Por João Pinto e Castro | Sexta-feira, 28 Agosto , 2009, 18:30

 

Mais um extracto da entrevista de Louçã ao Jornal de Negócios de 4ª feira:

P - Esta "desprivatização" da Galp e EDP seria um confisco ou uma compra?

R - Há várias formas possíveis. De Gaulle nacionalizou sem indeminização.

Reparem na subtileza. Se algo grave suceder, o responsável terá sido De Gaulle, não Louçã. (Poderia ter lembrado Vasco Gonçalves, mas, no momento, só lhe ocorreu De Gaulle.) Louçã não se pronuncia directamente pelo confisco: "há várias formas possíveis", constata o homem de ciência. Mas, se até o reaccionário do De Gaulle confiscou...

Em que circunstâncias isso sucedeu e o que confiscou De Gaulle, é algo que ao certo não se sabe. Nem de resto interessa, porque, bem vistas as coisas na sua adequada perspectiva histórica, De Gaulle só existiu para vindicar Louçã. A história é efectivamente, como recordarão alguns marxistas, uma velha toupeira.

De modo que Louçã confiscará, não por maldade, mas para não ficar atrás do defunto general. (E, já agora, admitamos que também para evitar que, como é usual em transacções bolsistas, os lucros futuros sejam implicitamente pagos adiantadamente por quem se propõe comprar uma empresa.)

Adiante. E depois? Depois, perante a ameaça de futuras nacionalizações atribiliárias, a cotação de todas as acções cotadas na Bolsa de Lisboa descerá a pique. Os investidores estrangeiros, em particular, farão as malas no dia seguinte (ou mesmo, quem sabe, no dia anterior).

"Que se lixem os grandes capitalistas", dirá Louçã. Sucede, porém, que, para além dos "grandes capitalistas" muitas outras pessoas e empresas detêm acções. Vai daí, descerá também o valor das empresas com capital empatado naquelas que forem nacionalizadas. E a cadeia de efeitos não parará aí.

Como a recente crise comorigemn nos EUA nos recordou, quando as grandes empresas começam a perder valor, às tantas há pessoas remediadas que vêem esfumar-se as poupanças de toda uma vida.

Não creio, porém, que isso apoquentasse Louçã. Uma tal eventualidade, gerando miséria e desemprego crescentes, servir-lhe-ia, aliás, para comprovar a intrínseca perversidade do sistema capitalista, eventualmente justificativa de novas nacionalizações, numa fúria crescente de ódio ao patronato explorador.

Quando dessemos por ela, estariamos a viver em Cuba
 


Augusto a 28 de Agosto de 2009 às 18:56
O que Louçã quis dizer, é bem fácil de compreender , a nacionalização de empresas consideradas de interesse estratégico, são comuns, mesmo com governos conservadores.

É lógico que para o governo neo-liberal de Socrates, isto é uma blasfémia, mas as politicas neo-liberais conduziram o País , á situação em que hoje nos encontramos.

Porfírio Silva a 28 de Agosto de 2009 às 19:59
Oh Augusto, não lhe parece que o De Gaulle já foi há algum tempo? Que já mudou alguma coisa entretanto?
As nacionalizações devem ser (e são) possíveis ("até" Sócrates nacionalizou). Mas isso não voltou a ser a panaceia universal, ou acha que sim? Já se esqueceu das inúmeras dificuldades com que se depara o excessivo controlo do Estado sobre a economia? O que o post sublinha, acho eu, é a forma irresponsável de falar das nacionalizações.

João Pinto e Castro a 28 de Agosto de 2009 às 22:16
O ponto não á a nacionalização, é o confisco.

Porfírio Silva a 28 de Agosto de 2009 às 22:23
Confisco é nacionalização sem compensação, não?

João Pinto e Castro a 29 de Agosto de 2009 às 11:15
Exacto.

António P. a 28 de Agosto de 2009 às 20:18
Caro Augusto,
Quando não há argumentos sai para a mesa do canto : " esse governo neo-liberal"...até parece que a privatização da EDP foi decidida pelo Sócrates.
Quanto à situação em que nos encontramos hoje sempre é melhor que dos sistemas que tudo nacionalizaram...viu-se o resultado cairam de podre com as massas na rua.
Bem sei que me dirá que foram ( as massas ) manipuldas pela CIA e pelo imperialismp.
Bom fim de semana

Filipe Guedes Ramos a 28 de Agosto de 2009 às 22:29
Eu queria ver se fosse como eu (accionista da GALP), se lhe era aprazível ficar sem o dinheirito que lá investiu!
E sirva a GALP como exemplo para as demais empresas outrora absolutamente estatais...
E sinceramente, a tranche dos pequenos investidores nem se justificaria nacionalizar...é deveras pequena...
Mas vá, chame-me neoliberal . O que sou é, e isso admito, uma pessoa que gosta de ter o seu dinheiro, muito ou pouco, a render bem. E este é o caso.
Vire a sua ira contra os Américos Amorim e Belmiros de Azevedo deste país fora, e não se vire contra os pequenos (onde me incluo) que por terem hipóteses de ganhar, agora ficaram a perder.

Augusto a 29 de Agosto de 2009 às 01:47
Lá vem a conversa habitual, do papão dos regimes totalitários, mas se até dizem que o Socrates tambem nacionalizou....só se foi o BPN e o BPP.
A GALP foi entregue ao Amorim, pequenos acionistas, uma ova.

Aliás como se vê no caso BPP , os pequenos ainda não viram um tostão, mas a CGD já lá meteu milhões, para onde foram.... mas isso parece não preocupar Socrates, tal como o destino dos milhões investidos no BPN.

Aliás NUNCA o Louçã falou em confisco, pois não é disso que se trata, ao defender o retorno ao Estado, de empresas estratégicas, é lógico que quem tem acções dessas empresas, terá de se receber o dinheiro que nelas investiu.

Mas quando se quer deturpar as propostas tudo serve.,


closer a 29 de Agosto de 2009 às 03:34
Ainda bem que Louçã é um político de palmo e meio. Bom, bom, é este rapaz Pinto e Castro que é um intelectual honesto que faz um arrazoado enorme a partir de uma citação de uma frase descontextualizada. E acaba com Cuba! Azar, rapazito. Há mais amigos do regime cubano dentro do PS do que no BE. E já agora também em Angola, onde o grande democrata Zedú foi recebido com grande pompa pelos governantes com elogios às suas genuínas convicções liberais. E, já agora, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, grande amigo do Iraque e da sua invasão pelas tropas de Bush

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