Por José Reis Santos | Quinta-feira, 13 Agosto , 2009, 18:25

Não tenho por habito comentar o que escrevem os nossos adversários do Jamais, mas o texto de hoje do Diário Económico de autoria da Ana Margarida Craveiro é por demais humorístico e contraditório para passar sem um par de observações.

Comecemos pela ideia de uma sociedade «sem papéis». Não sei se influenciada pela recente vertente anarquista do 31, mas a verdade é que esta questão não se coloca na sociedade portuguesa, que se habituou desde há muito a tomar preocupações de registo dos seus cidadãos (para o ano comemora-se o centenário do registo civil). Admito que o o tema levante um bom debate, académico ou teórico, mas sem quaisquer efeitos práticos ou políticos. Nesta linha, estranhe depois que o PSD só tenha recentemente descoberto que o cidadão é, também, um ser abstracto. Enfim, é afinal um conceito já com algumas centenas de anos de existência, mas ao qual o PSD é bem-vindo. Chegam tarde, mas chegaram. A instauração do registo cívil em Portugal, com a I República é afinal a consagração desses príncipios.

Bom, que se avance. Depois usa o chavão da moda - «pessoas primeiro» - para anunciar o seu argumento, mas depois avança com a tal ideia inovadora – e vinda de um não-programa do PSD – de um cidadão abstracto. Como é? As pessoas são cidadãos concretos ou abstracções? E não podem ser as duas? Não sei, pergunto. Um pouco contraditório, não? Depois avança com uma crítica feroz à redução do cidadão a números fiscais, reconhecendo de imediato a responsabilidade cavaquista na condução desse processo. Admito que achei bem curiosa esta passagem vinda de uma apoiante de Manuela Ferreira Leite; com a qual concordo, acrescento. Há de facto muitas responsabilidades a apontar à tal «direita tecnocrata cavaquista», que ameaça agora um comeback que é necessário impedir. Aí Ana, estamos de acordo.

Ainda no mesmo texto, a Ana consegue transformar a não apresentação de propostas por parte do PSD numa produção pensada e visionária. «É para um contexto muito real que as políticas públicas do PSD serão delineadas», escreve, sem se importar que colocar para um futuro incerto a exposição das mesmas é esconder das pessoas informação essencial em vésperas de um acto eleitoral da importância das próximas legislativas. Afinal, não é para as pessoas que o PSD trabalha? Cheguei mesmo a julgar que sim, mas logo me recordei que afinal esse Partido esconde das pessoas o que pretende para o país. Contraditório, não?

Por último, só mesmo o azar de procurar colar o PS à crise e à incapacidade de a resolver, e publicar um texto com esse teor no dia exacto onde foi anunciado o fim da recessão económica em Portugal. Esta foi má sorte. As outras não. Enfim...


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