Por Gonçalo Pires | Quinta-feira, 13 Agosto , 2009, 14:54

Para o Tomás Belchior da Rua Direita, a independência energética é um mito. As energias renováveis um chavão. Uma ideia que sintetiza a corrente nacionalista e a facção anti-globalização! Uma política que nos irá conduzir à miséria, na lógica do “orgulhosamente sós” do salazarismo.

O raciocínio continua com uma aula de comércio internacional: Como o comércio internacional é um jogo de soma positiva, ganha quem compra e quem vende. Logo, na lógica de mercado, as renováveis nunca acontecerão, porque senão a Rússia e os países do Médio-Oriente, coitadinhos, não poderiam vender o gás e o petróleo a ninguém! Perdem eles, perderemos nós.

Continua retrocedendo um pouco, demitindo as energias renováveis apenas porque nunca poderão resolver o nosso problema sozinhas. Para isso seria preciso o nuclear. Mas o meu argumento preferido é o da independência têxtil. Sim, porque é que o Sócrates ainda não se lembrou disso!

Conclusão: Para o Tomás Belchior o deficit externo não interessa. Deverá ser um problema irrelevante. Os impactos ambientais são insignificantes e, se por algum acaso, o petróleo voltar a $200 os Portugueses vão empobrecendo, mas isso não interessa, porque os Russos (alguns certamente) ficarão mais ricos.  


D'Artagnan a 13 de Agosto de 2009 às 15:51
O conceito económico que suporta a globalização é o da especialização. Num mundo globalizado, com livre circulação de bens e capital, todos os países ganham potencialmente com a troca internacional se se especializarem na produção de bens e serviços onde são relativamente mais eficientes que outros e utilizarem os ganhos dessa especialização para comprarem bens e serviços em que a sua capacidade produtiva é inferior. A questão da independência energética e da aposta preconizada pelo Governo na criação de condições para o desenvolvimento das energias renováveis (e levada à práctica por empresas privadas, como aliás deve ser) deve também ser vista sobre este prisma - dotar o país de condições para que se possa abrir espaço à especialização em indústrias com grande potencial de crescimento, criação de emprego e cujo know-how possa ser exportado e utilizado com sucesso noutros países. Além, claro está das vantagens já inúmeras vezes referenciadas em relação ao ambiente e à redução da nossa factura energética relacionada com o petróleo.Tenho dificuldades em perceber como é que tudo isto pode ser visto como anti-globalização, quando deveria ser exactamente ao contrário - são apostas em indústrias como as renováveis que nos podem colocar exactamente como um actor relevante no teatro global. Aliás, dada a aposta generalizada dos países ocidentais nesta área, nomeadamente os EUA (talvez o maior trading partner do mundo) parece-me mesmo caricato a avaliação feita no Rua Direita.

Gonçalo Pires a 13 de Agosto de 2009 às 15:55
faço minhas as suas palavras...
obrigado pelo comentário

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