Por Luis Novaes Tito | Quarta-feira, 12 Agosto , 2009, 14:23

EstalineEspreitando em diagonal o missal vermelho (ed.2009)  ficamos a saber que a direita começa no PS e termina no CDS.

 

A epístola reza que a esquerda é o PCP e a CDU (como se não fossem a mesma coisa) e fica no limbo a categorização do BE.

 

Em diagonal, como disse, ficou lido que há por aí uma ruptura patriótica por fazer, mas não se percebe se Jerónimo pede uma maioria absoluta dado que a ruptura é contra tudo e contra todos.


António da Costa a 12 de Agosto de 2009 às 15:34
Estas coisas dos “donos” da esquerda já irrita um pouco, o PCP tem a “mania” de se arvorar em paladino da esquerda Portuguesa, no entanto deixe que lhe diga, o PS “mete-se a jeito” porque sendo um partido de esquerda só o demonstra de vez em quando, bem, como estamos em campanha eleitoral e o PS é o Partido onde vou votar vou ser um pouco benévolo, de vez em quando demonstra não o ser, assim fica melhor.

Luis Novaes Tito a 12 de Agosto de 2009 às 16:50
António,
Consideremos o Partido Socialista como o conjunto dos seus militantes. Assim sendo, não tenho qualquer dúvida de que o PS continua a ser um Partido de esquerda que se revê na doutrina contida na sua Declaração de Princípios.

Do PCP já se sabe que nada virá de novo a não ser a versão/ano dos programas eleitorais.

A demagogia não lhe é difícil porque sabe à partida que nunca terá de aplicar aquilo que apregoa.

ruy a 12 de Agosto de 2009 às 16:13
Existe hoje, e não apenas em Portugal, a maior das mistificações acerca dos conceitos - direita e esquerda.
Sem práticas políticas que os diferenciem, os partidos da área do poder europeus reclamam-se: uns tantos da esquerda, outros tantos da direita.
Não se distinguindo ideologicamente, vão alternando-se no poder com politicas em tudo idênticas. O que os distingue será, tão somente, a eficácia com que colocam em pratica tais politicas.
Longe vão os tempos em que na realidade existia diferenças de conteúdo ideológico entre eles. No confronto capital-trabalho, os de direita tomavam partido pelo capital e os de esquerda assumiam-se defensores do trabalho. De forma democrática e formal os socialistas, de forma radical e revolucionária a extrema-esquerda (comunistas, trotskistas e anarquistas).

Não há muito tempo ainda, seria possível distinguir conteúdos ideológicos diferenciados entre os partidos de esquerda e os partidos de direita. Uns defendiam uma política económica Keynesiana enquanto os outros defendiam políticas económicas liberais de Smith. Hoje, no entanto, estas diferenças desapareceram e todos os partidos da área do poder europeu possuem um pensamento único. Existe a maior uniformidade ideológica entre eles. Todos, mas todos, se regem pela cartilha neoliberal de Friedman. A globalização impôs-se e com ela a sua doutrina - o neoliberalismo.

As oligarquias financeiras europeias e mundiais impuseram a sua lógica de expansão global, dominam os países e os seus governos, impuseram uma uniformidade ideológica, um pensamento único, uma politica económica única.

Luis Novaes Tito a 12 de Agosto de 2009 às 16:40
Ruy,
Ideologicamente até se distinguem. Basta que tenham determinados conceitos inscritos nas suas Declarações de Princípios. No terreno é que muitas vezes, pelo menos aparentemente, se confundem.

O aparentemente não foi ali deixado ao acaso, porque mesmo havendo práticas semelhantes (algumas resultam da própria globalização e por isso são semelhantes) o social que as enquadra, distingue-as.

ruy a 12 de Agosto de 2009 às 18:12
Tito,
O que realmente importa, são as práticas políticas. De nada valem as declarações de princípios, quando não se respeitam. Não passam então de palavras, de adornos úteis quando convém vestir a pele de cordeiro em vésperas de eleições. Uma tal atitude apenas conduz a “política” a um estado maior de degradação.

Luis Novaes Tito a 12 de Agosto de 2009 às 19:25
Ruy
Irá desculpar a discordância mas penso de forma diferente. Não confundo a liderança com o Partido porque considero o partido como um conjunto de cidadãos unidos pela mesma doutrina partidária. Acontece que, sendo os Partidos organizações democráticas, prevalece a regra base da democracia que é respeitar os resultados eleitorais (também os internos).

As Declarações de Princípios não são um monte “de palavras” mas sim a doutrina que une os militantes.

É isso que faz com que os Partidos mantenham militantes mesmo quando alguns deles não se revêem na sua direcção. Até porque, como sabe, os Partidos sobrevivem às suas diferentes direcções.

BO a 12 de Agosto de 2009 às 18:15
"....o social que as enquadra, distingue-as."

Não entendo bem o que isto quer dizer.
Alguém pode ajudar?

Luis Novaes Tito a 12 de Agosto de 2009 às 19:36
Vou tentar ajudar Bo, embora ache sempre graça que alguns comentadores não comentem os textos publicados mas só os comentários que lhe são anexados.

Adelante!

Com “O social que as enquadra” quis dizer: com as políticas sociais que enquadram determinadas tomadas de decisão.

Compreenderá que num mundo globalizado poderá ser necessário agir em conformidade com a própria globalização. Isso pode resultar na semelhança de práticas a que o Ruy se refere num comentário lá mais para cima. O que temos então que possa diferenciar uma política de “direita” de outra de “esquerda”? Serão as políticas sociais que se devem desenvolver a par das outras, de forma a proteger quem precisa de protecção.

Se bem reparou usei os termos entre aspas porque entendo pessoalmente que são muito redutores e que só para ajudar na compreensão se devam usar.

josé Vladimiro a 12 de Agosto de 2009 às 19:01
Compreendo esse medo do PC e do BE! Fala-se em 20%! É obra para esquerda, que o PS teima em fazer de contas que não existe, que parou no tempo, que é dona da verdade!

Espelho meu, espelho meu, há alguém mais de esquerda que eu!

Luis Novaes Tito a 12 de Agosto de 2009 às 19:47
Qual medo Vladimiro?

O que refiro no texto é exactamente o que está no Programa apresentado pela CDU no site do PCP.

Quanto ao BE estou de acordo consigo: O medo do PCP é tal que nunca o menciona nesse mesmo documento.

Aparentemente é estranho, concordo, porque o PCP sempre considerou o PS como o seu principal adversário mas agora é com o BE que ele deveria estar preocupado.

O que acho engraçado é que para todos os efeitos o BE não existe para o PCP mas quando é para fazer mais um acto de ilusionismo lá deixa escapar a frase “Compreendo esse medo do PC e do BE! Fala-se em 20%!” embora se saiba que as percentagens de um e outro não só não se juntam como até se disputam.

josé Vladimiro a 12 de Agosto de 2009 às 19:55
Camarada,

Não se irrite, nem distorça as minhas palavras! É óbvio que o BE/Francisco Louça apavora o PS! Basta visitar este Blog!

O BE numa perspectiva "entrista" disputa o eleitorado do BE, não do PC!

O Tito é que diz que o PC está incomodado, mas não me parece!

Caso contrário, deviam referir-se com o mesmo rancor, azedume, despeito, com que o fazem no SIMPLEX!


Luis Novaes Tito a 12 de Agosto de 2009 às 20:13
Em todo este comentário o Vladimiro só acertou numa coisa – no tratamento que me fez e que uso sempre que falo com os meus camaradas de partido.

Quanto ao resto:
1 – Não estou irritado;
2 – Não tenho por hábito distorcer palavras de ninguém;
3 – O facto referido no meu texto é que o PCP pura e simplesmente ignora o BE no seu programa, ao contrário do que faz com o PS a quem está sempre a “malhar”, presumo que por se sentir incomodado.

O que acho estranho é que não se refira ao conteúdo do Post que escrevi, que não explique, por exemplo, porque será que fala em 20% de PCP+BE quando sabe muito bem que esses números não somam.

josé Vladimiro a 12 de Agosto de 2009 às 20:20
Tito,

"Para os que entram nos mesmos rios, outras e outras são as águas que correm por eles".
Heráclito de Éfeso, séc. VI a.C.


Luis Novaes Tito a 13 de Agosto de 2009 às 00:47
A questão é que não entram, camarada Vladimiro.

Divergem e competem.

Caty Waves a 12 de Agosto de 2009 às 21:55
Que este Pcp entrou no "mumificador" já todos sabíamos. Eles não! Mas nós já sabíamos que o lugar indicado para eles é mesmo o Museu de Antiguidades.
Agora a única coisa que me escandailiza um pouco é a falta de amor próprio que o Comité Central e os pupilos da Mãe-Rússia denotam quando perante duas opções claríssimas, de um lado o PS que quer REFORÇO DA ACÇÃO DO ESTADO e do outro o PPD que pretende PRIVATIZAR O ESTADO REDUZINDO-O AO MÍNIMO, perante este 2 cenários tão claros e evidentes...os comunistas estão convencidos que o inimigo é...o PS!! Valha-nos Deus nosso Senhor, acorda-os Senhor que eles estão Cegos!!
...E nem com a autêntica ameaça de morte feita pelo 'Democrata' Alberto João Jardim eles têm o brio e o amor-próprio ao menos de dizer:
"Posso não gostar do Ps..mas o PPD é bem pior..muito pior!! Tão pior que tirar o Ps de lá para voltar a por lá o PPD e o CDS é o que se pode chamar - SERÍA PIOR A EMENDA QUE O SONETO!"

Vá lá, srs comunistas, tenham um pouco de brio e vejam o que qualquer leigo vê - se há que haver voto útil ao menos que ele vá para quem valoriza e reforça o Estado e não para quem tem 'desejos' de liquidar o comunismo, 'desejos' de suspender a democracia ou 'desejos' de privatizar o Estado e reduzí-lo a um mínimo insignificante que eles chama de...imprescindível! Ferreira Leite já veio a público sair em defesa dos Ricos, coitados, o Ps tem obcessão contra os Ricos. Tenhamos então essa obcessão conjuntamente contra os Ricos e contra Ferreira Leite e Portas.
Do mal o menos meus amigos, do mal o menos, não tenham dúvidas. O próximo 1º ou será Sócrates ou F.Leite, isso é certo. Já votei Pcp no passado, votei Ps nas últimas e irei votar Ps novamente porque o discurso de Ferreira Leite é perigoso demais para todos nós Esquerdistas. Unamo-nos contra "Mordor" ;)

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