Por Bruno Reis | Quarta-feira, 26 Agosto , 2009, 16:43

A cara Ana Margarida Craveiro (não lhe vou chamar nem doutora nem engenheira, é um hábito meu) voltou à carga com o Engenheirogate, provavelmente por influência dos maus ares da política de verdadeiro ataque pessoal em que tem assente a campanha do PSD.

 

Aparentemente para o Jamais e o PSD quem não é Engenheiro ou, suponho, Doutor (cabendo aqui explicar se se tolera o abuso de tal título por meros Licenciados) não pode falar de educação.

 

O que parece abundamente claro é que silêncio é realmente de ouro para o PSD e aos seus apoiantes. Geralmente o aluno cábula que não tem grande coisa para dizer prefere que os outros se calem para disfarçar.

 

Deixo de lado a questão de apenas em Portugal este questão ser levada a sério – um país ainda muitas vezes pronvicianamente obcecado não pela educação mas pelos títulos honoríficos que a mesma dá. Nem sequer vou perguntar se conhecem alguém que em Portugal que se intitule bacharel em Engenharia.
 
Surgem ainda assim uns problemazinhos com a tese do Jamais:
 
O tema da educação (e do Engenheirogate) tem sido divulgado insistentemente num jornal propriedade do engenheiro  Belmiro de Azevedo (que afinal creio que apesar dos seus muitos méritos também não é realmente engenheiro porque não está registado na Ordem dos Engenheiros) dirigido pelo director José Manuel Fernandes que (tão capaz quanto certamente é) não terminou a licenciatura... Será que o Público não pode segundo o Jamais falar de educação? (E significa isto que estará de volta a Censura e consequente asfixia democrática?)
 
Corre em Portugal que nas Universidades privadas abunda o facilitismo, as notas inflaccionadas e a falta de rigor na educação. Parece ser esse o pecado original que manchou Sócrates e impede o Primeiro Ministro de falar de educação segundo o Jamais. 
 
Mas se assim é, falta (tanto quanto sei) um estudo sério que o mostre. E se assim for,  faltaram sobretudo medidas nomeadamente dos governos do PSD e propostas nos seus programas eleitorais (irei ver com curiosidade no novo quando aparecer) para tal impedir ou corrigir. Aliás, bem ou mal,  foi com um governo PS que se fecharam universidades privadas.
 
Apesar de não ter frequentado, nem leccionado, nem dirigido uma Universidade privada não embarcarei na passagem de um certificado de incompetência genérica a todos os que por lá passaram.
 
Se alguém tem legitimidade para falar sobre educação pública em Portugal é certamente José Sócrates.As Novas Oportunidades, o reforço do investimento na educação e em particular no ensino professional, a aposta no premiar o mérito dos professores mais empenhados são representativas da preocupação do Primeiro Ministro em permitir o mais possível a toda a gente novas formações de qualidade ao longo da sua vida de trabalho; assim como de melhorar e investir no sistema de educação público. A valorização do capital humano é essencial para conseguirmos modernizar a nossa economia.
 
Parece que o Jamais e o conservadorismo atávico de alguma direita portuguesa prefere a aristocracia académica de titulares doutores e engenheiros, ao invés de se julgar as pessoas pelo seu mérito e pelo seu trabalho. Espanta-me ver a Ana nessa companhia. Mas espero bem que não se assista a esse regresso ao passado.
 
E já agora, não é a Direita que quer dar mais dinheiro público para a educação privada? A que título, se afinal um simples ano de passagem pela educação privada desqualifica o Primeiro Ministro de sequer falar sobre educação?

Mário Cruz a 26 de Agosto de 2009 às 17:57
Realmente este tema, sobre a forma expedita como Sócrates concluiu a licenciatura, incomoda os colaboradores deste blog.
Parágrafos e parágrafos a deitar poeira sobre adversários e jornalistas... Que tristeza!

Bruno Reis a 26 de Agosto de 2009 às 19:49
A mim não me incomoda nada. Já o que me incomoda é que se queira fazer uma campanha a atirar poeira para o eleitorado em torno disso.

antonio borges a 26 de Agosto de 2009 às 18:03
pior que a sua estupidez, só mesmo a sua estupidez agressiva.(obrigado Goethe)

Bruno Reis a 26 de Agosto de 2009 às 18:59
Obrigado caríssimo pela sua lição de educação nada agressiva. Argumentos... fica para a próxima, é como o PSD em geral.

Joaquim Amado Lopes a 26 de Agosto de 2009 às 18:35
Ninguém que tenha um conhecimento mesmo que superficial da forma como José Sócrates conseguiu o grau de licenciado e tenha um pingo de vergonha na cara reduz esse caso a "o pecado original" de "notas inflaccionadas e a falta de rigor na educação".

Um Primeiro-Ministro não tem que ser Doutorado, Mestre, Licenciado ou Bacharel. Pode até ter apenas a escolaridade obrigatória.
Faltam muitas coisas a José Sócrates essenciais a um bom Primeiro-Ministro mas nunca ninguém disse que a licenciatura era uma delas.
O que é contestado é a forma como o grau lhe foi oferecido, algo que já foi demonstrado para além de quaisquer dúvidas. Pretender ignorá-lo demonstra uma desonestidade intelectual vergonhosa.

Bruno Reis a 26 de Agosto de 2009 às 19:03
Deixe-me adivanhar Joana acha o papa Ratzinger um liberalão e a doutrina católica no que respeita à confissão demasiado liberal? O homem acabou de se licenciar numa privada, está condenado sem apelo nem agravo!!

Como é que é possível discordar de si sobre este ser o tema central para escolher um primeiro-ministro!!! Infalível.

jeronimo a 26 de Agosto de 2009 às 22:25
Só gostava que alguém fizesse uma análise sobre a nível minimo de exigência da maior parte dessa Universidades Privadas da treta para se ver que o caso de Sócrates está longe de ser o único. Eu falei com pessoas que estudavam no Isla, na altura em que o assunto veio à baila, que me confirmaram que também no cursos deles havia uma disciplina de Inglês Técnico e que alguns alunos entregavam os trabalhos ... or fax !! Anda toda a gente indignada com o caso de Sócrates quando há milhares formados nessas Universidades que beneficiaram desse e doutros tipos de "ajudas". Mas alguém dúvida que a maioria das licenciaturas da nossa classe política são apenas para ter um título honorífico ? Quantos dos nossos políticos não foram formados nessas Universidades da Treta ?

amália a 26 de Agosto de 2009 às 19:55
Contesta o que é dito sobre o José Manel Fernandes e o Belmirp de Azevedo?

João K a 27 de Agosto de 2009 às 04:38
Todo o "caso" da licenciatura de José Sócrates é preocupante.
Só quem não frequentou uma universidade e / ou não têm a mínima noção do funcionamento da mesma pode achar estranho este caso.
A primeira dúvida era ter sido lançada uma nota em Agosto. Se uma pessoa têm exames até 31 de Julho e têm 2ª época a 1 de Setembro, quando podem sair as notas?
É sabido que a esmagadora maioria de professores de Universidades privadas leccionam em universidades públicas, ou seja, não estão disponíveis 24 / 7 para os alunos. Sócrates entregou trabalhos por fax? Eu entreguei por mail... Sinais dos tempos!
Mas a parte realmente preocupante de todo este "caso" ridículo, é o facto dos intervenientes serem eles próprios professores universitários. Entre outros, José Manuel Fernandes é professor universitário, será que já aceitou trabalhos fora de aulas, ou escreveu datas nas pautas ao calhas? É óbvio que sim, todos o fazem. Se não o fez pertence ao 1% da classe, mas tenho fontes, que agora não posso revelar embora credíveis, que faz parte dos restantes 99%.

Joaquim Amado Lopes a 27 de Agosto de 2009 às 18:54
Processo de equivalências feito sem ter sido entregue certificado de habilitações acompanhado pelos programas das cadeiras feitas, por um professor que não pertencia ao Conselho Científico da UI, que deu aulas a José Sócrates no ISEL no ano anterior e leccionou 4 das 5 cadeiras que ele próprio decidiu que eram necessárias para concluir a licenciatura, uma das quais o projecto final do qual não existe cópia, e que foram concluídas com 16, 17, 18 e 18, respectivamente.

Segundo o João, isto era normal nas Universidades privadas e portanto deve ter razão. A primeira dúvida era mesmo sobre uma nota ter sido lançada em Agosto.

joaninha a 29 de Agosto de 2009 às 23:08
O problema é que não podendo atacar o Primeiro Ministro pela sua competência, pelo que fez e bem, atacam-no pelo curso que tirou. Não se preocupam que tenha feito os anos anteriores em estabelecimentos que consideram todos mais credíveis e tenha continuado a estudar com sucesso. Na anáslise dos seus detractores, só as cadeiras feitas nesta universidade contam.
Perguntas:
-os que o atacam não estudaram em privadas?
-todos são ou foram universitários para saber como tudo de processa?
-são todos competentes e o Sócrates não? Bravo!...
-não estarão aqui alguns (ou muitos) dos que passaram administrativamente, sem sequer ter frequentado as aulas no tempo do saudoso (para alguns) PREC?
Preocupem-se com o que interessa e deixem-se de ataques pessoais, porque issso destrói o carácter.

Protocolos
comentários recentes
Ainda bem que procurei por ti na internet em geral...
A discussão sobre pagar a saúde de acordo com os r...
Espero que o José Sócrates faça um bom trabalho..
Boa tarde, gostava da vossa opinião.hoje dirigi-me...
EsclarecimentoA notícia é apenas sobre uma propost...
Venho por este meio relatar-vos uma situação que c...
Sou nova nestas andanças, da net (não em anos-57) ...
Obrigada pelos textos que nos deram a ler, a refle...
Estou de acordo com a ideia lançado por vocês impo...
Simplex , simplesmente. convido-os a visitarem o m...
já agora gostaria que observem uma iniciativa empr...
Estava a gostar deste blog...
Uma escrita muito pobre, na generalidade dos casos...
Estou numa dúvida: a oposição não foi eleita para ...
Posts mais comentados
88 comentários
50 comentários
44 comentários
43 comentários
38 comentários
36 comentários
27 comentários
25 comentários
arquivos
pesquisar neste blog
 

As imagens criadas pelo autor João Coisas apenas poderão ser utilizadas em blogues sem objectivo comercial, e desde que citada a respectiva origem.