Por Hugo Mendes | Quinta-feira, 20 Agosto , 2009, 17:33

O André também escreve:

 

«Dir-se-á que é uma forma de as empresas portuguesas se poderem internacionalizar, conseguirem exportar. A pergunta que se faz é esta: Por que motivo vamos cobrar impostos para financiarmos empresas quando a redução desses mesmos impostos já seria ajuda suficiente?»

 

A resposta é obvia: porque isso pode gerar comportamentos de agentes económicos que, sendo racionais do ponto de vista individual, uma vez agregados, podem ser péssimos do ponto de vista colectivo. Há investimentos ou decisões que são absolutamente vitais para um pais que nenhum agente privado tomará; se essa decisão não for tomada, todos os agentes perdem. Isto tem um nome simples: é um problema de acção colectiva.

 

Porque é que muitas empresas preferem não exportar? Ora, porque exportar é mais exigente do que apostar no mercado doméstico. Se todas as empresas decidirem ignorar o mercado externo, o André pode imaginar o resultado final para o país. Se não houver um incentivo, um mecanismo propulsor, um trampolim, um apoio, o que lhe quiser chamar, as empresas continuarão, com toda a probabilidade, a prosseguir o mesmo comportamento confortável do passado. Resultado final? Perdem elas e perde o país.

Atenção: isto vem em qualquer manual de economia política minimamente recomendável.


João Galamba a 20 de Agosto de 2009 às 18:00
Não te esqueças que o André Abrantes Amaral é um Austríaco. Aquilo que o André considera ser recomendável não é partilhado por 99.9% da profissão

Santiago a 20 de Agosto de 2009 às 18:02
"Porque é que muitas empresas prefere não exportar? Ora, porque exportar é mais exigente do que apostar no mercado doméstico. Se todas as empresas decidirem ignorar o mercado externo, o André pode imaginar o resultado final para o país. Se não houver um incentivo, um mecanismo propulsor, um trampolim, um apoio, o que lhe quiser chamar, as empresas continuarão, com toda a probabilidade, a prosseguir o mesmo comportamento comfortável do passado. Resultado final? Perdem elas e perde o país."
(fim de citação)


Ah, pronto! Já percebi! São precisos mais impostos porque as empresas (que tolas) nem sabem o que é bom para elas...

Hugo Mendes a 20 de Agosto de 2009 às 22:48
Ninguem falou em mais impostos. Podem, aliás, ser créditos fiscais orientados para certas actividades. Mas lamento informar-lhe que isto é outra forma de "proteccionismo".

henrique pereira dos santos a 20 de Agosto de 2009 às 18:48
"Se não houver um incentivo, um mecanismo propulsor, um trampolim, um apoio, o que lhe quiser chamar, as empresas continuarão, com toda a probabilidade, a prosseguir o mesmo comportamento confortável do passado."
As empresas que precisam de um estímulo do Estado para não terem comportamentos confortáveis é de toda a utlidade que desapareçam, porque são más empresas.
O único estímulo que as boas empresas precisam é o da vontade de servir melhor os clientes e largar o número de clientes.
Não sei se isto vem em qualquer manual de economia mas é todos os dias demonstrado pela actividade de milhares de empresas em todo o mundo.
henrique pereira dos santos

Porfírio Silva a 20 de Agosto de 2009 às 22:41
«O único estímulo que as boas empresas precisam é o da vontade de servir melhor os clientes e alargar o número de clientes.»
Oh Henrique, tu ainda és dos que pensam que as empresas são o Menino Jesus?

henrique pereira dos santos a 21 de Agosto de 2009 às 06:28
Não, Porfírio, não acho que as empresas são o menino Jesus, acho é que dependendo inteiramente dos seus clientes para sobreviverem é natural que a sua preocupação seja tratá-los bem. E empresário que não perceba isto é melhor mudar de vida ou, se tiver oportunidade, acolher-se à sombra protectora de quem lhe pague a ineficiência.
henrique pereira dos santos

Porfírio Silva a 20 de Agosto de 2009 às 22:44
«O único estímulo que as boas empresas precisam é o da vontade de servir melhor os clientes e alargar o número de clientes.»
Já agora, Henrique, como é que se sabe quais são as "boas empresas"? Será a priori? O B.C.P., por exemplo, parecia-te uma boa empresa quando andava a enganar os clientes? Mas nessa altura quem sabia que eles andavam a fazer isso?
A ingenuidade não é um pecado. Mas quando se trata de desenhar políticas, pode ser perigosa.

henrique pereira dos santos a 21 de Agosto de 2009 às 06:32
Exactamente, Porfírio, eu (e muito menos o Estado) não tenho de escolher quais são as empresas boas ou más. Tenho de escolher, enquanto cliente, as que me servem para resolver os meus assuntos.
Questão diferente, que misturas aqui, é a da regulação e da fiscalização. Aí penso que estaremos de acordo na defesa de um Estado forte na defesa da lei para todos. Não porque há empresas boas ou más, mas porque há empresas que cumprem as regras ou não.
henrique pereira dos santos

Hugo Mendes a 20 de Agosto de 2009 às 22:45
«As empresas que precisam de um estímulo do Estado para não terem comportamentos confortáveis é de toda a utlidade que desapareçam, porque são más empresas»

Vá dizer isso a todas as empresas americanas que durante décadas fizeram contratos com o Departamento de Defesa americano que lhes permitiu ganhar conhecimento e capacidades organizacionais para dominar os seus segmentos de mercado a nível internacional.
O seu raciocínio de manual é limpo como a água, mas a realidade é um bocadinho menos cristalina.

henrique pereira dos santos a 21 de Agosto de 2009 às 06:41
Mas onde está qualquer afirmação minha de que as empresas não devem fazer contratos com o Estado para desenvolver acções que o Estado considera importantes?
O que não percebo é o que tem isso com o apoio directo a empresas específicas para dirigir o desenvolvimento.
Se o Estado quer desenvolver, por exemplo, carros eléctricos, não tenho nenhuma razão de princípio contra isso (tenho uma divergência política no caso concreto português e é a natureza política dessa opção que deveria ser discutida para lá do chavão do desenvolvimento económico e tecnológico que tem sido espalhado aos quatro ventos). Mas se o quer fazer que o faça de forma clara e aberta a que qualquer empresa interessada possa aceder aos contratos em causa.
Convenhamos que fundamentar a posição da economia americana no mundo (e das suas empresas) com base na intervenção e apoio do Estado americano é uma ideia peregrina. Pela mesma ordem de ideias seriam os países onde essa intervenção do Estado foi mais longe os que teriam as suas empresas mais bem colocadas no mundo. Por exemplo, as empresas agrícolas do Zimbabué.
henrique pereira dos santos

Hugo Mendes a 21 de Agosto de 2009 às 11:58
Caro Henrique,

Não escrevi nada que contrarie a ideia de que o apoio ao desenvolvimento não deva ser claro tanto do ponto de vista dos destinatários dos apoios como da sua forma e limites. Nunca defendi que o Estado deve financiar a empresa A ou B de modo (alegadamente) arbitrário, mas que pode investir ou incentivar o investimento em sectores ou actividades que considera prioritárias para o país.

Quanto ao exemplo americano, foi um deles. Podia dar de 'n' outros paises desenvolvidos muito antes de chegar ao ZImbabué, garanto-lhe. Chegaríamos provavelmente à conclusão que as grandes empresas de "sucesso" foram ou são apoiadas pelos respectivos Estados (ou, no caso das multinacionais, por vários Estados ao mesmo tempo).

cumprimentos

henrique pereira dos santos a 20 de Agosto de 2009 às 19:05
alargar em vez de largar, claro

a 21 de Agosto de 2009 às 03:53
Hugo Mendes,

Sugiro que vá frequentar meia duzia de aulas de Introdução à Macroeconomia numa faculdade perto de si. Qualquer caloiro de Economia seria capaz de apontar o absurdo que foi escrito neste post.

João Vasco a 24 de Agosto de 2009 às 04:10
Zé:

«Qualquer caloiro de Economia seria capaz de apontar o absurdo que foi escrito neste post.»

E grande parte dos economistas é capaz de subscrever o seu conteúdo.

Aliás, esse às vezes pode ser o problema de alguns caloiros, leram meia dúzia de linhas e acham que já sabem tudo.
As ideias de Milton Friedman podem ser tão simples que até um caloiro as entende com facilidade, mas os seus erros foram bastante evidentes quando estas foram aplicadas no Chile, na Rússia, na Polónia, em grande parte da Ásia, etc... Stiglitz descreveu bastante bem todos estes acontecimentos, mas muitos ignorantes recusam-se a aprender com a história.

Protocolos
comentários recentes
Ainda bem que procurei por ti na internet em geral...
A discussão sobre pagar a saúde de acordo com os r...
Espero que o José Sócrates faça um bom trabalho..
Boa tarde, gostava da vossa opinião.hoje dirigi-me...
EsclarecimentoA notícia é apenas sobre uma propost...
Venho por este meio relatar-vos uma situação que c...
Sou nova nestas andanças, da net (não em anos-57) ...
Obrigada pelos textos que nos deram a ler, a refle...
Estou de acordo com a ideia lançado por vocês impo...
Simplex , simplesmente. convido-os a visitarem o m...
já agora gostaria que observem uma iniciativa empr...
Estava a gostar deste blog...
Uma escrita muito pobre, na generalidade dos casos...
Estou numa dúvida: a oposição não foi eleita para ...
Posts mais comentados
88 comentários
50 comentários
44 comentários
43 comentários
38 comentários
36 comentários
27 comentários
25 comentários
arquivos
pesquisar neste blog
 

As imagens criadas pelo autor João Coisas apenas poderão ser utilizadas em blogues sem objectivo comercial, e desde que citada a respectiva origem.