Por Palmira F. Silva | Segunda-feira, 24 Agosto , 2009, 14:31

O presidente de todos os portugueses, que nunca se engana mas que aparentemente teve muitas dúvidas sobre as capacidades das mulheres e sobre os motivos (fúteis) que as levam à decisão por uma IVG, voltou a ter dúvidas aquando da promulgação de um diploma que diz respeito à chamada «moral e bons costumes».

 

Desta vez,  querendo quiçá dar uma ajudinha nas escolhas eleitorais que se avizinham, Cavaco, em vez de apenas endereçar recados e recomendacões  descabidas acerca da aplicação de uma lei da nação, que por acaso até fora aprovada em referendo, resolveu rejeitar, sem pejos mas com muitos moralismos, o Decreto n.º 349/X, legislação francamente inócua como refere o Eduardo, que pretendia alterar a lei das Uniões de Facto.

 

Não sei se Cavaco pretende acabar com a pouca vergonha de a esmagadora maioria dos portugueses optar por se «amancebar» em vez de casar, mas os argumentos com que justifica a sua decisão de não promulgar o diploma, no mínimo tão ridículos como as recomendações moralistas no caso da lei do aborto, apontam nessa direcção. Ou seja, sob o pretexto de estar muito preocupado com os desejos dos que não optaram pelo casamento, o presidente parece considerar que só são dignos de protecção jurídica os casais que decidam (ou possam) viver em comum sob os auspícios de um papel passado no notário. Diria aliás que a chave da rejeição se encontra neste último parênteses...


Carlos Dias Ferreira a 24 de Agosto de 2009 às 14:47
Cara Palmira:

Vetar diplomas que eu saiba ainda é uma das competências do PR e muito sinceramente não vejo qual o problema em mais este veto, ou será que já voltámos (pelos vistos sim) ao tempo em que "quem não for por nós é contra nós".
Uma sugestão se me permite, Portugal não é uma quinta de meia dúzia de "iluminados" socialistas em que todos temos de pensar como o "querido lider" ainda existem alternativas e outros modos de pensar e agir por muito que isso custe ao partido sócrates e já agora transmita ao vosso lider que ao contrário do que ele diz (insulto), mentir ou estar sob suspeita isso é que degrada a Democracia.
Menos arrogância precisa-se.

Leonor Correia a 24 de Agosto de 2009 às 15:03
Vivi durante 26 anos com um homem que tinha enviuvado meses antes de nos conhecermos. Eu era solteira. Fomos viver para a casa que era dele e da mulher. Nenhum de nós tinha filhos. Ele não queria e eu fiz-lhe a vontade. Fomos felizes durante 26 anos. A família (dele) sempre me ignorou. Todos os anos, pelo Natal, íamos para fora do país para evitar constrangimentos com a "mamã". Morreu em Fevereiro deste ano, com 67 anos, de paragem cardíaca. Eu tenho hoje 52 anos e o meu salário, ao fim de 33 anos na mesma empresa, é de 1070 euros líquidos. No dia em que o António morreu, a mãe e a irmã vieram aqui a casa buscar quadros e outros objectos de valor. Só não levaram a mobília da sala porque chamei a polícia. O meu advogado disse-lhes (e o delas confirmou) que durante cinco anos tenho direito ao usufruto da casa. Mas findo esse prazo tenho de sair, levando comigo apenas aquilo que puder provar ter sido comprado por mim. O IRS preenchido anualmente como "unidos de facto" não serve para nada. O senhor Presidente não tem juristas que lhe expliquem estes assuntos?

Miguel Madeira a 25 de Agosto de 2009 às 09:25
E porque é que não fizeram cada um um testamento a favor do outro?

mia a 24 de Agosto de 2009 às 23:32
Compreendo a mágoa de uma companheira que se vê excluída da herança do homem com quem viveu vários anos, mas não entendo por que razão não casou, então, se desejava ter esse direito.

Felix a 25 de Agosto de 2009 às 01:00
O que a senhora não percebe é que iria ficar na casa durante anos, MAS A CASA NUNCA SERIA DELA, mesmo com esta nova alteração...

amália a 25 de Agosto de 2009 às 10:28
APRE! Para teres direitos tens de casar. Não tens é o direito de viver em "concubinato". Só os bem comportadinhos, "bem casadinhos", de preferência pela igreja católica, têm direitos...Apre! Irra!

Miguel Madeira a 25 de Agosto de 2009 às 14:31
Vamos pôr a coisa ao contrário: porque é que alguêm que decidiu não casar há de ter deveres e obrigações?

Protocolos
comentários recentes
Ainda bem que procurei por ti na internet em geral...
A discussão sobre pagar a saúde de acordo com os r...
Espero que o José Sócrates faça um bom trabalho..
Boa tarde, gostava da vossa opinião.hoje dirigi-me...
EsclarecimentoA notícia é apenas sobre uma propost...
Venho por este meio relatar-vos uma situação que c...
Sou nova nestas andanças, da net (não em anos-57) ...
Obrigada pelos textos que nos deram a ler, a refle...
Estou de acordo com a ideia lançado por vocês impo...
Simplex , simplesmente. convido-os a visitarem o m...
já agora gostaria que observem uma iniciativa empr...
Estava a gostar deste blog...
Uma escrita muito pobre, na generalidade dos casos...
Estou numa dúvida: a oposição não foi eleita para ...
Posts mais comentados
88 comentários
50 comentários
44 comentários
43 comentários
38 comentários
36 comentários
27 comentários
25 comentários
arquivos
pesquisar neste blog
 

As imagens criadas pelo autor João Coisas apenas poderão ser utilizadas em blogues sem objectivo comercial, e desde que citada a respectiva origem.