Por João Galamba | Domingo, 16 Agosto , 2009, 15:43

José Manuel Fernandes, o líder de facção que continua a dirigir o jornal Público, levou mais uma valente reprimenda do provedor do leitor, Joaquim Vieira. A razão é a de sempre: JMF insiste em atropelar as mais elementares regras deontológicas que deviam reger a actividade jornalística e subtrai informação relevante aos leitores do Público.

 

Neste caso, a fava calhou à RAVE. JMF escreveu um editorial que termina com 22 perguntas sobre o TGV. A RAVE, através de um dos seus administradores, reagiu prontamente e, no dia a seguir ao editorial de JMF, responde, por carta, a todas as "questões" levantadas pelo director do Público. Reacção de JMF: a carta não podia ser publicada, pois tinha 2000 caracteres a mais. A RAVE reformula a carta e JMF publica-a na secção Cartas dos Leitores e não como artigo de opinião sob a rubrica Direito de Resposta. São opções editoriais legítimas, dir-me-ão. Talvez. Mas são opções estranhas: se o editorial espera respostas, não se percebe a razão de remeter a resposta da RAVE para uma secção semi-obscura do jornal, tratando a carta como um assunto menor.  Como escreveu um leitor citado pelo provedor, torna-se cada vez mais claro que JMF não quer debater nada, trata-se, só e apenas, de "atirar poeira para os olhos dos leitores do Público". Nos editoriais, JMF simula o debate e finge mostrar grande abertura democrática. Mas quando alguém lhe dá troco — e o leva a sério —, logo aparece a figura maquiavélica do tacticista político sem escrúpulos. Nada de novo, portanto. Mas não é por ser previsível que a gente se habitua.

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Carax a 16 de Agosto de 2009 às 16:27
O MRPP é uma grande escola.

JPP a 16 de Agosto de 2009 às 16:52
Não vejo qualquer mal no facto do Público ter uma linha editorial contra o governo. A mesma coisa se passa com a TVI. A democracia é mesmo assim. E se os leitores não estão contentes com a linha editorial têm sempre a opção de comprar outro jornal. Nos EUA é a mesma coisa. A CNN é claramente democrata. A Fox é republicana.

João Galamba a 16 de Agosto de 2009 às 17:10
Caro JPP,

Há uma diferença entre linha editorial e desonestidade. Os malabarismos a que JMF sistematicamente recorre para subtrair informação dos seus leitores não caem dentro da opção editorial legítima. Independentemente da linha política, o jornalismo ainda vai tendo princípios — e é em nome desses princípios que eu critico JMF

Cumprimentos,
Joao Galamba

Núncio a 16 de Agosto de 2009 às 18:59
Curiosamente, não vejo criticar aqui a RTP, o JN, o DN, a RDP e todas as linhas editoriais favoráveis ao Governo.
Por exemplo, acha bem que a líder da Oposição tenha uns míseros 18% de cobertura noticiosa na RTP - contra mais de 50% do líder do Governo (se não erro os números) - a ponto de a insuspeita ERC ter feito aquela determinação que todos conhecemos (e que, digo já, também não me parece solução)?
Isto de acharmos que só "os outros" é que são parciais é uma maçada!

amália a 16 de Agosto de 2009 às 21:46
Eu cá não sou de nenhum lado, por enquanto, mas acho que parcialidade e desonestidade não são a mesma coisa, que é daí que parte a discussão : "Há uma diferença entre linha editorial e desonestidade."

Núncio a 18 de Agosto de 2009 às 12:28
Em tese, tem razão. Parcialidade e desonestidade são coisas diversas. A menos, o que não é raro, que se seja parcial por desonestidade...

amália a 18 de Agosto de 2009 às 14:01
Ora aí está, "A menos, o que não é raro, que se seja parcial por desonestidade..." Será o caso do JMF? Não espero que ponha a honestidade deste senhor em causa...mas não o acha mais que parcial....parecendo...isso?

Anónimo a 16 de Agosto de 2009 às 18:48
deveriam assumir essas posições publicamente de explicitamente...

enquanto leitor não gosto de comer gato por lebre

portela menos 1 a 17 de Agosto de 2009 às 11:36
Para além do JMF, nos blogs também se lê coisas muitos parecidas com " diferença entre linha editorial e desonestidade". Vejam este naco de prosa de um post do Simplex/Sofia Lourenço dos Santos:

(...) Nas próximas legislativas quem quiser um governo de esquerda votará PS, quem quiser um governo de direita terá quatro partidos à escolha: PSD, CDS, BE ou PCP (...)



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