Por José Reis Santos | Sábado, 15 Agosto , 2009, 12:25

A vida política é muito exigente. Obriga a desenvolver uma capacidade de análise da sociedade complexa, pois não são todos os que conseguem articular todas as variáveis de maneira a conseguirem construir um discurso e uma prática que produza as transformações desejadas para que o progresso social seja efectivo e real. Depois há que gerar ideias, programas, que expressem e apresentem as medidas que, a aplicar, procedam à mudança. Há quem desenhe este processo às abertas, há ainda quem os prefira esconder. Há sempre quem procure tudo esconder.

Há ainda que seleccionar líderes, formar e constituir equipas. Por defeito sistémico, Portugal não escolheu um modelo presidencialista ou unipessoal, o que quer dizer que votamos (com excepção da Presidência da República) em listas. Uma vez mais, há quem dedique a esta variável especial atenção, escolhendo colaboradores de qualidade, dando-lhes visibilidade. Há também quem esconda o jogo até à última e procure refúgio na figura do líder.

É então desta boa articulação triangular que se promovem candidaturas eleitorais: um candidato, uma equipa e um programa. E não basta conseguir apenas uma das variáveis, como alguns por vezes pretendem, porque o conjunto apresenta-se uno. Deixar para a última a apresentação das listas e dos programas é desrespeitar o direito dos cidadãos-eleitores de tomarem conhecimento prévio sobre os diversos projectos políticos.

A táctica do refúgio no cabeça-de-lista, que parece estar a fazer escola no PSD, é do mais redutor e medroso que existe em política, pois subverte a natureza dos actos eleitorais em democracia, não permitindo o acesso à informação completa. Procuram enganar os eleitores e proporcionar-lhes apenas espectáculo de luzes e brilho – ou qualquer outra coisa sem consistência -, para que não se saiba nem se veja o que anda por detrás das mascaras que apresentam, sejam elas um Paulo Rangel, um Pedro Santana Lopes ou um 31 qualquer.

Manuela Ferreira Leite tem usado e abusado destes preceitos. Tudo esconde. Imagina que é-lhe suficiente somente aparecer. Não respeita os eleitores. E pior, Santana Lopes parece estar-lhe a seguir os passos, uma vez que ainda esperamos saber alguma coisa sobre as suas listas para Lisboa. Estará a replicar a estratégia da avestruz da sua líder ou somente a esconder dos lisboetas a escolha da equipa que pretende que (des)governe a cidade? Ou esperem, será que o que Santana Lopes quer evitar é (mais) interferências de Manuela Ferreira Leite? É que ao marcar a Comissão Política Distrital para aprovação de listas para domingo à noite, deixa – de facto – muito menos espaço de manobra para a líder do PSD (e para os seus cães-de-fila alfacinhas) meterem a colher na sopa. Será MFL a «razão burocrática» que se referia Carlos Carreiras, Presidente da Distrital laranja de Lisboa? A ser é um sério upgrade para a senhora, porque abandonaram as acusações de ditadora e autoritária (para não lhe chamar «fascista», como dizia o outro).


Francisco a 15 de Agosto de 2009 às 17:59
Um partido que é incompetente para ser oposição alguma vez chegará a ser competente com o nosso dinheiro, com o nosso futuro e com as nossas oportunidades?

No passado essa foi a estratégia de Durão Barroso e resultou para ele e para o PSD! Resultou para o País?

Postado a 27/Nov/2008: Um partido que não serve o País - http://pensasmal.blogspot.com/2008_11_01_archive.html

L M D a 15 de Agosto de 2009 às 19:40
Falta a transparencia, a seriedade, a moralidade e a ética a muito boa gente que está, ou quer ir para a politica.

Joaquim Amado Lopes a 16 de Agosto de 2009 às 13:00
Num post sobre "Transparência e seriedade na política" não é obrigatório falar sobre o caso Lopes da Mota, o ajuste directo com a Liscont para o terminal de contentores de Alcântara, a Fundação para as Comunicações Móveis, os ajustes directos nos contratos para renovação das escolas, ...

No entanto, estes casos e todos os outros que seria fastidioso enumerar deviam fazê-lo "morder a língua" antes de atirar pedras aos telhados dos outros. Por uma questão de decência.

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