Por Bruno Reis | Sexta-feira, 14 Agosto , 2009, 16:53

Os comentários que o Rui Tavares não sabe se fez à Visão, mas que lá apareceram publicados, realmente apenas são surpreendentes por virem de quem vêm. E a mim supreenderam-me e desgostaram-me, mesmo passado dias de terem sido divulgados. Talvez não os tenha feito, e convinha então que os desmentisse claramente. Geralmente os ataques ad hominem são especialidade de quem não pode mais em termos de argumentos.

 

Um primeiro ponto é o do desinteresse e partidarite dos blogues de causas como o Simplex. A isso responderia que têm a vantagem da honestidade - assumem claramente um objectivo político. O que não faltam são blogues bem partidários, mas que negam esse facto. Eu nunca senti aqui qualquer pressão no setindo de ter de alinhar por uma qualquer agenda partidária aquilo que escrevo.

 
Mas este tipo de declarações não surpreendem porque, como expliquei no meu primeiro poste neste blogue, uma das razões para arriscar tornar público o meu apoio ao PS nas legislativas é precisamente o facto de considerar que ainda só vivemos em meia-democracia. Não é possível apoiar um partido que esteja no governo - sobretudo se for de esquerda - sem se ser acusado sistematicamente de oportunismo, carreirismo e outros insultos semelhantes. Muita da "análise política" divulgada na nossa imprensa há já algum tempo que insiste nesse brilhante raciocínio.
 
É realmente natural que haja oportunistas em torno dos partidos de poder. Como é natural que haja ineptos frustrados, demagogos populistas e velhos do Restelo deslocalizados nos partidos de oposição mais ou menos permanente. Porém reduzir o debate político - seja em blogues, seja em qualquer meio de comunicação -  a esses chavões é afundar a  política na falta de senso e no mau gosto. É sobretudo ou não perceber ou não aceitar algo essencial para o bom funcionamento de uma democracia: o respeito por pontos de vista diferentes e a capacidade de os debater sem descer aos ataques pessoais.

 

Há ainda alguns factos fundamentais que parecem ter escapado à abundante prosa publicada em Portugal sobre o tema:
 
O primeiro é que nas democracias pluripartidárias estar no poder não é - como era durante a ditadura do Estado Novo - uma mácula ou um crime, é uma necessidade, se quisermos fazer funcionar melhor o Estado e mudar minimamente as coisas no sentido que ambicionamos;
 
O segundo é que nas democracias pluripartidárias há algumas oportunidades apetecíveis e carreiras bem remuneradas também para os partidos da oposição. Portanto também aí haverá algum carreirismo e oportunismo. 
 
Eu com certeza não reduzo o BE - filiados e apoiantes - ao pequeno carreirismo ou à total demagogia. Estou certo de que há por lá alguma convicção progressista Mas pedia a cortesia de igual reconhecimento para o PS (filiados e apoiantes, em blogues ou fora deles). Espero mas com pouca esperança, visto que o discurso da extrema-esquerda não muda há 35 anos - o povo voto sempre enganado no PS (oportunista) a julgar que está a votar na  esquerda pura (a deles).
 
Numa nota pessoal acrescento que francamente eu estou interessado em fazer pela vidinha, ou (se me permitem) pela vida. Não tenho fortuna pessoal e preciso de comer (mais ou menos) e de ler (muito) de preferência debaixo de um tecto, e até tenho família para criar. Não vejo o que é isso tenha de mal. Se alguma vez tiver um cargo político a tempo inteiro terá, portanto, de ser remunerado. Um historiador como o Rui certamente sabe que os cargos políticos passaram a ser remunerados precisamente para acautelar situações como a dele e a minha - de quem não pode fazer da político um luxo.
 
 Não há na política remunerada nenhuma desonra. Por isso, não vejo no facto de, por exemplo, o Rui Tavares ser agora Eurodeputado pelo BE e (imagino e espero, bem) pago como tal, qualquer revelação ou mácula sobre o seu passado, presente ou futuro.
 
Ainda acrescento um pormenor. Infelizmente ou não, a minha vocação primeira (e até ver última) é mesmo "académica". Por isso, o problema com teses de carreirismo no meu caso é que, além de tudo, nessa área "académica" abundam no poder personalidades que estão ou à esquerda do PS (nomeadamente no BE), ou à direita do dito. Não insultaria tais pessoas com a ideia de que se regem por lógicas políticas. Mas em todo caso peço o favor de não me considerarem carreirista parvo. É que ser visto como carreirista ainda vá (o carreirismo para um é a justa recompensa para outro). Agora ser considerado carreirista  parvo já custa um bocadinho mais. 

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