Por Tiago Julião Neves | Sexta-feira, 14 Agosto , 2009, 17:21

A decisiva aposta do actual governo nas energias renováveis revela uma visão estratégica e um sentido de oportunidade que podem conduzir à alteração do paradigma energético português nas próximas décadas. Esta decisão abre caminho a um vasto conjunto de oportunidades a nível económico, social e ambiental cujo bom ou mau aproveitamento terá consequências profundas e duradouras na sociedade portuguesa.

 

O investimento em energias renováveis permite aumentar a segurança de abastecimento, reduzir a importação de energia do estrangeiro, aliviar o défice da balança de pagamentos, e reduzir a exposição à volatilidade de preços dos recursos não renováveis.

 

A diversificação inerente à promoção das energias renováveis cria condições para o desenvolvimento de um cluster tecnológico de futuro, capaz de gerar emprego qualificado e com elevado potencial exportador. Enquanto a descentralização da produção que está associada às energias verdes possibilita que a criação de emprego e a geração de riqueza sejam repartidas de forma mais homogénea pelo território nacional.

 

O apoio às energias renováveis deverá ser gerido criteriosamente, de forma a evitar a criação de rendas desnecessárias em tecnologias verdes já competitivas, que venham a onerar excessivamente o contribuinte ou o consumidor. Incentivando também a inovação, pesquisa e desenvolvimento em áreas emergentes como a biomassa ou a energia geotérmica.

 

Apesar do entusiasmo com as energias renováveis é fundamental agir com a mesma determinação no combate ao desperdício, na promoção da eficiência energética e na gestão da procura. É crucial agir ao nível da alteração de comportamentos dos consumidores, o que só é possível se se compreender bem a dinâmica da procura, agindo sobre ela em vez de a tomar sistematicamente como um dado rígido ao qual a oferta continuamente se ajusta.

 

Vencer o desafio energético aproveitando integralmente o potencial das energias renováveis exige uma estreita articulação das políticas de energia, urbanismo e transportes. A adopção de soluções de mobilidade suave, híbrida e eléctrica terá porventura ainda maior impacto ao nível energético que as energias renováveis.

 

Não basta inovar tecnologicamente, é essencial mudar hábitos e comportamentos insustentáveis enraizados há décadas na sociedade portuguesa. A promoção de tecnologias, equipamentos, edifícios e meios de transporte mais eficientes, e a adopção de hábitos mais sustentáveis são passos fundamentais rumo à indispensável redução da intensidade energética da nossa economia, garante de competitividade internacional e de crescimento sustentável.

 

Artigo Publicado no Diário Económico.


L M D a 14 de Agosto de 2009 às 18:53
O próprio António Mexia presidente da EDP e ex ministro da economia, admitiu que não houve praticamente nenhuma evolução do país, no campo energético desde 1974 com a excepção do actual governo, desde os moinhos éolicos ao arrojado plano nacional de barragens nenhum governo anterior a este fez algo quese possa comparar.
É obvio que ainda há muito por fazer, sendo eu defensor da energia nuclear fico com um pequeno amargo de boca, mas isso do nuclear são contas de outro rosário, e para já dou-me por muito satisfeito por ver que neste país ainda há quem faça as apostas certas.

RuiAlmeida a 14 de Agosto de 2009 às 18:58
"O apoio às energias renováveis deverá ser gerido criteriosamente, de forma a evitar a criação de rendas desnecessárias em tecnologias verdes já competitivas"

Este é o ponto que deveria concentrar maior discussão porque aposta na renováveis qualquer governo faz (é só criar os subsídios que os consumidores pagarão - com ou sem juros [déficit tarifário])

"Apesar do entusiasmo com as energias renováveis é fundamental agir com a mesma determinação no combate ao desperdício, na promoção da eficiência energética e na gestão da procura"

Sou contra este entusiasmo porque, além de irrealista, pode ter um efeito contrário no combate ao desperdício: é normal as pessoas pensarem que a electricidade é "verde" ou que o preço descerá com a aposta nas renováveis.

Concluindo: o Tiago tem razão em tudo, só há uma questão de escala - é tudo muito menor.. Pena é que raramente a realidade serve a propaganda.

TMC a 15 de Agosto de 2009 às 13:43
Uma posta muito correcta, muito acertada, muito simpática. Como tudo o que é branco, ou é ingénua ou ignorante.

Não menciona aos leitores o peso da energia eólica no cômputo geral do panorama energético português.Qual? Insignificante.

O sector do urbanismo e transportes é, esse sim, o maior responsável pelo ineficiência energética portuguesa e por conseguinte, responsável pelo dinheiro delapidado ano após ano. É também o sector com maior potencial de alteração precisamente por estar dependente das escolhas e comportamentos dos indivíduos quanto à sua mobilidade pessoal e por sofrer directamente restrições governativas.

Concluindo, reitero que esta opinião ou é ingénua ou é ignorante. É má publicidade. Não diz aos leitores que o Governo que este blogue defende foi responsável por projectar:

1) uma componente rodoviária na TTT
2) mais de 1000km de vias rápidas engalanadas como "progresso" e "desenvolvimento"
3) fecho de linhas ferroviárias
4) falsa propaganda ao veículo eléctrico que não vai resolver NADA

Porque é que isto é grave? Porque o subsector rodoviário português no sector dos transportes está a ser estimulado quando não o deveria ser e esta opinião não o indica. O que esta opinião faz é dizer a um doente com dificuldades respiratórias que comer fruta é óptimo e excelente mas não diz que foi o hábito de fumar cigarros que causou essas dificuldades.

Jorge Gomes a 18 de Agosto de 2009 às 10:22
Caro Tiago Julião,

Tenho pena que não escreva mais vezes no simplex . Talvez esteja de férias, e nesse caso peço desculpa pela insistência.

Obrigado,
Jorge Gomes

Tiago Julião Neves a 4 de Setembro de 2009 às 04:10
Agradeço os comentários que pretendem fomentar a discussão de ideias. Por favor ver resposta em http://simplex.blogs.sapo.pt/159179.html

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