Por Hugo Mendes | Sábado, 29 Agosto , 2009, 00:01

Em meados dos anos 80, Robert Solow disse algo que ficou conhecido como o paradoxo de Solow: «os computadores estão em todo o lado excepto nas estatísticas de produtividade». Pois bem, foi preciso esperar mais de uma década para que as empresas adaptassem a sua lógica organizacional e a gestão dos seus recursos humanos ao potencial oferecido pela tecnológicas da informação, de forma a extrair delas benefícios. Nesse momento, a produtividade norte-americana subiu consideravelmente.

 

Lembro-me sempre do paradoxo de Solow quando ouço dizer que os computadores, e em particular os Magalhães, não “servem para nada” (na sala de aula e  não só). Pois, se calhar não servem porque a sua introdução é muitíssimo recente, e tanto professores – que estão em formação, e que prosseguirá no futuro – como alunos ainda não aprenderam a melhor estratégia, nem a introduziram na sua rotina diária, para optimizar o seu uso. 

 

Há muito a melhorar? Claro que sim – como seria, aliás, de esperar. Ou melhor: o contrário – que tudo funcionasse na perfeição e que o uso da tecnologia tivesse, ao fim de alguns meses, sido optimizado – é que seria de estranhar. Os críticos que acham que a aposta nas novas tecnologias é a prova de que o Governo se deslumbra com o seu potencial não compreendem que os únicos que podem ser acusados de tecnofilia, com muito ressentimento à mistura, são eles mesmos: são eles que acreditam na história da varinha mágica; são os mesmos que raciocinam na base de que a tecnologia vai revolucionar o mundo em três tempos. Quando isso não acontece, criticam os que a introduziram de deslumbramento despropositado.

 

Bom, toda a gente com dois dedos de testa sabe que a tecnologia não revolucionar o mundo em três tempos. Mas não é por uma medida não o fazer que não deve ser tomada, sobretudo se a acção política estiver subordinada à concretização de estratégias orientadas para o médio/longo prazo (o mais cómico é que os que procuram melhorias ao fim de uns meses são por vezes os mesmos que acusam os Governos de populismo e de viver sob a tirania das decisões de curto prazo).

 

Ora, se quando queremos que os putos joguem bem à bola, os pomos a treinar bem cedo; e se quando queremos que eles toquem bem piano, lhes pagamos lições quando são bem pequenos, não é óbvio que se queremos que eles usem, na sua vida profissional futura, os computadores com naturalidade e eficácia, lhes demos um portátil, de modo que este faça parte integrante dos primeiros passos da sua aprendizagem?


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