Por João Galamba | Quarta-feira, 02 Setembro , 2009, 00:32

"Portugal só sairá da crise através das exportações — e as exportações não dependem de nós; dependem da Alemanha, da França,..."

 

Pedro Guerreiro, Director do Jornal de Negócios

 

Para uma pequena economia aberta como a nossa as exportações são fundamentais. Isto é, digamos, um truísmo com o qual todos os partidos, exceptuando talvez o PCP, concordam.  Posto isto, é óbvio que só exportamos se outros comprarem. Mas também me parece óbvio que só exportamos se formos capazes de produzir bens transacionáveis que interessem aos outros. Simplificando, este "interessar aos outros" pode ser entendido de dois modos distintos:

 

1) Se é certo que o crescimento "lá de fora" ajuda às exportações, é ainda mais certo que Portugal tem muito a ganhar se produzir melhor, isto é, o mix das exportações for diferente daquele que historicamente tem caracterizado a economia portuguesa.

 

2) Mais do que pensar no mix, importa  concentrar esforços nos custos. Esta ideia tem como pressuposto duas coisas: a) há-de haver uma retoma da procura "lá de fora"; b) a procura pelos nossos produtos será tanto mais elevada quanto mais baratos produzirmos

 

Em relação à estratégia dos dois principais partidos, o PSD aposta no choque fiscal e quer pôr-nos a competir em preço (com Chinas e Indias a jogar o mesmo jogo, não me parece que seja uma estratégia de sucesso, mas enfim).; ao invés, o PS aposta sobretudo na requalificação  — qualitativa — da economia portuguesa. Ou seja, PS e PSD têm interpretações radicalmente diferentes sobre o significado concreto do chavão "temos de aumentar a competitividade da economia portuguesa. O PSD acha que aumentar a competitividade do país passa, sobretudo, por uma redução (indiferenciada) dos custos das empresas, isto é, independentemente daquilo que é produzido, o importante é produzir barato. O PS acha que para produzir melhor é necessário produzir diferente. Eu, que sou um optimista, prefiro a estratégia do PS.


Hugo Mendes a 2 de Setembro de 2009 às 01:20
Vale a pena sobre isto lembrar o que escreveu o (insuspeito) Daniel Bessa no passado dia 8 de Agosto no "Expresso":

«Sou dos que defendem que, neste século, a economia portuguesa cresceu bem. Cresceu pouco, desesperadamente pouco, mas bem: orientada para o mercado externo, com crescente intensidade tecnológica, suportada por trabalho qualificado, conhecimento e inovação.

As empresas de que nos chegam as boas notícias são na sua maior parte deste tipo. A balança tecnológica (uma balança de importações e exportações de serviços, em que se incluem direitos de aquisição e utilização de patentes e marcas, serviços de investigação e desenvolvimento, serviços de assistência técnica e outros de natureza técnica) tornou-se positiva. Algumas empresas a que ainda chamamos industriais, das mais bem sucedidas, são hoje empresas de engenharia e de desenvolvimento de novos produtos.

Há, é claro, um lastro de empresas mais tradicionais, algumas delas grandes, em grande dificuldade, e que reclamam protecção. Cada uma destas empresas que caia pode valer, momentaneamente, muito mais do que várias das acima referidas. Por isso estamos em tanta dificuldade, e crescemos tão pouco (...)»

http://aeiou.expresso.pt/cuidar-dos-vivos=f528556

JPP a 2 de Setembro de 2009 às 01:32
O PSD não quer que Portugal compita com a Índia e a China. O que o PSD quer é um fiscal framework que promova o investimento estrangeiro de qualidade que permite tranformar Portugal num país mais exportador. Um sistema fiscal que promova o investimento em R&D através de medidas efectivas. Um framework que permita uma redução da burocracia e da regulação bem como um aumento da celeridade da máquina judicial. Já o PS parece querer apostar em mais estado e em menos sector privado. E não nos esqueçamos que o motor da inovação é o sector privado.

Zé dos Montes a 2 de Setembro de 2009 às 02:06
Neste últimos 4 anos no governo, quais as medidas que o PS implementou para que o “…o mix das exportações (for) seja diferente daquele que historicamente tem caracterizado a economia portuguesa…”

A competição pelo preço, através de uma politica de baixos salários foi promovida pelo ex-ministro da economia Manuel Pinho (e não pelo PSD) para tentar captar investimento chinês "...O ministro, que acompanha o primeiro-ministro na visita à China, apelou ao investimento chinês em Portugal argumentando que os custos salariais são inferiores à média da União Europeia (UE) e têm uma menor pressão de aumento do que nos países do alargamento..." Publico 31.01.2007 http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1284175

Mário Cruz a 2 de Setembro de 2009 às 02:13
Bom, depois de MFL andar há mais de um ano a falar na importância das exportações e das pequenas e médias empresas o sr. Sócrates começa a entender. Como economista, fico feliz em ver os progressos.

Quanto à requalificação, voltamos a ser líricos João, é uma tarefa gigantesca, em que todos nos devemos envolver, mas levará décadas. Queremos exportações já e requalificação ASAP (tão rápido quanto humanamente possível).

Joaquim Amado Lopes a 2 de Setembro de 2009 às 09:52
A diferença entre PSD e PS não é o PSD querer Portugal a produzir barato e o PS querer Portugal a produzir qualidade.
A diferença entre PSD e PS é o PSD querer que sejam os empresários a decidir o que produzir e o PS quer que seja o Governo a decidir o que os empresários devem produzir.

Veja-se a forma como o Estado tem sido gerido (qualidade dos serviços, desperdício, amiguismo, ...) e alguém acredita realmente que a Economia vai funcionar melhor se as decisões sobre o que produzir, por quem, como e onde forem tomadas em gabinetes ministeriais, sem escrutínio público e tendo em consideração apenas o que o Governo achar que deve ter em consideração?

Assim de repente, vêem-me duas palavras à cabeça: Magalhães e Liscont.
Sem muito esforço, devemo-nos conseguir lembrar de mais algumas.

João Paulo Pedrosa a 2 de Setembro de 2009 às 11:59
no que toca ao Glorioso não é apenas optimismo é já uma realidade muita concreta, aí a retoma é muito acentuada

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