Por Ana Paula Fitas | Sexta-feira, 31 Julho , 2009, 21:45

Está aberta a guerra de nervos!... Enquanto Cavaco Silva aproveita o previsível veto do Tribunal Constitucional ao Estatuto dos Açores para ultrapassar o caso BPN que envolve dois dos homens fortes do Governo que liderou e, apesar de Alberto João Jardim ter defendido a extinção deste mesmo Tribunal, assistimos a um facto evidente: o PSD tenta branquear as dificuldades em que, sucessivamente, os líderes sociais-democratas o têm vindo a colocar... hoje, foi a vez da Madeira demonstrar a sua utilidade para a campanha... a recepção aos reis de Espanha, tendo como anfitrião o homem que provoca diariamente a democracia foi uma das oportunidades que PSD e comunicação social não deixaram escapar para, em nome da informação, trazer em prime-time, um fait-divers maquilhado pelas declarações de Juan Carlos e Cavaco Silva a  propósito dos injustificados atentados de Burgos e Maiorca... outro episódio, desta feita mais caricato, decorre do equívoco resultante de uma conversa privada em que se pretende indagar da disponibilidade de uma pessoa para integrar uma lista de deputados (coisa normal em tempo de preparação de listas eleitorais) e a sua interpretação como convite formal. De facto, entre o calculismo da circulação desta informação que adquiriu visibilidade no envolvimento do líder do BE e até já na evocação do próprio Mário Soares por parte de Joana Amaral Dias e, por outro lado, o desfecho a que este incidente conduziu, ficam ilacções sérias sobre a credibilidade dos intervenientes políticos e a eventual adequação dos seus perfis à seriedade com que seria desejável que fosse encarada a actividade política... é, seguramente, também por este tipo de comportamentos, provocatórios, equívocos e calculistas, a que, da direita à esquerda,  se vai recorrendo, que a abstenção ganha adeptos  e as práticas e valores políticos se vulgarizam, banalizam e perdem credibilidade. Urge por isso que o Partido Socialista se mantenha distanciado destas estratégias de bastidores... porque, apesar de todos os cenários catastrofistas que a comunicação social vai reforçando, não é evidente que os cidadãos prefiram uma governação à direita ou, sequer, uma governação minoritária. Resistir e recuperar, com a convicção de que tudo está em aberto, é um ponto de partida relativamente ao qual não pode ser ignorada ou minimizada a vantagem da obra feita e a demonstração de que a continuidade da acção política em exercício, devidamente corrigida, é a única forma de garantir uma governabilidade indispensável ao país... uma governabilidade sustentada por uma planificação económico-financeira viável, objectiva, não-demagógica e capaz de não agravar o fosso das desigualdades ou de agravar a pobreza. José Sócrates foi reconhecido pela sociedade portuguesa pela determinação (várias vezes apelidada como coragem), das suas medidas políticas... essa é, também, uma mais-valia para a credibilidade do seu programa político para as próximas eleições legislativas.   


Por Miguel Vale de Almeida | Sexta-feira, 31 Julho , 2009, 18:41

É conhecida a minha posição. Ao participar de um órgão académico que teve de implementar a Reforma de Bolonha, fi-lo a princípio com espírito positivo, pois via nos princípios enunciados algum potencial interessante. Aos poucos fui percebendo que Bolonha corresponde, de facto, a um processo europeu e internacional de mercantilização do ensino superior. Critiquei vigorosamente essa política e continuo a achá-la desastrosa para o futuro do ensino superior público. Mas as coisas pioraram mais ainda com o Regime Jurídico do Ensino Superior que, entre outras coisas, pôs em causa a gestão democrática das faculdades, nomeadamente trazendo para o seu interior interesses empresariais sob a capa de "sociedade civil". Ambos os processos - Bolonha e o RJIES - estão concluídos. Portugal e o seu governo não resistiram a esta vaga. Que fazer, agora? Creio que na próxima legislatura há que promover balanços críticos da aplicação de ambos. Já que se instalou a audit culture, que ela seja aplicada também a Bolonha e RJIES; desde que na avaliação participem entidades independentes e representantes de professores e alunos. Nada é definitivo - e no futuro próximo há que analisar o que está feito e combatê-lo se se confirmar o processo de mercantilização e a perda de democracia. Com respostas alternativas, porque tão-pouco interessa regressar aos aspectos negativos do corporativismo e do imobilismo de muitas faculdades portuguesas (mudar e modernizar pode ser feito de maneiras diferentes...). Já no que à Ciência diz respeito, não teci o mesmo tipo de críticas. Acho mesmo que - e apesar de burocratização e, uma vez mais, excesso de audit culture - a investigação científica deu um salto em Portugal. Vão ser anos de vigilância. Se sapos há e se eles são "engolíveis", dois dos que mais me afectam ao ser candidato independente pelo PS, são justamente a atitude do PS face ao casamento entre pessoas do mesmo sexo antes de Fevereiro deste ano e a implementação do RJIES. Serão, por isso, dois assuntos (sem desprimor por outros) que tenho a responsabilidade de vigiar de perto. [Uma coisa positiva e a prestar atenção e que está no programa do PS: «O Governo do PS garantirá o efectivo cumprimento da Lei na limitação das propinas de mestrado, à luz da generalização progressiva do grau de mestre para ingresso ou progressão em certas profissões, e harmonizará as propinas de doutoramento com os valores efectivamente pagos pela Fundação de Ciência e Tecnologia, em articulação com as instituições de ensino superior. Não será alterada a fixação dos valores das propinas de licenciatura, que não sofrerão quaisquer aumentos, em termos reais»]


Por O Jumento | Sexta-feira, 31 Julho , 2009, 18:30

 

É difícil dizer não a este pedido de ajuda da Dra. Manuela Ferreira Leite.


Por Rogério Costa Pereira | Sexta-feira, 31 Julho , 2009, 17:48

Já por várias vezes aludi ao facto de o actual Governo não ter andado bem quando decidiu reduzir as férias judiciais de dois meses para um mês. Férias judicias não são o mesmo que férias dos magistrados e oficiais de justiça. Nas férias judiciais, os prazos estão parados e as diligências não se realizam – ainda assim, apenas no concerne aos processos não urgentes. Sendo certo que, na versão anterior à redução, era também no período de férias judiciais que os magistrados e oficiais de justiça tiravam as respectivas férias (como é óbvio, os períodos não se equivaliam).

Acresce que, em qualquer serviço público os funcionários têm um período bastante alargado, e de todas as formas superior a dois meses, dentro do qual podem escolher o período de férias de 22 dias úteis a que têm direito. Nesses serviços, não se verifica a necessidade de todos os funcionários estarem ao serviço na mesma altura. Ao contrário, no caso dos tribunais, para que determinada juízo/secção possa funcionar sem engulhos, com a total disponibilidade para o serviço, em pleno, exige-se a presença simultânea de magistrados e oficiais de justiça.

A implementação da medida de um mês de férias judiciais resultou contraproducente, ou seja, como é impossível toda a gente tirar férias ao mesmo tempo, e em Agosto, o que redundaria numa diminuição de garantias dos funcionários judiciais em relação aos demais funcionários públicos e obrigaria mesmo a que os tribunais tivessem que fechar portas, os funcionários públicos judiciais começam agora a tirar férias em Julho e avançam por Setembro adentro (fora do período de férias judiciais, portanto).

A questão dos dois meses de férias judiciais não apareceu do nada. Um dos motivos tinha exactamente a ver com a coordenação das férias dos diversos operadores judiciais públicos; a outro razão, para mim a de maior relevo, tem a ver os tempos próprios da justiça (os aceitáveis, que a abusos me referirei noutra altura). Neste período, os magistrados, não deixando de tirar as férias a que efectivamente têm direito, aproveitavam para deitar mão aos processos mais complexos, pelo que não era à toa que na reabertura começavam a chover sentenças, sucesso de que não voltei a ver sinal - isto para além do aparecimento uma espécie de greve de zelo silenciosa da parte dos magistrados e dos oficiais de justiça que se estende pelo ano todo, honrosas e muitas excepções à parte (mas não deve ser esta a preocupação do Governo, que o meu ponto é outro).

Há pois que reflectir e atacar os verdadeiros problemas da Justiça que não passam, isso é certo, pelos dois meses de férias judiciais em que, de resto e verdadeiramente, a disponibilidade judicial, e esta é a pedra de toque, nunca se reduz(ia) a zero.

Atendendo à experiência destes quatro anos e às opiniões que tenho recolhido, penso que o ideal estaria algures no meio entre o que foi e o que é, ou seja, as férias judiciais deveriam iniciar-se a 15 de Julho e terminar a 31 de Agosto. Nunca seria uma concessão ao laxismo, desde que existissem meios de verificação da efectiva produtividade e assiduidade dos operadores judiciais públicos durante o período de férias judiciais em que não se encontram de férias. Com isto quero significar que não ignoro que existiam abusos, mas também que existem formas fáceis de os evitar, sem ter que recorrer à medida de redução das férias judiciais para um mês. De resto, estes abusos, que eram uma realidade demasiado evidente, e que todos os Governos vinham ignorando olimpicamente, diminuiram drasticamente com a redução, no que foi o único ponto positivo da mesma. Por outro lado, o estabelecimento das férias judiciais em 45 dias garantiria aos magistrados um período de pelo menos duas semanas de trabalho de bastidores, para colocar a casa em ordem, aproveitando para despachar.

Para não ser acusado de esquecimento em causa própria, não me referirei, neste post, aos advogados, sendo certo que tenho como assente que são estes que mais se ressentem com a redução das férias judiciais. Fica a promessa de voltar ao tema.


Por Hugo Mendes | Sexta-feira, 31 Julho , 2009, 17:18

No "Diário de Notícias" de hoje, o deputado do PSD Miguel Frasquilho diz que "em Portugal é-se considerado rico do ponto de vista fiscal com rendimentos relativamente baixos". Ou seja, uma família com cinco mil euros de rendimento mensal bruto fica rapidamente no último escalão do IRS, de 42%, o que, diz, "é muito elevado para os padrões europeus".

 

Depreendem-se duas coisas muito interessantes destas palavras :

 

1) que o deputado do PSD compara os rendimentos dos mais ricos cidadãos portugueses com a Europa e não com a população portuguesa. Aos mais ricos cidadãos portugueses não parece interessar muito que ganhem 10, 20, 30 vezes mais do que o meio milhão de portugueses que aufere o salário mínimo, mas que ganham menos que os mais ricos cidadãos franceses, ingleses, ou alemães. Portugal, como ponto de comparação, é para esquecer. Maldito país.

 

2) que Miguel Frasquilho não deve ter uma ideia muito clara da distribuição de rendimentos na sociedade portuguesa. Quem o lê, parece que há em Portugal assim uns milhões valentes de famílias a ganhar 5000 euros por mês.

 

Assim, atentemos nos rendimentos implícitos às declarações de rendimentos (brutos) em sede de IRS do ano de 2006 (clicar para aumentar).

 

 

 

 

Um agregado que ganhe cerca de 5000 euros por mês está no escalão  "50.000 a 100.000 euros/ano". São 4,4% das famílias. É com estas famílias - e talvez com o 1% de agregados que auferem valores superiores - que Miguel Frasquilho (e o PSD) parece(m) estar preocupado. É legítimo. Mas não é, decididamente, a "classe média".

 

Tenho a impressão que muita gente com responsabilidades políticas na direita não faz grande ideia de quanto ganha a maioria das famílias portuguesas.  

 


Por Hugo Mendes | Sexta-feira, 31 Julho , 2009, 16:24

Acerca da tão incompreendida "medida dos 200 euros" - podíamos começar a pensar em termos de conta poupança futuro? -, vale a pena ler o texto de Martim Avillez Figueiredo de ontem no "i".


Por João Galamba | Sexta-feira, 31 Julho , 2009, 16:01

"Há medidas que o PS contribuiu para implementar, além das "bondosas" medidas que o João Galamba enuncia aqui, que também têm influências positivas na natalidade em Portugal: a diminuição das reformas e a recessão. A primeira implica um retorno aquela ideia de que os filhos serão o nosso sustento na velhice e a segunda, ao tornar-nos a todos mais pobres, reduz precisamente o sacrifício relativo que ter um filho acarreta"

 

Tomás Belchior, Rua Direita

 

É salutar que o Tomás reconheça que o PS tomou medidas "bondosas" na área da natalidade. Mas, e apesar dos elogios, o Tomás não se dá por satisfeito, e critica o PS pela redução das pensões e pela recessão e, acrescento eu, tudo o que de negativo existe em Portugal. E assim se entra no campo da demagogia pura. Importa recordar que a diminuição das reformas a que o Tomás se refere está associada à reforma da segurança social, que procurou garantir a sustentabilidade do sistema. Que a medida tenha sido amplamente elogiada - em Portugal e no exterior - parece ser irrelevante. Se a crítica do Tomás fosse para levar a sério, ficariamos a saber que o CDS e o PCP partilham a mesma luta - e que se dane a sustentabilidade a médio longo prazo da segurança social. Já em relação à recessão, nem sei bem o que lhe diga. Segundo o Tomás, a recessão foi produzida pelo PS e por Sócrates - aqui e no mundo todo, claro. Houvesse recessão em Marte e a culpa também seria do PS. Já agora, e para terminar, deixo aqui uma perguntinha ao Tomás Belchior: aceitando a premissa que o CDS é o campeão das medidas pró-natalidade, como é que isso joga com o seu discurso anti-emigração?


Por Diogo Moreira | Sexta-feira, 31 Julho , 2009, 15:55

Realmente ter um programa eleitoral publicitado e que seja alvo de discussão pública é um peso grande. Na sua centena de páginas estão de certeza coisas com as quais não concordamos, assim como medidas que nem sequer percebemos (os célebres 200€, por exemplo). E de resto, faltará sempre algo que achamos que deveria estar lá, ou caminhos em que se poderia ter ido mais longe, como a explicação de como é que esperamos financiar estas medidas e quais as formas de efectuar a racionalização do Estado (algo que todos os quadrantes da politica portuguesa, sem excepção, parecem não querer discutir).

 

Não é um programa eleitoral perfeito, convenhamos.

 

Assim já consigo perceber o porquê do PSD remeter o seu programa só para Setembro. Quanto menos tempo tiverem que carregar o peso, melhor para eles. Claro que é pior para o esclarecimento dos eleitores, mas isso é outra história. 

 

Dito isto, o grande peso da versão digital do programa do PS (50 Megas) é realmente problemático. Nos tempos que correm, ter um ficheiro digital que é tão pesado que não se consegue enviar por email, é realmente um “monstro”.

 

Não se consegue arranjar uma versão menos pesada em termos de bytes? Quem está a tentar a sua divulgação e discussão agradecia.

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Por Luis Novaes Tito | Sexta-feira, 31 Julho , 2009, 15:34

Joaninhas USB


Por João Paulo Pedrosa | Sexta-feira, 31 Julho , 2009, 15:33

Sem expectativas concretas sobre a adesão dos nossos leitores, sugeri aqui que me fornecessem contributos sobre a utilidade do voto no BE. As respostas são interessantes e merecem atenção.

Assim, agrupando o conjunto de comentários posso sintetizar, até ao momento, duas ordens de razões:
1ª – PS é igual ao PSD;
2ª – Valorização da acção tribunícia do BE como partido de protesto em detrimento da afirmação de políticas públicas concretas;
Centremo-nos agora apenas na  primeira.
A primeira prende-se com uma certa indiferença e despreocupação que é manifestada perante os resultados que vierem a ser obtidos quer pelo PS quer pelo PSD, ou seja, a ideia que, quer ganhe um quer ganhe o outro, as políticas serão exactamente as mesmas.
 
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Por Hugo Costa | Sexta-feira, 31 Julho , 2009, 12:33

Partindo do mote do João Paulo Pedrosa.

 

Apresento de seguida as 7 razões pelas quais acredito que votar BE é meio voto no PSD:

 

1 – O BE é um partido de contra poder que está contra qualquer solução governativa. É um partido que apenas se interessa pelos seus votos e no ataque ao PS.
2 – O BE é um partido que mais que qualquer outro vive da sua liderança. Nas próprias Eleições Europeias foi necessário ao lado de Miguel Portas estar a foto de Louça.
3 – O BE é um partido que não se renova. Francisco Louça é o líder mais antigo à frente de um partido em Portugal. A renovação é só no discurso.
4 – O BE é o típico partido populista que promete tudo e não se compromete com nada. Diz o que o povo quer ouvir apenas para agradar.
5 – O BE é um partido que vive na intolerância da superioridade intelectual. Viu-se isto no caso Joana Amaral Dias, onde ao bom estilo “trotskista” o BE pensa ser dono das pessoas.
6 – O BE tem uma total incapacidade em concretizar soluções governativas como se viu no caso de Lisboa, onde se desfez uma coligação por interesses eleitoralistas nacionais.
7 – O BE é a muleta da direita portuguesa. Quando é para atacar o governo do PS, não olha a meios.
Por tudo isto: Votar no BE é meio voto no PSD.
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Por Eduardo Pitta | Sexta-feira, 31 Julho , 2009, 11:18

O comportamento do PSD relativamente ao Estatuto Político-Administrativo dos Açores é do domínio da esquizofrenia. Nas três votações a que o diploma foi sujeito, o PSD aprovou-o sem reticências por duas vezes. À terceira, após remoque do Presidente da República, que em comentário informal aos media acusou o partido de dizer em privado uma coisa e fazer outra no Parlamento, a direcção de Manuela Ferreira Leite absteve-se, o que não impediu a terceira aprovação consecutiva do Estatuto: duas por unanimidade, a última por maioria. Contrariado, Cavaco Silva promulgou-o em Dezembro de 2008. Entretanto, Nascimento Rodrigues, o anterior Provedor de Justiça, e um grupo de deputados do PSD, pediu ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva. Ontem, os juízes do TC declararam inconstitucionais nove artigos do diploma: 4º / 7º / 47º / 67º / 101º / 114º / 119º / 130º e 140º. Mas só o 114º, que impunha a audição prévia dos órgãos da Região Autónoma pelo PR, foi vetado por unanimidade. Nos restantes os juízes dividiram-se.

 

Convém lembrar que, relativamente as artigos 114º e 140º, constitucionalistas próximos do Partido Socialista, como Jorge Miranda e Vital Moreira, desde o início deram razão ao Chefe de Estado, estranhado que Cavaco Silva, em vez de forçar uma segunda e uma terceira votação, não tivesse enviado logo (em Abril de 2008) o diploma para o TC. Um mistério que persiste, sublinhado por comentadores de todas as áreas políticas.

 

O assunto ficou arrumado. Mas ouvir Paulo Rangel dizer (e Marques Guedes fazer coro com ele) que a decisão do TC é uma derrota do primeiro-ministro e uma vitória do PSD... raia o absurdo.

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Por GWOM | Sexta-feira, 31 Julho , 2009, 07:50

Por forma a conseguirmos discutir abertamente as medidas fiscais constantes do Programa de Governo do PS, aqui vai um levantamento exaustivo das mesmas. Dedicarei alguns posts a falar um pouco sobre as mesmas medidas.

 

A) Enquadramento geral das medidas fiscais

 

1. É assim decisiva para a nossa estratégia de crescimento da economia portuguesa a existência de finanças públicas sãs, assentes em reformas estruturais que asseguram o controlo e redução do peso da despesa pública, rejeitando o agravamento de impostos. Finanças públicas sãs que asseguram, também, de forma duradoura e socialmente justa a viabilidade financeira dos diversos serviços públicos e dos sistemas de saúde e protecção social. Finanças públicas de qualidade, com a despesa orientada de forma eficiente para as prioridades da política económica e social e com um sistema fiscal que incentive o trabalho e o investimento, que promova a equidade, combata a fraude e a evasão e promova a sustentabilidade ambiental.

 

2. No âmbito da fiscalidade, os objectivos centrais a prosseguir serão os da eficiência, simplicidade e equidade do sistema fiscal, de forma a permitir ao Estado a obtenção das receitas adequadas e suficientes para a implementação das políticas públicas.

 


Por João Paulo Pedrosa | Sexta-feira, 31 Julho , 2009, 01:33

No Barómetro Sic/Expresso/Eurosondagem que dá a vitória ao PS, Francisco Louçã é o líder da oposição com melhor registo de opiniões favoráveis.

Na Marinha Grande, terra de ancestrais tradições operárias, o BE supera já em eleições (nalgumas freguesias) o próprio PCP. Para quem acompanha de perto a acção do PCP, concorde-se ou não com as suas causas (e eu quase nunca concordo), a verdade é que o PCP tem rostos concretos na acção política local, defende ideias políticas e assume causas públicas que procuram ir ao encontro dos interesses dos cidadãos.

O BE e Francisco Louçã são, para a Marinha Grande ou para qualquer localidade deste país, dois minutos, todos os dias, nos telejornais. Não têm rostos, nem propostas na acção política no país e quanto às causas, exceptuando a defesa de polícias sem pistola, produtos agricolas sem adubo e drogas que não agarram, tudo o resto é uma miserável exploração da inveja social e populismo. 

A manter-se este resultado, a votação no BE impossibilita a maioria do PS e  torna o país ingovernável e à beira do abismo. Desde a criação do regime democrático em 1974, nunca estivemos numa encruzilhada tão grande. É por isso que pergunto:  

Quais as razões para uma escolha política que passe pelo BE e Francisco Louçã?

Agradeço os contributos.

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Por Ana Paula Fitas | Quinta-feira, 30 Julho , 2009, 23:04

Temos ouvido falar pouco da Banda Larga da Esquerda. É pena!... A Banda Larga da Esquerda é essencial para a dinâmica de vitória destas eleições. Se a Convergência de Esquerda é um reforço da esperança para Lisboa, a Banda Larga da Esquerda é importante para que se não perca a mensagem, o desafio e o objectivo político de todos os que não duvidam do prejuízo nacional que resultaria de uma governação de direita... os sinais são mais assustadores e sintomáticos do que provavelmente gostariamos mas, de facto, não é preciso esforço algum para perceber quais as bandeiras da direita e desmistificá-las reduzindo-as à sua natureza demagógica, populista e manipuladora... sob o lema "uma política de verdade", Manuela Ferreira Leite assumiu já que, nem investimento público, nem políticas sociais integrarão o seu eixo de prioridades de acção, deixando claro que perspectiva a proporcionalidade da carga fiscal em função dos rendimentos, designadamente no que se refere aos que se situam muito acima da média, como algo que só se justificaria "se os ricos andassem p'raí a dizer que não sabem o que hão-de fazer ao dinheiro" -expressão de "redutio ad absurdum" do senso comum que se constitui como um atentado a uma democrática e eficaz forma de tentar encontrar respostas justas para a crise que o país atravessa... tal como Alberto João Jardim assumiu que, o que à direita interessa na próxima legislatura, é a revisão constitucional para proibir o comunismo e extinguir o Tribunal Constitucional (o qual, contudo, mereceu à direcção do PSD o maior apoio por ter dado razão a Cavaco Silva em casos polémicos que o próprio PSD votou favoravelmente!), secundado por Pacheco Pereira, Rangel e o silêncio dos restantes. Nesta senda da "verdade", a lógica da direita alcançou um momento alto da sua estratégia eleitoral com os mais recentes cartazes negros do CDS-PP em que se mistura o caso BPN com as PME's de forma a provocar básicas reacções de choque e em que, mais grave ainda, se acusam os desempregados e os pobres que carecem do subsídio social de inserção, de não "quererem" trabalhar! A pergunta que se coloca a uma Esquerda credível e responsável é a de saber se prefere ser cúmplice da tomada do poder político pela direita, em nome da conquista de mais um ou outro deputado que não irá alterar a correlação de forças parlamentar ou, se é capaz de se ultrapassar a si própria em nome do interesse nacional. A Esquerda em Banda Larga ou melhor, A Banda Larga da Esquerda deveria equacionar o problema com seriedade... porque ou se está na política com as pessoas, isto é, com os cidadãos... ou se está na política para servir corporativismos que, sendo legítimos, são, neste momento, dispensáveis e inoportunos... A demagogia exacerbada do olhar único, seja ele de que lado fôr, pode ser sedutora mas é, por certo, contraproducente. A  sensatez e o bem-comum sabem isso, por experiência. A  Banda Larga da Esquerda precisa de todos... e o país justifica o esforço. É isso que os cidadãos querem e merecem... 


Por Sofia Loureiro dos Santos | Quinta-feira, 30 Julho , 2009, 22:03

 

A propósito da entrevista dada pelo Presidente do Instituto Português do Sangue, na sequência das notícias veiculadas a 17 de Julho pelos meios de comunicação, acendeu-se de novo a polémica à volta dos critérios de exclusão de dadores de sangue.

 

A transformação deste assunto em problema político, em bandeira de defesa dos direitos dos homossexuais, acusando o Instituto Português de Sangue e o seu responsável de homofobia, exigindo a sua demissão, é uma forma totalmente desfocada de olhar para a realidade.

 

Não se trata de discriminação dos comportamentos ou das escolhas de orientação sexual, trata-se de usar os meios aos dispor da comunidade científica para a redução máxima do risco de um acto médico, que tem sempre riscos, por mínimos que sejam.

 


Por Rui Pedro Nascimento | Quinta-feira, 30 Julho , 2009, 20:24

Segundo o líder do Bloco de Esquerda "há um programa que não está escrito, um programa secreto" do PS para a próxima legislatura.

 

O que dizer de alguém que tem uma afirmação destas? A única razão que consigo encontrar é que o programa é 'suficientemente' de esquerda para que esta seja a primeira razão que Francisco Louçã encontra para atacar o PS quando lhe perguntam a opinião sobre o programa apresentado pelo PS. Depois lá se recompõe e diz que "na política e na economia, não há mudança nenhuma. E se o PS levar avante este programa, isto quer dizer que o país fica na mesma".

 

Mas fica o registo de que a primeira crítica foi "um programa secreto"...


Por Hugo Mendes | Quinta-feira, 30 Julho , 2009, 19:10

Parece que há por aí uma "perseguição social aos ricos". Não vou alongar-me em comentários sobre o que significa esta afirmação num dos países da UE com maiores desigualdades na distribuição de rendimentos.  Recuperando o que escrevi aqui, vale a pena atentar no segundo e terceiro gráficos da figura seguinte (clicar para aumentar), que podem ser encontrados aqui

 

 

Eles mostram que no nosso país de extremos, a média dos rendimentos (em dólares em PPP) dos 10% dos portugueses mais pobres (= 1.º decil) coloca-os entre os eslovacos e os húngaros mais pobres. Porém, os portugueses no decil mais rico não se comparam com os eslovacos ou os húngaros mais abastados: compara-se com os suecos ou os dinamarqueses do topo das respectivas estruturas de rendimentos. 

 

Isto diz-nos alguma coisa - e não é sobre o "mérito" ou o "esforço" dos trabalhadores portugueses, eslovacos, húngaros, suecos ou dinamarqueses, mas sobre como funcionam as instituições que regem a distribuição da riqueza em cada uma das sociedades. E sobre quem mais beneficia delas.

 

 


Por Mariana Vieira da Silva | Quinta-feira, 30 Julho , 2009, 18:47

A intervenção de Manuela Ferreira Leite na conferência  "Transformar Portugal", promovida pelo Diário Económico, foi muito rica em frases para coleccionar. Na minha pasta recortes de imprensa estão arquivadas, para memória futura, duas das frases citadas hoje pelo JN e pelo DE:

"Não creio que o sistema fical possa fazer política nesse sentido [segundo a própria, retirar determinado tipo de benefícios aos mais ricos]"

 

"Não considero aceitável que os políticos falem em privilégios ou criem dicotomias como ricos e probres" 

 

Que uma política [ou, como Cavaco, dirá que não o é?] não considere que a redução das desigualdades é uma das suas tarefas e a redistribuição e o sistema fical uma das suas principais ferramentas já me parece bastante grave; que considere que são os políticos que criam estas dicotomias está um pouco para lá de grave. Shiuuuuuu, não falem sobre pobreza. Vão ver que resolve.  


Por Carlos Manuel Castro | Quinta-feira, 30 Julho , 2009, 18:44

"Defendo o investimento público de proximidade, que gere empregos e riqueza a curto e médio prazo"

 

Bem prega Frei Tomás!

 

Ferreira Leite defende o investimento público, que gere empregos e riqueza no imediato.

 

A líder do PPD pode explicar por que é que o seu partido chumbou, com a sua abstenção na Assembleia Municipal de Lisboa, o empréstimo de 120 milhões de euros para a reabilitação urbana, que, tendo efeitos globais inquestionavelmente positivos, como a recuperação dos edifícios degradados da cidade, criava 5 mil postos de trabalho directos e seria um grande impulso para as pequenas e médias empresas de construção civil, a braços com grandes dificuldades neste momento?


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