Por Bruno Reis | Quarta-feira, 02 Setembro , 2009, 23:02

 

Uma das imagens de marca do governo Sócrates é o computador Magalhães. Isso fica claro no mostruário do Jamais.

Ele é revelador do fomento duma mudança tecnológica da nossa economia; da aposta na modernização da educação pública; e da prioridade dada à diplomacia económica.

A reacção ao computador Magalhães também foi típica. Como é feito em Portugal, muita gente achou que ficava bem dizer mal. (Como o Jamais e alguns dos comentários de que o artigo foi alvo ilustram bem.)

Aparentemente, diziam os críticos, o Magalhães era "só" montado em Portugal. O Magalhães tinha bugs e tal...Ou seja, era como todos os outros computadores. Alguém teve algum computador das melhores marcas que nunca tenha dado problemas? Alguém ainda acredita que um computador é todo feito no mesmo sítio em vez de ter peças de todo o lado do mundo? Parece que há quem na oposição de direita ainda não tenha ouvido falar de globalização.

Alguém afirma que o Magalhães não funciona, e que os programas com problemas não foram corrigidos a custo das empresas respectivas? (Melhor do que com os meus programas de computador que não funcionam). Este computador pelo menos é montado cá em vez de ser apenas vendido por cá. Sobretudo, está acessível às crianças do ensino público a um preço que só as economias de escala de uma grande encomenda do Estado poderia permitir. Seria acaso melhor fazê-lo a uma empresa estrangeira? 

 

Era preciso um "projecto educativo" para enquadra o Magalhães e são as escolas e não as famílias que precisavam de computadores? Mas o que é isso tem a ver com os alunos terem computadores portáteis (ou seja, que podem ir da escola para casa e vice-versa)? E neste caso as famílias- sempre  tão centrais na educação para a direita - já não servem para nada? É preciso todo um projecto do Estado para as enquadrar? Claro que informatizar as escolas é importante, mas há algum governo que tenha feito mais para informatizar as escolas e o sector público em geral? (Simplex, Empresa na Hora, Casa na Hora?)

 

Mas sobretudo o que incomodou muita gente - e voltou a incomodar o Miguel Noronha do Jamais - foi ver Sócrates a promover o Magalhães na Cimeira Ibero-Americana, e o Presidente Chávez pegar no Magalhães. Ficava mal. Exportar para um candidato a ditador? Ora o Rei de Espanha não promove as empresas espanholas? Não o faz a Rainha de Inglaterra - com o seu selo em tudo desde compotas a cerveja escocesa [ver imagem] - ou o Presidente dos EUA? Isso é parolo? Ou será antes parolo, provinciano e prejudicial para a economia portuguesa ter este tipo de complexo de inferioridade? Será que esses países não exportam para a Líbia ou a Arábia Saudita, essas grandes democracias? A promoção e diversificação das nossas exportaçõs têm de ser uma prioridade estratégica do próximo governo. Foi uma prioridade de Sócrates. Ficámos esclarecidos pelo Jamais que um governo da Direita será demasiado fino para esse tipo de serviço à economia nacional. Promover as exportações não faz milagres? Pois não. Mas não acredito em milagres em política ou economia. Acredito, no entanto, que tentar promover produtos nacionais não é vergonha, é verdadeiro sentido de Estado, daquele que ajuda a criar empregos.

PS Estou de férias, de que fui arrancado para meter este poste e explicar que apesar do dizia o geralmente rigoroso Diário Económico fui eu e não o José Reis Santos que assinou este texto (em versão 0.1.)

Joaquim Amado Lopes a 3 de Setembro de 2009 às 00:16
1. Sócrates afirma que o Magalhães é "o primeiro computador português/ibero-americano" (dependendo de onde o diga) embora não passe de uma versão do ClassMate da Intel;
2. Sócrates afirma que o Magalhães é "um projecto educativo", demonstrando um deslumbramento parolo com as novas tecnologias e uma visão extremamente redutora do que é a Educação;
3. O Magalhães começou a ser distribuído sem qualquer preparação das escolas, professores ou pais e sem que estivesse sequer definido exactamente quem iria pagar as ligações à Internet;
4. O Magalhães é distribuído às famílias (em vez de se equiparem as escolas), com a consequente desigualdade entre os alunos cujas famílias tenham optado por não o comprar, os cujos Magalhães avariem, sejam roubados ou vendidos, ...
5. Ao distribuir Magalhães a todos os alunos do primeiro ciclo, o Governo obriga o Estado a continuar a distribuir computadores iguais todos os anos, com os custos associados;
6. Foi escolhida uma única empresa para fornecer os equipamentos, num favorecimento que distorce gravemente o mercado;
7. Sem medir o ridículo da imagem, José Sócrates afirma que todos os seus assessores usam o Magalhães e mais nenhum outro computador porque não precisam de mais nenhum (dão-se alvíssaras a quem apresentar fotografias de assessores do Primeiro-Ministro a trabalhar com um Magalhães).

Mistificação, deslumbramento com as novas tecnologias, parolice, falta de preparação, prioridades deslocadas, irresponsabilidade, não contabilização dos custos, favorecimento, ridículo.

Tem toda a razão: o Magalhães é A imagem de marca do governo Sócrates.

Porfírio Silva a 3 de Setembro de 2009 às 10:39
Parolice é criticar tudo o que se faz em Portugal, mesmo quando fazemos melhor do que países mais desenvolvidos e lá se reconhece isso. Parolice é querer que só concretizem coisas quando todos os detalhes estejam antecipadamente previstos e resolvidos. Parolice é querer que as pessoas aprendam antes de terem a oportunidade de aprender: o Magalhães só devia existir depois de toda a gente saber como tirar o máximo partido dele. Mas nesse caso já não seria necessário para aprender. Essas teorias da passividade à espera que o céu nos salve: isso é que é parolice. (Uso "parolice" só para aproveitar o seu termo, claro.)

Joaquim Amado Lopes a 3 de Setembro de 2009 às 12:14
Este Governo fez uma série de coisas boas, incluíndo na área das tecnologias. Muito menos e com muito menos resultados do que tenta fazer crer mas, mesmo assim, fez alguma coisa boa. O Magalhães não é uma delas em nenhum aspecto. Assim como não foi (de outro Governo em que José Sócrates esteve) o MegaMail.
Estes são 2 exemplos claríssimos de parolice e deslumbramento com a tecnologia.

Ou contesta de forma sustentada cada uma (ou alguma) das coisas que escrevi ou não passa de um parolo a defender outro parolo. Como aqueles que dizem que José Sócrates venceu o debate de ontem por KO.
(só para esclarecer, a minha opinião é que, no máximo - a favor de Sócrates -, o debate acabou com um empate)

assis a 3 de Setembro de 2009 às 13:22
diga-nos lá então, joaquim amado lopes , o que fizeram de bem os governos psd pp ? criticar é fácil e como vamos vendo a retórica laranja esgota-se aí. mas, pergunto, quais são os méritos da governação passada cujos intervenientes querem voltar? vá, força aí...

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