Por João Paulo Pedrosa | Terça-feira, 01 Setembro , 2009, 12:40

 

 

Os modelos tradicionais de campanha eleitoral e o modo como funcionam os partidos políticos estão totalmente datados. Todavia, uma coisa é a emergência de novas formas de fazer política, outra coisa é a total incapacidade de lidar com as actuais.

Com efeito, MFL declarou hoje que não vai fazer comícios, vai fazer sessões de esclarecimento, como se nuns estivesse o pecado e noutras a virtude. Ora, justamente, todos sabemos que comícios, arruadas programadas, visitas institucionais, palestras temáticas e sessões de esclarecimento são tudo a mesma coisa, ou seja, iniciativas públicas preparadas e programadas para servirem de base à transmissão de determinadas mensagens políticas.

 

Portanto, em bom rigor, MFL não faz comícios porque o modelo da iniciativa lhe é adverso e a sua prestação seria um desastre comunicacional total. MFL não tem nenhuma das características políticas dos líderes partidários, não é boa oradora (expressa-se mal, nas palavras de Pacheco Pereira) e tem grande repulsa em contactar com as pessoas. O seu modelo de comunicação política é, pois, o da antiga Telescola.

 

É que, de facto, a exigência de um comício não é compaginável com uma sala programada de fiéis ouvintes, onde se lê um texto e se expressa uma determinada mensagem política com o fim exclusivo de servir os 5 mn do telejornal da noite. Paulo Portas e, em parte, Louçã têm sido eficazes nesse modelo e Ferreira Leite quer, agora, seguir-lhes o rasto.

 

Portanto, só o PS e o PCP arriscam (e vão continuar a arriscar) nesta forma de comunicação política, mais improvisada, mais solta, mais emotiva e também mais sujeita à análise dos órgãos de comunicação social e ao livre escrutínio do público, mas como não é previsível podermos contar com a mediação da comunicação social, num tempo em que todos os partidos e todas as mensagens têm o mesmo valor no espaço comunicacional, o modelo dos directos tem, em consequência, muito maior alcance e eficácia eleitoral. Quando uma estação de televisão dá a mesma importância e o mesmo espaço noticioso quer a uma visita de Paulo Portas a uma feira, quer à mobilização de 10 mil pessoas para um comício do PCP no Pavilhão do Atlântico, por exemplo, a política está mesmo reduzida à Telescola. Convém não facilitar…


Fábio C. a 1 de Setembro de 2009 às 13:18
A forma de fazer campanha não será, em si, relevante, o que é realmente importante são os resultados. Para os eleitores importa que haja esclarecimentos e estes são tão escassos em comícios como nas outras formas de fazer campanha.
No entendo corroboro as afirmações em tornos das virtudes da proximidade dos políticos com os cidadãos, esta deveria ser uma constante ao longo dos diferentes ciclos políticos, mas “mal a mal” que aconteça durante as campanhas. Aqui a importância prende-se com o ouvir os cidadãos, algo que os políticos e os partidos tendem a não fazer.
A postura de MFL não é um erro, é apenas a sua postura. Cabe ao eleitor julgar esta forma de fazer campanha. Na minha opinião esta distância às pessoas é negativa porque são estes os momentos de “revisão” do contrato social e é aqui que os elegíveis se mostram capazes de representar os eleitores. O tempo em Televisão é limitado e quanto a isso não há nada a fazer, mais uma vez, quem chegar às pessoas consegue tempos de antena de várias horas, quem não chega fica com os 5 min das estações de televisão.

Vera Santana a 1 de Setembro de 2009 às 14:30
Mas a Manuela também não bloga! Será que twitta? Talvez começe a escrever postais ilustrados, um para cada cidadão.

Inspirar-se-á no estilo dos postais de 1950?


" Querida Tia A.,

Chegamos ontem à quinta, aqui na beira, depois de 6 horas de caminho pela estrada cheia de curvas que a Tia tão bem conhece. O Jacinto continua a ser um bom chauffeur, pelo que não tivemos quaisquer problemas pelo caminho. Parámos no restaurante do costume para almoçar, enquanto o Jacinto ficou a limpar o carro e a petiscar umas coisas que se chamam torresmos, com pão e cheios de sal.
Quando chegamos tivemos várias surpresas agradáveis (desconfio que a Mamã telegrafou para mandar preparar tudo). A Miquelina e a Salette tinham arranjado o jardim das rosas que estava lindo de morrer. O Sebastião recebeu-nos com o seu habitual ar eficiente e tranquilo. A Júlia fez os nossos pratos favoritos - hors-d´oeuvres, canja, coq-au-vin, cabrito, leite-creme - e a irmã, a Rosalinda, com 13 anos, já sabe servir à mesa. Os nossos criados continuam a ser os melhores criados do mundo.

Amanhã vamos almoçar à quinta do Almocreve com os R.
Depois de amanhã chega o Sr. Januário com tecidos para a Mamã escolher para o meu enxoval que vai ser bordado aqui em casa. A Mamã vai mandar vir da vila a bordadeira, a menina Rosa. Espero que o Sr. Januário traga também mousselines para fazermos vestidos para as festas de Agosto.

Envio um beijo para a minha querida Tia A. e um para o Tio M.,

Os Papás também enviam muitos beijinhos,

Muitas saudades da sua sobrinha,

M.

P.S. vou pedir à Mamã que mande os jornaleiros plantar umas ervilhas-de-cheiro no caminho que vai da casa dos caseiros para a eira; quando as Primas chegarem já vão estar espigadas."

Carlos Dias Ferreira a 1 de Setembro de 2009 às 15:15
Caro João Paulo:

Realmente o PS e os "iluminados" socialistas devem ter muito a ver com o estilo que A ou B queiram fazer a campanha, é no minimo hilariante esta preocupação do partido sócrates com o que os outros vão ou não fazer só revela a falta de senso ou talvez não pois a diferença entre esta posição e uma policia de costumes é nenhuma.
Com que direito é que um partido se imiscui na maneira como outro irá fazer campanha?
Portugal é um país com 800 anos de história não se tornou independente em 20 de Fevereiro de 2005 como alguns "iluminados" pensam.
Quando oiço o sr Pinto de Sousa falar em, salazarentos, entendo agora que pelos vistos deve estar a falar para dentro do próprio partido, tendo em atenção que poucas diferenças existem entre o regime socrático e o estado novo.Triste país que vos tem que aturar desde 2005.

Zé dos Montes a 1 de Setembro de 2009 às 19:19
E?!
A finalidade é passar a informação!
Nem todos têm a possibilidade de contratar os responsáveis pela campanha de Obama e fazer grandes apresentações cénicas.

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