Por Rogério Costa Pereira | Domingo, 30 Agosto , 2009, 00:04

 

- Apesar disso, a letra de Sem eira nem beira dirige-lhe bastantes críticas. Nem tudo está bem?
- Claro. São as conjunturas que levaram o País e o mundo a estarem como estão. O engº Sócrates tem uma posição mais futurista com que me identifico. Muito mais do que a da oposição.

[Jornal de Leiria]


BO a 30 de Agosto de 2009 às 00:35
Vai-se a ver e afinal.....

muitos têm de fazer pela vida.


Rogério Costa Pereira a 30 de Agosto de 2009 às 00:47
Claro, BO, o Zé Pedro está-se a fazer ao tacho. Quer ver se o Sócrates o põe a cantar o hino.

(haja pachorra)

Francisco Cavaco a 30 de Agosto de 2009 às 15:11
Sobre a posição do Zé Pedro num comentário mais abaixo dou uma achega para a compreender melhor a posição do músico.
Agora é só para contar uma história " Quando eu era JS fui montar as grades de segurança para um concerto do Rui Veloso que ia cantar numa festa da JS no Rossio em Lisboa, Rui Veloso em inicio de carreira cantava Xico Fininho.Eu mais uns camaradas da JS discutíamos se o músico cobrava cachet ou se era por militância.Quando Rui Veloso chegou eu que sou atrevido perguntei-lhe se o cachet era bom ao que ele respondeu claro se não não punha cá os pés. Depois fiquei a conversa com ele e com o Zé Nabo. Mas a partir daí fiquei esclarecido.Espero que o senhor tb

João Paulo Pedrosa a 30 de Agosto de 2009 às 00:39
já lês o jornal de leiria?

Rogério Costa Pereira a 30 de Agosto de 2009 às 00:45
Leio tudo. Até o Avante. E sei "O Menino Guerreiro de cor"

BO a 30 de Agosto de 2009 às 00:39
Ahhhhhhhhhh....

Agora é que li melhor a cena do planeta, dos lobbies, do futurismo.....

Inspiração não falta ainda.

:-)

Sofia Providência a 30 de Agosto de 2009 às 10:05
Zé Pedro, das duas uma:
Ou se está a fazer ao objecto metálico com tampa que serve para cozedura dos alimentos, vulgo tacho, ou então diz-nos que Sócrates é no sentido literal e histórico “futurista”.
Assim eu explico: No manifesto futurista de 20 de Fevereiro de 1909, Marinetti o seu mentor, proclama o fim das instituições, a vitória da máquina sobre o indivíduo e faz a apologia da guerra. Neste sentido Sócrates poderia ser futurista – quer liquidar tudo o que se construiu neste país, bom ou mau não interessa, o lema é devassar. É um defensor incansável das tecnologias sobrepondo-as ao ser humano. E, sem dúvida, o mal-estar social que tem disseminado tem provocado diversas guerras. Apesar de movimento vanguardista, os futuristas italianos apoiaram e admiraram Mussolini. Daí que Sócrates apoie, por exemplo, Hugo Chávez.
Mais, o movimento futurista está enfermado na história como modernista e formalista, logo passadista nesta era de pós-modernismos...
Assim resta-nos a dúvida. Ou Zé Pedro é deveras oportunista ou um nato conhecedor de movimentos artísticos e literários (do séc. passado, note-se). Eh, eh!


Joaquim Amado Lopes a 30 de Agosto de 2009 às 14:09
São particularmente interessantes os pontos 9 e 10 do Manifesto Futurista:

9. Nós queremos glorificar a guerra - única higiene do mundo - o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos libertários, as belas idéias pelas quais se morre e o desprezo pela mulher.

10. Nós queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academia de toda natureza, e combater o moralismo, o feminismo e toda vileza oportunista e utilitária.

Será a isto que o Zé Pedro se refere?

Sofia Providência a 30 de Agosto de 2009 às 21:15
Caro Joaquim,

Só agora me apercebi de que respondeu ao meu Post. Agradeço o seu trabalho de trazer para aqui uma maior especificação do conteúdo do manifesto.
Reconheço, até, que a minha explicação simplista do que é o “futurismo”, foi propositada. Sinto assim que lhe devo uma clarificação:
Efectivamente, é necessário contextualizar o Futurismo na sua época. Na questão da guerra, o homem ainda não se tinha apercebido do quanto destruidora esta poderia ser, ou havia-o esquecido. Vivia-se o advento de uma nova era de deslumbramento pela máquina, saboreando as vitórias e descobertas da forte industrialização do séc. XIX.
O Manifesto possui algumas argumentações ainda válidas se lido à luz dos nossos dias e com a História presente: a abolição do moralismo, se lhe colocarmos atrás o epíteto de falso, as academias, se estas não promoverem um debate salutar entre a tradição e a inovação, e forem disseminadoras de uma única ideologia, o mesmo para os museus se só permitirem o encapsulamento da arte com etiquetas e a enterrarem num vasto cemitério, como aliás se passa com alguma arte contemporânea que entra nos museus de AC e se transforma em arte oficial, perdendo o carácter contestatário, se de critica às instituições, que pretende assumir e tornando-se num ridículo paradoxo e elogio à estupidez de quem não tem coragem de dizer: “O rei vai nu”. Porque provocadora será sempre a arte em múltiplos ou únicos campos, como o dos sentidos. Concordaremos também com a abolição de “toda a vileza oportunista”, assim como é bom ter uma réstia de romantismo que nos permite ousar pensar: “morrer pelas belas ideias” (apesar do belo ser subjectivo).
Iluminados, porém, pelas lâmpadas economizadoras, mas de preferência pelos raios solares, não podemos concordar com a “higiene” facínora (depuradora da raça ou xenófoba), o militarismo, o patriotismo exacerbado (defendendo, antes, a preservação de culturas autóctones e em simultâneo pensar que somos habitantes do mundo), muito menos o desprezo pela mulher.
Não deixo, no entanto de admirar a primeira vaga futurista de artistas, finda em 1916, como Boccioni, Balla, Carrá ou Severini e compreender o seu papel fundamental no seio do modernismo do séc. XX. Não deixo também de admirar o poeta Marinetti pela sua inteligência e estética e leio-o à luz de uma época, apesar das múltiplas contradições.
A associação do Futurismo a Mussolini é posterior e dá-se no advento da 2ª guerra Mundial. Na época o povo descontente, no meio do caos económico, aceitava qualquer um que lhe acenasse com a ordem e a paz; Mussolini serve-se, por sua vez, desta corrente que apelava ao progresso miraculoso e à chegada veloz ao éden apetecido. O mesmo aconteceu em tantos outros países. Não estiveram o suprematista Malevich e o construtivista Tatline ao serviço de outra ditadura… Apesar de reconhecida a desilusão já no fim da vida. (aliás sempre existiu uma relação simbiótica da arte com a política e o mundo continua)
Como não posso estar aqui indefinidamente a dar palpites ou a dissertar sobre história, só quero deixar bem claro que ser futurista não é o mesmo que ser progressista e ainda menos visionário… (apesar de que os primeiros futuristas foram uma espécie de profetas da guerra de catorze). Ironizei com o modo algo leviano com que se utilizam os termos. Estes podem apelar a referentes antinómicos. Percebeu também que estou longe de simpatizar com o Sr. José Sócrates e longe de mim o comparar a Marinetti. (muito menos àqueles que usaram a escrita futurista como o grande Fernando Pessoa ou o próprio Almada) Percebeu que comparei o Sr. Sócrates a todos os ditadores (talvez até o primeiro da história com falta de inteligência… Porque esta também serve o mal). Sinto-me em guerra também, mas procuro utilizar só a palavra como arma de arremesso e de modo limpo (daí a minha ingenuidade em desmontar o primeiro texto). É preciso conhecer a História, que tanto se despreza actualmente, para que não se voltem a eleger como âncoras de salvação cyborgs em vez de seres humanos, a nortear-nos o destino. Senão deixaremos de ser donos de nós, “porque da nossa casa já são os políticos” (Hannah Arendt – The Human Condition).
Ass: Uma humilde representante do povo português a quem este governo considera estúpido.

25sempre25 a 31 de Agosto de 2009 às 01:27
Fazendo a apologia da guerra e reduzindo a mulher à condição de fêmea procriadora, o futurismo não passa de um bando de tontinhos que se divertiram muito à custa da paciencia de alguns.

Francisco Cavaco a 30 de Agosto de 2009 às 23:39
No sábado teve a por música no Faraó em santa cruz na festa da JS. e recebeu o cachet.

25sempre25 a 31 de Agosto de 2009 às 01:21
Tomarias tu ter cá um Chavez.

Eleitor a 30 de Agosto de 2009 às 10:37
A posição do Zé Pedro era mesmo o que estava a fazer falta para o pessoal decidir o sentido do seu voto. O impacto da notícia vai, com certeza, ser arrasador para o PSD.

Zé dos Montes a 30 de Agosto de 2009 às 11:40
O Zé Pedro é um homem que quer ter eira e beira.
“Apesar disso, a letra de Sem eira nem beira dirige-lhe bastantes críticas…” Acho que a canção não era dirigida ao engenheiro (o tal da liberdade respeitosa e da humildade democrática). O mesmo Zé Pedro em 14.04.2009 diz ao público “…Interpretar esta faixa, cantada pelo baterista Kalu, como um hino contra as políticas do Governo socialista é "deturpar" a intenção do grupo. "Não há aqui alvos a abater", diz, em resposta ao facto de o refrão começar com a frase Senhor engenheiro, dê-me um pouco de atenção. "Não queremos fazer um ataque político a ninguém. A letra exprime mais um grito de revolta. E é um alerta para o estado da Justiça e para uma classe política em geral que, volta e meia, toma atitudes que deixam os cidadãos desamparados", justifica…” http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1374305&idCanal=12
Afinal era mesmo dirigida ao engenheiro! Será por isso que deixou de passar na rádio?. O Zé Pedro no jornal de Leiria dá alguma explicação para o facto? Será que já não existe preocupações sociais nas rádios, afinal era uma critica generalizada para a classe politica?

Francisco Cavaco a 30 de Agosto de 2009 às 14:55
WWW.vivao_cachetdo_DJ_Zé Pedro.pt

O Zé Pedro foi o DJ do Campus da JS em Santa Cruz na discoteca Faraó, e alguém julga que ele foi por a música de borla? recebeu um belo dinheiro. e isso explica tudo

25sempre25 a 31 de Agosto de 2009 às 01:31
Quando estou assim com a cabeça cheia de álcool, também digo coisas assim. No outro dia, já nem me lembro.

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