Por João Paulo Pedrosa | Domingo, 09 Agosto , 2009, 23:29

A ideia de uma Política de Verdade, lançada por Manuela Ferreira Leite no discurso político, constituía todo o valor da sua liderança.

 

Com efeito, num mundo de desesperança, acossado por uma crise nacional e internacional de consequências imprevisíveis, MFL era alguém que surgia rompendo com o establishment vigente, incluindo dentro do seu próprio partido. Só falaria, portanto, verdade às pessoas, enfrentaria interesses instalados, ambições, carreiras, projectos pessoais, tudo o que não estivesse em consonância com “os superiores interesses do país”, mesmo que isso nunca lhe trouxesse fama ou ganho eleitoral.
Este desprendimento em relação a uma certa forma de estar na política que é vista, aos olhos de tanta gente, como uma actividade pouco séria e irresponsável, granjeou-lhe, reconheça-se, a partir desse momento, adeptos, engodando mesmo até alguns parvenus.
A manter este registo e, claro está, sendo consequente na acção política com ele, MFL tinha um espaço de crescimento e de afirmação na vida política portuguesa só comparável ao que surgiu com Cavaco Silva depois do congresso da Figueira da Foz.
Ora acontece que MFL não nasceu hoje para a política. É uma personalidade experimentada na vida política tal como ela se faz desde há trinta anos e, nesse sentido, a Política de Verdade não era mais do que um efeito conhecido, um subterfúgio, uma manobra da “velha política manhosa” que ela tão bem conhecia e que dela tanto beneficiou. O seu sucesso era, deste ponto de vista, uma questão de tempo, apenas. E nem foi preciso esperar muito. Assim, sem surpresa, e à luz dos últimos acontecimentos políticos no PSD, a Política de Verdade de MFL estiolou.
Estiolou porque, ao contrário do que dizia, cedeu aos interesses instalados, às carreiras alicerçadas na ilegitimidade, aos projectos de poder pessoal que vêm lesando o país com más práticas e cedeu ao sectarismo que é uma das imagens de marca da sua longa actividade política concreta. Esta sim é a MFL que nós já conhecíamos!
Se, como dizem os seus companheiros do PSD, de Leiria, de Lisboa, de Vila Real, de Santarém, de Braga, de Castelo Branco e de tantos lugares por esse país fora, MFL desiludiu fiéis, demonstrou sectarismo, pagou favores, consumou ajustes de contas e acobertou falsários, é porque MFL nunca saiu do lugar donde sempre esteve. Assim as coisas ficam mais claras.
 

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