Por Irene Pimentel | Sexta-feira, 21 Agosto , 2009, 23:03

 

 
Não assisti à entrevista de Manuela Ferreira Leite, mas li hoje na imprensa que a senhora que se está a candidatar a chefe do governo de Portugal, e que até já ganhou as eleições (pelo que afirma), diz que se está a viver um clima «de asfixia democrática», em que «as pessoas têm medo de se pronunciar contra o Governo porque têm medo de retaliações» e que o «sentimento e o clima que existem no pais é de que as pessoas estão a ser controladas», além de que, desde «o 25 de Abril (PREC incluído, digo eu), só com este Governo é que existe a ideia de retaliação» (Público, 21 de Agosto de 1009, p.4).
Peço que a putativa “futura primeira-ministra” de Portugal dê exemplos do que afirma, porque, não tendo dado pela terrível situação referida, não deixo de me preocupar que, até 27/9/2009, se possa estar a viver a uma situação parecida com a que se viveu no nosso País até 25 de Abril de 1974.
Declaração de interesse (s): pessoalmente, abominei o que se passou até Abril de 1974 e faço questão que não se repita. Caso contrário – se não der os exemplos pedidos – poderei pensar que, com comparações abusivas, Manuela Ferreira Leite estará a relativizar situações de falta de liberdade, o que – sabe-se há muito, pela História – não é a melhor arma contra potenciais futuros ataques à democracia. E não qualifico de burguesa (a democracia), porque não conheço outra.

AL`garvio a 21 de Agosto de 2009 às 23:09
Não liguem , a Manela naõ sabe o que diz.Coitada.

Francisco Cavaco a 22 de Agosto de 2009 às 13:31
E você sabe parece que não

João Cóias a 21 de Agosto de 2009 às 23:41
Calma, amiga. Existe um projecto(do PSD) criado de base por retro-inovadores no campo do hype(o que tá a dar), chama-se "retrofuturismo", ou seja ir "beber" ao passado o que teremos amanhã. Sem dúvida a MFL, terá quem a aconselhe a substituir os "powerpoinst" por "hollowScreens", proposta feita por uns dissidentes do sistema. Disso não tenho a mínima dúvida. Depois teremos a introdução das "disquettes"(aka disks) de 1.400 KB, uma vez que há que acabar com esta cena pecaminosa da "Bundalarga"(ou lá como lhe chamam) que permite ao povo trocar informação. Depois, serão pagos €500 por cada devolução de um Magalhães, para dar ao abate. Serão investidos vários milhões de euros nos xistos, para produzir ardósias para as escolas. Serão feitos novos mapas, com os distritos e os relevos(não conteplando as linhas férreas, para evitar que a miudagem pergunte pelo TGV) e depois, muito depois, quem sabe será ensinado na escola que o Sol roda em torno da Terra.
Aí, sim, teremos problemas com o Vaticano, que já deu razão ao Astrónomo que provou que tal era treta.
Calma, amiga, calma.

José Barros a 22 de Agosto de 2009 às 01:15
Exemplos:

1) Antes de uma greve de professores, a polícia dirige-se a uma associação sindical para saber o que aqueles pretendem fazer.

2) Publica-se uma lista de credores do Estado em que das milhares de empresas a quem o Estado não paga, apenas três têm a confiança necessária para reclamar os seus direitos.

3) Um professor faz uma piada privada sobre o Primeiro-Ministro e esse episódio é relatado por sms, sendo que o referido professor é de imediato suspenso, antes de haver qualquer processo disciplinar instaurado.

4) Um cronista bastante conhecido, no uso da sua liberdade de expressão, critica o Primeiro-Ministro por falar em moralidade quando atrás de si tem um passado repleto de suspeitas de práticas pouco morais. Apanha com um processo em cima, sendo mais tarde absolvido por reconhecidamente ter exercido um seu direito constitucional. O exemplo é um de vários, porque vários foram os jornalistas contra quem foram propostas acções da mesma natureza por notícias relacionadas com as suspeitas que incidem sobre o Primeiro-Ministro.

5) Os procuradores encarregados de um processo que poderá levar à investigação do Primeiro-Ministro queixam-se ao respectivo sindicato de alegadas pressões de um outro procurador nomeado pelo governo para o Eurojust, pressões essas que teriam alegadamente como objecto eventuais represálias que tal investigação poderia ter para as carreiras dos referidos procuradores. O sindicato dos magistrados do MP considera as alegadas pressões suficientemente graves para pedir uma audiência ao Presidente da República. Mais tarde o inquérito tem como conclusão haver indícios suficientes da existência das referidas pressões, sendo, por isso, instaurado um processo disciplinar ao tal procurador do Eurojust. Este, porém, não é demitido, mesmo depois de o PGR considerar que tal demissão dependeria exclusivamente da vontade do governo.

Cara Irene Pimentel, em matéria de qualidade da democracia, nos últimos 35 anos já se esteve bem melhor...




Poltava a 22 de Agosto de 2009 às 05:24
"Não assisti à entrevista de Manuela Ferreira Leite, "

O segundo post deste blog que começa com esta confissão sobre a entrevista.
Não percebo como é que alguém pode comentar e criticar uma entrevista que não viu.
Pode assistiir à entrevista aqui: http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=1436&formato=flv

"Peço que a putativa “futura primeira-ministra” de Portugal dê exemplos do que afirma, porque, não tendo dado pela terrível situação referida, não deixo de me preocupar que, até 27/9/2009, se possa estar a viver a uma situação parecida com a que se viveu no nosso País até 25 de Abril de 1974."

Os exemplos são dados na entrevista.

O seu ultimato " se Ferreira Leite não der exemplos"; é escusado.
Veja a entrevista onde são referidos exemplos para a posição assumida, e depois já pode concluir se a senhora relativizou ou não alguma coisa.

Ferreira Leita não disse que se estava a viver uma situação parecida com a anterior ao 25 de Abril. Disse que DEPOIS do 25 de Abril, este governo é o único que fez retaliação.

Alguns exemplos dados pelo José Barros são preocupantes. Não indiciam que haja tortura ou exílio para adversários políticos; mas são objectivamente preocupantes. Achá-los preocupantes, e dizer que durante o período democrático este governo foi o único a fazer retaliação; pode ser discutível; mas não se pode acusar quem diz isso de estar a comparar os tempos actuais com os do Estado Novo.

Pode-se discordar ou concordar; mas é importante discordar ou concordar com algo que tenha sido mesmo dito.

Cumprimentos

Irene Pimentel a 22 de Agosto de 2009 às 15:56
Essa é boa! Então quando não se assiste em directo a entrevistas, não se pode falar sobre elas!?
Nem mesmo citando as fontes (caso do jornal Público) e cotejando estas com outra fontes do que a senhora disse?
Segundo essa lógica, não se poderia fazer História, no sentido em que o historiador não assiste directamente ao que se passa no passado.
Já agora, cito outra frase, já refeida neste blogue, sobre os exemplos (não) dados por Manuela Ferreira Leite:
«Eu não quero saber se há escutas ou não, eu não quero saber se há retaliações ou não, o que é grave é que as pessoas acham que há».
E isto é uma afirmação de quem quer chefiar o governo de Portugal! Não é preocupante?

Ferreira a 22 de Agosto de 2009 às 11:03
Onde estava Manuela Ferreira Leite anntes do 25 de Abril?!

Carlos Sousa a 22 de Agosto de 2009 às 13:43
Comenta entrevistas que não viu. Anuncia textos que não escreve.
‘Embora consciente de que, ao pensar-se dessa forma a «utopia», se pode votar em diversos (mas não em todos) partidos candidatos às Legislativas, deixarei para um futuro «post» os argumentos, relacionados com a forma como se atinge (?) a liberdade, igualdade e solidariedade, que me fazem votar no PS.’
Quando chegar ao CDS, avise.

Irene Pimentel a 22 de Agosto de 2009 às 16:08
Relativamente a "entrevistas que não viu" - respondido no meu anterior comentário.

Permite-me a liberdade de gerir o meu tempo e escrever o que me apetece?

Sobre a «solidariedade», recomendo a leitura do meu texto no Diário Económico ( e também publicado neste blogue).





Francisco Cavaco a 22 de Agosto de 2009 às 18:38
Tenho pena que não tenha comentado os exemplos do José Barros pq esses exemplos são uma demonstração cabal de uma democracia com menos qualidade.

Poltava a 23 de Agosto de 2009 às 08:29
"Essa é boa! Então quando não se assiste em directo a entrevistas, não se pode falar sobre elas!? "

A senhora confessou:
" Não assisti à entrevista de Manuela Ferreira Leite"
Não falou em "directo". Mais, eu acho que pode falar de um entrevista que veja em diferido; até partilhei o link da mesma.

"Nem mesmo citando as fontes (caso do jornal Público) e cotejando estas com outra fontes do que a senhora disse?"

A senhora é que começa por admitir que não viu a entrevista. Depois faz questões que foram efectivamente respondidas na entrevista.
Cite as fontes que quiser; mas há uma que é a melhor para que se possa comentar a entrevista: a gravação da entrevista, onde pode ser ouvido TUDO o que foi dito. Os jornalistas do Público com certeza ouviram TODA a entrevista, e depois puderam comentar e noticiar o que acharam mais interessante. A senhora não pode basear-se no que o Público achou mais importante noticiar sobre a entrevista, para vir fazer perguntas que foram respondidas na mesma. O Público, ou qualquer outro jornal, não tem de noticiar a entrevista completa, mas para noticiá-la tem de a conhecer por completo: ouvir tudo o que foi dito para evitar truncar frases ou exigir respostas que foram dadas mais à frente.


"Segundo essa lógica, não se poderia fazer História, no sentido em que o historiador não assiste directamente ao que se passa no passado."

A História não se faz em directo, ninguém disse que as entrevistas só podem ser comentadas se depois de vistas em directo. A senhora é que está agora a falar em directo.
Quem é que confessou que não tinha visto a entrevista que está a comentar?!
Se a fonte histórica "gravação da entrevista" existe; qual é o seu problema?

"Já agora, cito outra frase, já refeida neste blogue, sobre os exemplos (não) dados por Manuela Ferreira Leite:
«Eu não quero saber se há escutas ou não, eu não quero saber se há retaliações ou não, o que é grave é que as pessoas acham que há».
E isto é uma afirmação de quem quer chefiar o governo de Portugal! Não é preocupante?"

Só discuto matéria de facto específica ( neste caso, o conteúdo de uma entrevista), quando a pessoa com que estou a discuti-la conhece-a por inteiro.

Podemos é voltar à discussão que começou por levantar neste blogue:
Já conhece os tais exemplos que pediu a Ferreira Leite, e que se encontravam na própria entrevista que diz não ter visto?
E então? Concorda e já percebe a afirmação que tanto a chocou, ou nem por isso?

Depois, podemos passar à outra frase que agora elegeu como "preocupante".
Mas como não viu a entrevista, perceba que não é muito parcimonioso repetir perguntas e mais perguntas sobre o que significam frases da mesma. Se está assim tão interessada e preocupada, veja a entrevista senhora!

Depois, terei todo o gosto em ouvir as suas opiniões e mesmo que discorde delas não a importunarei com comentários.

Só me saltou à vista que está a comentar algo que desconhece. Pode fazê-lo? Pode, mas não é a mesma coisa.




Rui a 26 de Agosto de 2009 às 16:11
Não compreendo muito bem estas analogias entre a política actual e a historicidade dos factos, mas valores mais altos se levantam. Pena perdeu distanciamento para produzir de forma claravidente história contemporânea

ó és tão linda! a 28 de Agosto de 2009 às 01:19
Aposto que os seus complexos tão exuberantemente exibidos nos últimos tempos, como grande deunciadora do "fascismo" caseiro,são fruto de uma ascendência muito próxima ligada a"serviçoos"ao antigo regime.Às vezes fico a pensar naquele "anti-fascista" que a seguir ao 25A ficou conhecido pelo "caça pides" e dpois se veio a descobrir que tinha sido bufo da Pide...

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