Por Luis Novaes Tito | Terça-feira, 11 Agosto , 2009, 15:00

Em resposta aos que entendem que em tempos de crise basta gerir a crise, temos de agir proactivamente na construção do futuro e no combate à apatia.

 

Os gurus americanos da qualidade do final do século passado deixaram-nos boa base de trabalho. Não é o local nem o tempo para desenvolver os princípios por eles enunciados (recursos, formação, prevenção, custos totais, produção, liderança, equipa, desempenho, etc.) mas podemos retirar a essência dos seus ensinamentos nos quatro pontos do ciclo da qualidade de W. Edwards Deming e adaptá-los à nossa realidade política, sem nunca esquecer que a política é feita para e com os cidadãos.

 

Planear/Projectar para o futuro, sem medos geracionais. Planear não é rabiscar meia-dúzia de intenções mas sim analisar os riscos, medir os recursos e projectar custos e benefícios. Implica encargos de geração? Certamente, mas é imprescindível ter visão e objectivo em tudo que operamos. Se as gerações anteriores tivessem feito o mesmo por nós estaríamos hoje melhor, como acontece em todos os países desenvolvidos.

 

Fazer, porque conceber não basta. Temos de avançar com o planeado, construindo, deixando obra. Aos imobilistas e resistentes, aos eternos estudo-dependentes, temos de responder com a realização do planeado envolvendo-os, gerindo a mudança, informando-os, comunicando-lhes a evolução e a inovação e demonstrando-lhes a exequibilidade e a utilidade do planeado.

 

Verificar, através de objectivos tangíveis. Temos de determinar indicadores fiáveis com metas concretas para os monitorizar e avaliar os resultados. Há que entender o que corre bem e mal, há que acompanhar a execução, controlar os custos e apurar onde se devem afinar as mecânicas de fazer melhor e percepcionar a satisfação daqueles com quem e para quem se está a construir. Teremos melhor gestão da mudança e melhor reforma.

 

Agir/Corrigir para eliminar os pontos fracos, lançando o ciclo num tempo de aperfeiçoamento sem-fim, em busca da eficácia e da rentabilização do esforço para se atingir mais e melhor vida.

 

O objectivo da melhoria contínua é um modelo inconciliável com a estagnação pretendida pelos que se deixam ficar na expectativa de que a crise passe até descobrirem que as crises não passam per si. O imobilismo que rasga e destrói, bem como o vanguardismo revolucionário que não vai além da demagogia e do populismo, nunca conseguirão transformar ameaças em oportunidades.

 

Pelo que já ouvimos, as mudanças que se anunciam resumem-se a novas rupturas, novos recomeços. Percebe-se que pretendem o pior para se justificarem das suas insuficiências sem que ao mesmo tempo nos digam ao que vêm. Fazem parte dos problemas, não das soluções.


JPP a 11 de Agosto de 2009 às 16:04
Já agora utilizem também o Six Sigma para eliminar todos os burocratas que estão no estado.

ruy a 11 de Agosto de 2009 às 16:32
Palavras, palavras,palavras , mas nenhum pensamento inovador, consistenten, alternativo. Isto demonstra bem a falta de estratégia do pensamento neoliberal, após o seu colapso dos ultimos tempos.

Luis Novaes Tito a 11 de Agosto de 2009 às 17:56
Ruy
Quer mais inovador do que a Qualidade?
O que é que isto tem a ver com o "pensamento neoliberal" de que fala?
Portugal tem de formar para produzir melhor e tem de controlar para mais satisfação. Seja o Estado, sejam as empresas. Isto é progresso, é reforma, não são palavras.
É impossível continuar sempre a adiar tudo e estar sempre a recomeçar. Falta planeamento estratégico.

weber a 11 de Agosto de 2009 às 20:19
Caro LNT,
Na onda do SIMplex, gosto de recuperar uma das muitas e notáveis frases que se atribuem a W. Churchill:
- Em tempo de CRISE não podemos fazer o possível, mas devemos fazer, sempre, o NECESSÁRIO!
Creio que, Sócrates e muitos dos seus ministros (mesmo aqueles que sempre tiveram má imprensa: veja-se agora o caso Manuel Pinho...) fizeram o NECESSÁRIO.
Esta é a pura das verdades.
Mas, a 27 de Setembro, pode acontecer o que ocorreu em Inglaterra depois do Armísticio, a 9 de Maio de 1945.
Logo nas primeiras eleições, o Leão Churchill, o grande vencedor da 2.ª Guerra Mundial, o herói...perdeu as eleições.
Se se recordar, W. Churchill já não era Primeiro Ministro aquando dos Acordos de Yalta, que, do ponto de vista da tratadística, encerraram o conflito mais sangrento que a humanidade conheceu.
Esperemos que assim não seja nas nossas próximas legislativas.
O SIMplex está a fazer, e bem, o que lhe compete.
Abraço,
José Albergaria

Luis Novaes Tito a 11 de Agosto de 2009 às 21:59
Caro José Albergaria,
os votos competem aos eleitores e serão eles a ajuizar, como na altura fizeram com Churchill.

A nós compete tentar explicar seriamente o que está em jogo e penso que o Simplex tem feito isso mesmo, como o José reconhece.

Um abraço agradecido pelo comentário.

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