bom ou Excelente na sua profissão?! Restam-me os fins de semana, com sacrifício para a família!
Pergunto ao ME: conhecerá a realidade ds escolas?! Por que razão hão-de estar na equipa pessoas completamente ausentes desta realidade e mais, a cavalgar ciências da educação, prenhes de ideias muito bem embrulhadas e herméticas, logo inexequíveis? Isto é escravidão. Felizmente os professores, pela sua formação, são generosos e lidam com crianças e jovens ( a quem atafulham de disciplinas e lhes indicam rigorosamente o que têm de fazer ao longo de nove horas de permanência nas escolas) que não têm culpa da visão lunática dos iluminados das rédeas da educação. Deixem, por breves instantes, que os jovens escolham os seus ócios, aprendam a correr, a escolher amigos para brincadeiras, ou os mais velhos, possam usufruir igualmente das suas opções. O país vai pagar caro esta quase sovietização das crianças e jovens.
Sempre ultrapassei e de longe as tais 35 horitas da função pública, nunca fiz menos de 50 horas semanais. É de cair de exaustão, mas tenho de agradecer expressamente a este "ME" a mensagem falacciosa que "éramos uns indigentes" pagos a peso de ouro ( comunicação social e sociedade anónima) e que somos uns privilegiados por termos 3 meses de férias. No secundário isso jamais se viu. Nem sei em que país vive esta gente tipo JFilipe e afins.
Apetece-me bater com a porta...ao fim destes 26 anos de trabalho.

Francisco Cavaco a 4 de Setembro de 2009 às 17:58
Prima dona não quanto muito tenor e não seja mal educado pq lhe fica mal.quanto ao seu comentáerio é insulto e a insulto não respondo.

Vera Santana a 5 de Setembro de 2009 às 09:35
Francisco Cavaco,

Pode, por favor, explicitar a quem dirige este seu comentário? Às vezes a arrumação gráfica pode não ser suficiente. . .

Agradeço,

Vera

Vera Santana a 5 de Setembro de 2009 às 09:43
Francisco,

Sim, a política de Ecola a Tempo Inteiro é para o 1º ciclo. Para os restantes ciclos, a política é a de uma Escola com Mais Tempo (22h + 4 h, como o Francisco escreveu).

Ao mesmo tempo, as Férias Grandes dos Professores encolheram, o que se traduz por Mais Tempo de Escola.

Escola a Tempo Inteiro, Escola com Mais tempo e mais Tempo de Escola são, na minha perspectiva, a primeira fonte de descontentamento do grupo sócio-profissional dos Professores.

Saudações,

Vera

Nina Abreu a 5 de Setembro de 2009 às 16:20
"Escola a Tempo Inteiro, Escola com Mais tempo e mais Tempo de Escola são, na minha perspectiva, a primeira fonte de descontentamento do grupo sócio-profissional dos Professores."

Vera
Isso colocado dessa forma, desculpe, mas é brutalmente tendencioso e diria um tudo nada falaccioso, já que generaliza. É grave. Demasiado.
Tenho, na sua expressão anacrónica, das chamadas férias grandes, tantos dias com qualquer funcionário público e sabe porquê? Mais uma vez remeto para as escolas secundárias ( embora as EB3 tenham dois exames nacionais)onde têm lugar vários, muitos, exames nacionais: secretariado constituído só por professores( que entregam os exames, recebem-nos, enviam códigos para o gave, publicam resultados, recolhem pedidos de reapreciação, etc, etc. A fazer parte do secretariado, cheguei, em período de férias, vir um dia à escola para assegurar a recolha dos pedidos de reapreciação)bateria de professores vigilantes e suplentes, professores coadjuvantes, professores correctores, etc. Logo no dia 2, exemplifico a data fresca do ano lectivo que se inicia, já estive como vigilante num exame, dia 3 tive duas reuniões e dia 4 duas. Em anos anteriores, quando havia a 2ª fase dos exames nacionais, todos os procedimentos referidos em cima se repetiam, ao mesmo tempo que se preparava o arranque do ano lectivo: ou seja, quando as aulas se iniciavam já muitos dos professores do secundário andavam cansados com dias de trabalho de 9 e 10 horas.
Pergunto-lhe: defender as políticas deste ou de outro governo tem necessariamente de passar por esta contínua falácia sobre situações concretas? Será também por causa das tarefas dos professores do ensino secundário, que sempre me opus a que as carreiras ficassem iguais, o que, aliás, só se verifica em Portugal e mais 3 países da CEE.
Por favor, não se pede uma passadeira vermelha, mas respeite quem nem ataca só por si a tal escola por inteiro(quantidade mas 1/4 na qualidade) mas desespera por ficar sem tempo para ser professor a tempo inteiro.
Peço desculpa, sou palavrosa e talvez a enfade, mas precisava escrever isto.
Boa tarde

Vera Santana a 6 de Setembro de 2009 às 11:32
Nina,

Não me enfada.

Lerei atentamente logo que possa. Desde já digo que usei voluntariamente a expressão "férias grandes"; trata-se de um anacronismo não muito arcaico e, sobretudo, é uma ideia que enche a cabeça de quem já não é jovem. Essa ideia / representação remete para um passado agradável e configura modos de pensar.

O que a Nina descreve - muitas das tarefas - são tarefas também executadas por professores noutros graus de ensino, nomeadamente no Superior: exames, vigilância de exames, exames de acesso à Universidade (várias fases ...), reapreciação de exames, reavaliação de notas, infindáveis reuniões (aquando de Bolonha, eram semanais e infindas, com trabalho para casa), orientação de teses de licenciatura, orientação de trabalhos de grupo, ---, atendimento de alunos, substituição de professores (pontual, de uma aula, ou não pontual), preenchimento de pautas, programa da cadeira, objectivos, bibliografia, integração nos juris de teses, reuniões de departamento ... reuniões para discutir novas normas. Ah, estava a esquecer-me: avaliação do trabalho dos professores feito pelos alunos, pertença a órgãos académicos (conselho científico, conselho pedagógico), etc ...

Cumulativamente com o trabalho de docente há todo um trabalho de investigação, em centros de estudo, com equipas, o que exige não apenas saberes científicos como também de liderança, pedagógicos (para com alunos estagiários), apresentação de candidaturas de projectos para submeter à FCT, defesa desses projectos perante juris internacionais, execução dos projectos quando ganhos, o que implica cionhecimentos de planeamento de tarefas, de calendarização, de avaliação de custos, de escolha de material (computadores, ... programas, livros)de contabilidade (sim, de contabilidade!) de elaboração de relatórios para a FCT, etc...

São assim tão diferentes ambos os cargos?

Vera

am a 6 de Setembro de 2009 às 14:33
Sim, são muito diferentes. Por isso mesmo, uns ganham 2000 €, os outros ganham 4000 €. Se não é para pagar um trabalho diferente, é para o quê?

Rui a 5 de Setembro de 2009 às 17:13
Perder tempo a explicar aos socratiannos o que é educação???Não vale a pena sobretudo de um Ministro que não quis estudar

Vera Santana a 6 de Setembro de 2009 às 11:08
Rui,

Peço desculpas mas a sua frase está muito mal construída.

"de um Ministro que . . .".

O que é que "do Ministro"? A Educação de um Ministro (bom título, à laia de "L´Éducation Sentimentale"...)? A explicação de um Ministro? Quem é o Ministro? Quer explicar ou redigir de novo, por favor?

E/ou não perca tempo a explicar mal por que razões se não deve explicar "aos socratiannos o que é a educação".

Agradeço, ainda assim, a sua dádiva de tempo e de palavras enfileiradas.

Vera Santana

Vera Santana a 6 de Setembro de 2009 às 13:16
ERRATA:

Onde se lê: O que é que "do Ministro"?


Deverá ler-se: O que é que é "do Ministro"?

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