Por Tiago Julião Neves | Terça-feira, 25 Agosto , 2009, 04:18

Na excelente série Flight of the Conchords, o incompetente Murray, manager em part-time da banda de Bret e Jemaine, tem no seu gabinete um poster do turismo da Nova Zelândia que bem poderia ser o lema do PSD para as próximas eleições.

 

 

Ao contrário deste magnífico país que apresenta razões de sobra para o visitar, votar no PSD actual é uma odisseia bem mais complicada para o eleitor consciente que admira um debate de ideias inteligente e provocador.

 

Existe na esquerda e na direita esclarecidas uma extrema desilusão com a derrocada intelectual em curso no PSD, partido que já deu no passado contributos bem mais valiosos do que aqueles que dele hoje se podem esperar. A fuga interesseira de Durão precipitou a queda no abismo que Santana e Menezes escavaram, e as ténues esperanças depositadas em Ferreira Leite foram defraudadas com episódios graves como a reabilitação de Santana, o silêncio sobre Alberto João e a inclusão de António Preto e Helena Lopes da Costa nas listas do PSD.

 

A permanente estratégia de crítica destrutiva, os silêncios misteriosos e a miséria franciscana das ideias apresentadas são motivos para ter muito medo e pouco respeito por este PSD.

Na sua mais recente entrevista MFL teve o descaramento de falar em asfixia democrática em Portugal, escamoteando o facto do seu principal foco ser precisamente na Madeira, desgovernada por um político boçal, populista, homofóbico e prepotente que desrespeita sistematicamente as mais altas instituições da República. Tolerar Alberto João no PSD é o mais nefasto exemplo da submissão do interesse nacional ao interesse partidário oportunista.

 

A ideia de que o programa de governo do PSD cabe numa folha A4 (ao melhor estilo nouvelle cuisine política) é também ofensiva porque denota falta de empenho, falta de ideias, e de certeza pouco respeito pelos eleitores. Um programa não são promessas, são objectivos que servem de roadmap ao partido que tiver o privilégio de formar governo. Se a visão estratégica do PSD para a próxima legislatura cabe numa folha A4, alguém não fez o trabalho de casa.

 

A tardia apresentação do programa mistério além de dificultar a realização de um debate aprofundado sobre as ideias que o PSD defende para Portugal na próxima legislatura, revela sobretudo desconsideração pelos seus apoiantes e pelos eleitores em geral.


Em suma, penso que alguém devia explicar a MFL as diferenças entre um programa político e a constituição da equipa de futebol do próximo domingo, essa sim cabe numa folha A4 e deve ser guardada em segredo até à última.


Rxc a 25 de Agosto de 2009 às 09:26
Claro. Um programa político tem de ter pelo menos 500 páginas, para que toda a população o possa assimilar e ver nele reflectidas todas as suas ânsias e preocupações (e o "caminho" que a vão obrigar a seguir, que quem sabe disto é quem deixou uma tremenda marca no seu percurso profissional).
E depois cumpri-lo à risca, sem dar ouvidos a bota-baixista e pessimistas militantes, que tanto mal fazem ao nosso generoso Líder, que só quer o nosso bem. Nem à realidade, essa ingrata, que insiste em perverter o glorioso quadro imaginado por tão gradas figuras da Nação (aii não se pode dizer nação não é? My bad...) para que todos, finalmente, tenham quem os saiba guiar. Sim, porque o povinho se fosse deixado à sua sorte e lhe dessem liberdade, já sabíamos no que ia dar.

Zé dos Montes a 25 de Agosto de 2009 às 09:44
Antes poucas ideias mas boas do que muitas e más.
Prefiro as ideias do PSD, às ideias (de esquerda?) do PS que se podiam resumir em favorecimentos a grandes empresas (Mota Engil do amigo Coelho, Lena, JP Sá Couto, Martinfer, Visabeira...). Será que estas mesmas empresas vão sobreviver pós 27 de Setembro, talvez mas os lucros vão baixar...
Do PS já tenho o novo código de trabalho como exemplo do que poderia esperar no caso de ganhar as eleições. Existem aí medidas com que franja mais à direita no CDS sonhava mas que não ousava propor. Não se lembrem da esquerda só antes das eleições!

Carlos Coito a 25 de Agosto de 2009 às 11:01
Sempre fui do PS, mas nunca mais votaria no PS do Sócrates, assim como nunca votaria no PSD do Durão, pois ambos assim que chegaram ao Governo fizeram precisamente o contrário do que diziam nas campanhas. Durão não fez o choque fiscal e Sócrates aumentou os impostos e para mim a palavra é sagrada. Mesmo que diga, há eu não sabia bem como estavam as finanças... Então se não sabia não prometia.
E depois há aquela arrogância do Sr. P.M., que agora está a tentar mitigar, que faz com que não ouça ninguém. Por vezes é preciso ouvir para depois se decidir e muitas vezes dar o braço a torcer quando as evidências nos são posta à frente , mas que ele teimosamente não aceita ver.
Eu até concordo com algumas políticas que este governo fez, na minha qualidade de licenciado em gestão, pois é verdade que controlou um bocado o deficit e as coisas até corriam bem se não fosse a crise. Não se pode é controlar o deficit , que repito era necessário, enganando os prejudicados e no fundo todos os Portugueses um pouco menos esclarecidos. Os funcionários públicos apelidados por este governo como " Sugadores de dinheiro" foram aqueles que contribuíram para a redução do deficit , com a pseudo-avaliação feita através do SIADAP , que mais não é que uma forma de limitar o dinheiro a gastar com os ditos funcionários públicos. Tem que se dizer a verdade a esses funcionários e aos Portugueses e eu, como funcionário público até aceitaria isso, agora dizer-se que é para o bem dos próprios funcionários ter uma avaliação desta é que não.
Este exemplo e outros que o governo usou nesta legislatura, com uma cobertura dos média que eu nunca tinha visto, e muito bem aproveitada pelo Governo, fizeram com que haja hoje em Portugal uma guerra mais ou menos silenciosa entre carreiras, entrel classes, entre privados e públicos e que, a meu ver, vamos pagar muito caro no futuro. A cobertura mediática deveria ter servido para explicar claramente aos Portugueses as medidas duras que se impunham tomar, sem segundas intenções, com verdade, olhos nos olhos e as pessoas afectadas, na sua generalizada de certeza que iriam compreender e conformar-se.
Outra grande trapalhada que este governo fez é a sucessão de diplomas que emanou, muitas vezes sem a devida preparação e que levaram a que haja, neste momento, uma manta de retalhos legal tão grande que, na minha opinião, a única solução para que determinadas leis sejam entendíveis à generalidade das pessoas é fazê-las de raiz revogando todas as outras. Falo por exemplo do Código do Processo Civil. O Regulamento das custas processuais foi feito de raiz e tudo foi revogado, mas é tão complexo e confuso que ninguém entende muito bem a sua génese, isto para não falar de outros.
Na minha opinião o Sr. PM dava um bom ministro das finanças mandado por um Manuel Alegre. Quando estiverem reunidas essas condições votarei novamente no PS. Até lá estou a pensar noutras alternativas provavelmente mais à esquerda.
Cumprimentos para todos.

António dos Alguidares a 25 de Agosto de 2009 às 11:48
Em relação à credibilidade dos lideres gostaria que alguém fosse capaz de explicar como o certificado de licenciatura do Sócrates (http://static.publico.clix.pt/docs/politica/diplomasSocrates.pdf) com a data de 96/08/26 tem como números de telefone da Univesidade Independente 351 21 836 19 00, quando segundo a ANACOM (http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=13096) em doumento com data de 29/10/2009 refere “O Novo Plano Nacional de Numeração (PNN) é introduzido às zero horas do próximo domi/ngo, dia 31 de Outubro…”(“Por exemplo:
Lisboa (01) XXX XX XX - 21 XXX XX XX). Seriam assim tão informados e competentes na Universidade que 3 antes de entrar em vigor já tinham alterado os impressos para o novo número de telefone?
Pode ser que o lápis azul já esteja gasto...

Zé dos Montes a 25 de Agosto de 2009 às 11:50
E não esquecer a habilidade de utilizar autorizações legislativas para num diploma fazer alterações em outros! O que contribui para as muitas confusões em que esta legislatura foi pródiga.

Tiago Julião Neves a 23 de Setembro de 2009 às 13:58
Comentários 4 - Ideias 0 (excepção ao Carlos)
Apraz-me contribuir para sessões de terapia colectiva, em que livremente se destila o ódio ao PS e a Sócrates sem apresentar uma ideia que seja sobre os aspectos mais relevantes do post. Deixo um exemplo da fraca forma de fazer política do PSD e que voltou à ordem do dia com a manipulação do caso das escutas por Belém.

"Na sua mais recente entrevista MFL teve o descaramento de falar em asfixia democrática em Portugal, escamoteando o facto do seu principal foco ser precisamente na Madeira, desgovernada por um político boçal, populista, homofóbico e prepotente que desrespeita sistematicamente as mais altas instituições da República. Tolerar Alberto João no PSD é o mais nefasto exemplo da submissão do interesse nacional ao interesse partidário oportunista."

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