Por João Galamba | Sexta-feira, 21 Agosto , 2009, 15:59

No Rua Direita, o Carlos Martins escreve um post onde (diz que) prova que os subsídios são errados porque ineficientes. Para sustentar o seu argumento, recorre à ciência económica, apresentando um quadro com curvas da oferta e procura, e escreve o seguinte:

 

"No primeiro momento ("old price" e "old quantity"), a oferta e procura encontram-se livremente. As quantidades produzidas são as que optimizam a afectação eficiente de recursos da economia."

 

Os pressupostos do Carlos - que a situação inicial é eficiente, que o preço de mercado contém toda a informação relevante, em suma: que o mercado livre tem sempre razão - invalidam, a priori, e por definição, a possibilidade de subsídios e intervanção pública na economia. Ou seja, o Carlos não dá qualquer argumento contra os subsídios - à inovação, ao preço, ao investimentos -, ele limita-se a construir um contexto teórico - que não tem nada a ver com qualquer realidade histórica - que invalida a possibilidade teórica da solução que ele pretende criticar. Assim também eu, ó Carlos.

 

Se o Carlos tivesse optado por contemplar a possibilidade de falhas de mercado - externalidades e afins - o post deixaria de fazer sentido. Por outro lado, o Carlos diz que se limita a recorrer a uma verdade elementar da ciência económica. Tem razão. Só que "elementar", neste caso, não pode ser considerado um elogio. Por alguma razão este tipo de gráficos só são utilizados no primeiro ano de economia. No caso de uma economia real - dinâmica, complexa e caracterizada por falhas de mercado e assimetrias de informação - estes gráficos não servem para nada. Então quando acrescentamos a dimensão histórica de uma economia, o défice externo a necessidade de requalificar o tecido económico de um país,  "argumentos" destes tornam-se simplesmente risíveis.


Tiago Julião Neves a 23 de Agosto de 2009 às 02:53
Subsídios jamais! Redução da dependência energética vade retro! Viva a mão invisível e a onírica perfeição dos mercados!

O post do Carlos Martins demonstra um assombroso conhecimento de economia que nem me atrevo a comentar, somos de cepa bem distinta como será fácil de perceber. Enquanto o Carlos é um guru dos subsídios e de outros mecanismos que aviltam a pureza original dos mercados, eu sou um miserável que tirei modestamente e muito a custo uma licenciaturazinha em Economia na Universidade Nova de Lisboa, prossegui rastejando para um mestrado no Imperial College London e estou agora a realizar um mui sofrível doutoramento na London School of Economics. Pelo meio lá consegui enganar a divisão de consultoria da Cap Gemini Ernst & Young e uns senhores do Ministério do Ambiente que bondosamente me davam uns lápis para afiar. Isto durou vários anos e eu até já julgava perceber alguma coisita de afias, falhas de mercado e regulação económica, mas estava errado, vivia na ilusão, por isso estou muito agradecido aos doutos posts do Carlos Martins e do Tomás Belchior que me libertaram do jugo castrador da ignorância em relação a mui nobres aspectos da economia teórica.

Aceitem por favor o meu humilde agradecimento e que Deus vos proteja da pandilha intervencionista que grassa neste Simplex.

Um abraço amigo e sincero das serranias onde habito e onde se respira o ar mais puro deste nosso lindo Portugal

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