Por Sofia Loureiro dos Santos | Sexta-feira, 28 Agosto , 2009, 22:22


Não é fácil analisar o programa do PSD em matéria de saúde, porque é curto e pouco específico. Mas é claro e transparente no que se refere à redução do papel do Estado.

 

O PSD aposta no mercado para melhorar o acesso aos cuidados de saúde, usando incentivos para hospitais / unidades de saúde para diminuir as listas de espera cirúrgicas; aposta no aprofundamento da rede de cuidados primários e continuados, no rastreio e referenciação da doença.

 

Propõe-se privilegiar o aumento da pluralidade na prestação de cuidados de saúde pelo aumento do papel fornecido pelo mercado privado e introduzir uma separação (...) funcional, e porventura, orgânica, entre o financiamento, a prestação e a regulação da saúde, que permita simultaneamente a maior abertura ao mercado concorrencial e a melhor clarificação das relações entre os sectores público, privado e social. (...)

 

Propõe-se ainda equacionar de novo a celebração de acordos de gestão de serviços de saúde com entidades do sector social ou do sector privado e retomar outras parcerias público-privadas.

 

Não se trata bem de um programa de governo mas apenas de linhas orientadoras para a política de saúde que preconiza: a separação entre o financiador, o prestador e o regulador, a aposta no mercado e na iniciativa privada, não se percebendo bem qual é o exacto papel que fica para o sector público, nomeadamente no que diz respeito à medicina preventiva, mais especificamente para as doenças oncológicas, o que pretende fazer, como e com que recursos.

 

Apesar da exiguidade de informação que nos dá o programa do PSD não podemos negar que há uma diferença considerável naquilo que o PS considera ser o papel do Estado e do SNS na nossa sociedade, quando comparamos com o que o PSD nos propõe.

 

Há, verdadeiramente, diferenças entre a esquerda e a direita. O PS propõe uma alternativa de esquerda, valorizando o sector público, a qualidade e a igualdade de acesso aos melhores cuidados de saúde para todos. O PSD propõe uma alternativa de direita, centrado na aposta no mercado, na concorrência e no sector privado, reservando o sector público para quem tem menos capacidade financeira, ou seja, distinguindo, na saúde, os que podem mais e os que podem menos.

 

Há, verdadeiramente, uma diferença entre os ideais de esquerda e de direita. São legítimos e transparentes. Cabe-nos a nós escolher.

 

Nota: Também aqui.
 


Francisco Cavaco a 28 de Agosto de 2009 às 22:27
E as parecerias publico e privado do senhor Engenheiro.
Hospital de Vila Franca de Loures. a

sitiocomvistasobreacidade a 28 de Agosto de 2009 às 23:57
Gostava também de deixar este contributo:

Economist elogia combate à droga em Portugal
http://sitiocomvistasobreacidade.blogs.sapo.pt/26144.html

Zé dos Montes a 29 de Agosto de 2009 às 00:09
Nalgumas coisas as diferenças são muito ténues. Por exemplo, quando durante a vigência deste governo, a ADSE faz um acordo com o Hospital da Luz que permite aos seus associados serem tratados nesta unidade de saúde está a desenvolver o sistema público de saúde ou está a passar para os privados a prestação de cuidados de saúde?
Quanto ao desenvolvimento de mais parceria público-privadas não poderia estar mais em desacordo. Enquanto não houver mecanismos eficazes de fiscalização, estas parcerias vão traduzir-se a longo prazo em aumento dos custos para o estado. Estas parcerias vão contribuir para o fim de qualquer politica de saúde eficaz a nível nacional. Por exemplo, pretendemos que os doentes se dirijam aos centros de saúde e não aos serviços de urgência hospitalar no caso de patologia ligeira, como vamos convencer a gestão hospitalar a desincentivar os utentes de se dirigem ao serviço de urgência, na medida em que quanto mais doente forem observados, maior o lucro?

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