Por José Reis Santos | Segunda-feira, 17 Agosto , 2009, 02:58

A querida Ana Margarida Craveiro recomendou-me recentemente esta leitura de Verão. Tudo fruto (acho) deste comentário que eu fiz ao seu artigo no Diário Económico onde, de entre outras considerações, lancei o desafio de se debater a questão da identificação da população para efeitos civis e estatais. Este é um debate muito esquecido na sociedade portuguesa, de filosofia política, e que remete para a questão das funções do Estado e para a reflexão sobre que informação deve ter o Estado acerca dos seus cidadãos e/ou residentes? É ou não preciso (e necessário) um registo civil da população, tipo Bilhete de Identidade ou Cartão do Cidadão? Se sim, que informação deve conter? Se não, porquê?

 

Imagino que, perante a sugestão da Ana, ela esteja inclinada para defender uma visão minimalista do papel do Estado. Eu não tenho essa opinião. Como julgo ser mais interessante, nesta altura, fomentar este importante debate, permite-me, Ana, responder à tua sugestão com outras duas, um livro e um filme.

 

Primeiro um livro, «The Nazis Census», um estudo que aborda a questão dos censos produzidos na Alemanha Nazi, e apresenta uma leitura da questão sobre o prisma do totalitarismo e do autoritarismo. Neste caso, um regime «fascista» utilizou o Estado, os seus recursos, para construir e manipular uma base de dados da sua população para efeitos maléficos.

 

 

 

Depois um filme, «The Baader-Meinhof Complex», que retrata a história do famoso grupo terrorista de extrema-esquerda alemão dos finais dos anos 60 e inicio dos 70. No filme é abordada - en passant - novamente a questão do uso dos recursos do Estado, agora democrático, para a identificação da sua população, mas agora procurando responder a questões securitárias e policiais. É um bom filme, dentro da linha da nova vaga de filmes memorialistas alemães, que nos obriga a uma reflexão mais densa acerca da sociedade contemporânea; tocando em temas como o papel do Estado, a Liberdade de Expressão (e os limites da mesma) ou a natureza do terrorismo moderno (as suas razões, tácticas e ideologia).   

  

 

Bom, já me alonguei, e não queria; mas quero ainda devolver o beijinho com_paixão à Ana, e desejar-lhe boas leituras.


Irene Pimentel a 17 de Agosto de 2009 às 09:07
Excelente post de debate que não só informa como apresenta as questões a discutir. Já fui à Amazon comprar o livro, que é de um dos meus historiadores preferidos (Gotz Aly).
Sou adepta das comparações em História e entre passado e presente, sobretudo para distinguir as situações. Acho também que encontrar semelhanças sem fornecer os contextos é desonesto. Veja-se como alguns chegam a comparar a despenalização da interrupção voluntária (este adjectivo é crucial) da gravidez num país democrático com o aborto eugénico nazi, imposto pelo Estado totalitário hitleriano, tal como a esterilização, aos que ele considerava de raça inferior.
Obrigada pelas achegas e informações, JRS

José Reis Santos a 17 de Agosto de 2009 às 15:04
Irene,

não queres escrever nada sobre as formas de actuação do Estado Novo nesta matéria?...

;)

Carlos Cidrais a 17 de Agosto de 2009 às 12:24
Espere la, so para ter a certeza, estamos a falar do mesmo governo PS que pretendeu introduzir legislacao para utilizar chips electronicos obrigatorios nas matriculas dos carros?

E que se e esse, ja dei para este peditorio.

CC a 17 de Agosto de 2009 às 15:43
O filme "retracta" a história dos Baader-Meinhof? Ou apenas retrata? Este texto foi escrito no Magalhães?

José Reis Santos a 17 de Agosto de 2009 às 16:50
meu caro, se o seu único comentário é apontar uma gralha ortográfica no texto venha mais cedo (para poder corrigir estes erros mais que naturais). Se quiser, pode mesmo ler os meus textos antes de os publicar...

Irei corrigir a incorrecção, e espero - naturalmente - por um futuro comentário seu (agora mais substantivo).

CC a 18 de Agosto de 2009 às 10:59
Sim, é o meu único comentário. Porquê? Era o que faltava perder mais tempo com isto, se nem o autor do texto pensa seriamente no assunto. Sem tomar posição sobre as questões simplex que colocou, despediu-se com um "já me alonguei".
Olhe, é como eu.

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