Por Leonel Moura | Domingo, 09 Agosto , 2009, 17:59

É claro que é próprio dos blogues dar-se largas à chamada conversa de café, que aliás deixou de existir e migrou para a Internet. Isto é, aquele comentário do momento, estapafúrdio, demagógico, nada fundamentado. Não tem mal, faz parte da vida e é muito positivo que existe um espaço de liberdade para o exprimir.

Outra coisa, contudo, são os argumentos políticos para defender uma causa ou uma opção. E aí os comentários dos blogues raramente têm alguma utilidade. Para além do insulto em si mesmo irrelevante já que só é insultado quem quer , estamos perante argumentos do tipo “quanto é que te pagam” ou “estás ao serviço de quem”? Ou seja, não se reconhece que uma pessoa possa defender um partido, um governo, um primeiro-ministro, simplesmente porque acha que, no contexto actual, eles representam aquilo que é melhor para o país.

Há pois e claramente, nesta fauna dos blogues, uma maioria de pessoas impreparada para a democracia e para uma sociedade evoluída. Por mim não me incomodam nada, mas tenho pena que não exista mais gente inteligente para que se possa dar uma discussão séria e profunda sobre a nossa sociedade e os seus caminhos futuros. Não vejo aliás da parte da direita e da extrema-esquerda grandes argumentos nesse sentido. Vejo sim o bota-abaixo, o dizer mal, o ódio mesmo, mas pouca coisa sobre ideias que possam melhorar a nossa vida colectiva. É, aliás, só isso que me leva a apoiar o PS e sobretudo José Sócrates e o que ele representa como determinação em modernizar Portugal. Mas isso é capaz de ser difícil de entender por certas mentes mais dadas ao superficial.

 


Valupi a 9 de Agosto de 2009 às 18:20
Tal e qual, Leonel. Agravado pelos baixíssimos níveis de educação, literacia, cultura e cidadania em Portugal. Finalmente, a antropologia explica o tribalismo, a psicologia explica o estado de negação. Mas o que há a fazer está a ser feito: começar por não ter medo deles, aceitar combater com lealdade pelo que mais importa, a Cidade.

O belo é difícil, como ensinava Platão, esse famoso pitagórico.

Daniel João Santos a 9 de Agosto de 2009 às 18:35
Compreendo e concordo.

No entanto ainda ia mais longe. Quando se cria um blogue como este ou o Jamais, penso que os autores queriam discussão sobre a sociedade e politica. Acontece que ao se ler estes blogues vê-se alguns autores a darem o exemplo ao povo.

Tanto aqui como no outro, o insulto e a critica fácil aparece com demasiada frequência, infelizmente.

Um bom texto que se devia alongar a quem escreve e não só a quem comenta.

Carlos Vidal a 9 de Agosto de 2009 às 18:54
Caríssimo, esta frase é magnífica:
"determinação em modernizar Portugal",
gostas mesmo dela?
É isto a política para ti?
Apoiar a "determinação" de um indivíduo em etc.
De que lado estarias, por cá, em Portugal, em 1936?
Do lado em que eu estou a pensar?

ruy a 9 de Agosto de 2009 às 19:14
Meu caro, uma pequena contribuição

É bom, que cada vez mais cidadãos, tenham consciência que Portugal tem uma classe política que se move unicamente por interesses pessoais e de grupo. Uma classe política que se vem perpetuando no poder, apenas com alternâncias entre personagens. Com políticas que satisfazem a sua avidez de riqueza e de protecção e conluio com as oligarquias nacionais, com trocas de lugares entre ministros e administradores e administradores e ministros. E, como está na moda, colocando o País sob o domínio das políticas neoliberais, imitando seus pares europeus, ignorando a pobreza que tais políticas efectivamente trazem ao País mas as que melhor se ajustam aos seus objectivos. Cortes sociais na Saúde, na Educação, na Segurança Social, agravando as Condições Laborais com nova legislação mais de acordo com o figurino neoliberal, protegendo os monopólios nacionais e desprotegendo as médias e pequenas empresas, os pequenos agricultores e pescadores, na lógica neoliberal de que só os grandes poderão subsistir à globalização.
Impondo tais medidas como se de uma inevitabilidade se tratasse. Pretendendo fazer crer que será esse o único caminho para o que chamam de “modernidade”.
Com isto, visam apenas a perpetuação dos seus interesses egoístas.
Contudo, não basta ter consciência da gravidade da situação económica e social em que Portugal se encontra, do estado de clausura e de tragédia a que o País chegou. É preciso encontrar armas capazes de combater ideologicamente toda a propaganda oficial do sistema. Uma nova ideologia que dê corpo a uma nova forma de organização social, superior, “que contextualiza o dilema entre estatização versus privatização em novos patamares, de forma que a produção possa ser privada ou estatal, desde que submetida ao controle social. O mercado é uma força que deve ser usada, porém, desde que submetido a controles que minimizem seus excessos. A estatização total dos meios de produção se mostrou fonte de autoritarismo e estagnação cultural e tecnológica”.
Com uma nova filosofia, uma nova ideologia, a Democracia Social, que advogue a Democracia Participativa. Uma nova forma de organização social que assegure o controlo social permanente sobre o Estado e as Empresas.

Odete Pinto a 9 de Agosto de 2009 às 19:43
Este é, infelizmente, um retrato bem real.

Às vezes tenho pena de não poder olhar nos olhos de quem escreve imbecilidades carregadas de ódio.

PortelaMenos1 a 9 de Agosto de 2009 às 19:49
um bom texto como exemplo de "bota-abaixo", no Arrastão;
só é pena que o pessoal do simplex não esteja para aí virado, não se incomodem nada, de modo a poder dar contributos para que se possa te ruma discussão séria e profunda...

(...) O que não se sabia, e é elucidativo sobre a forma como o Estado e demais institutos públicos recorrem a conselhos técnicos “independentes”, é que o escritório em causa, Vieira de Almeida, tem a Mota Engil entre os seus principais clientes, fazendo mesmo parte do consórcio criado por esta construtora civil para concorrer à privatização da Ana e à construção do novo aeroporto. Está visto. Dia a dia, o negócio de Alcântara melhora (...)


Anónimo a 9 de Agosto de 2009 às 19:57
caro Sr.
Comecei a ler blogues por mera curiosidade.
Há pesssoas que escrevem textos tão belos, ou crónicas do quotidiano, tão normais, tãio da vida que passa de toda a gente , enfim, gosto muito.
E depois comecei a ler os ditos de informação politica , ou de opinião. e depois de ler os textos, leio a opinião de quem os lê.
Digo-lhe que é arrepiante a maneira como se consegue destruir a vida de qualque um, sentado(a)à frente dum monitor, atrás dum anonimato qualquer.
Por isso, quando li o seu texto que fala de ódios, e do dizer mal , decidi que vou apoiar ( eu, e amigos que já apoiaram o BE) o Eng. Sócrates, e votar PS.
cumprimentos

Stran a 9 de Agosto de 2009 às 21:50
Caro Leonel,

Peço imensa desculpa mas serei possivelmente a unica voz discordante desta caixa de comentários, mas não posso concordar consigo.

Primeiro porque não gosto de generalizações, principalmente as negativas pois têm a tendência a não serem as mais correctas para quem, ao contrário do que afirma, tenta ter um debate proficuo na blogosfera, ou tenta criar um blogue que possa ser uma mais valia. Talvez seja um defeito meu, mas se tiver que generalizar, faço pelo lado positivo e não por um lado negativo.

Depois também não concordo nada que o mero insulto ou a falta inicial de argumentação seja algo de negativo. Para mim é neutro. E passo a explicar, começando pelo insulto. Como disse o insulto é uma inexistência, isto é, só é insultado se a pessoa assim o quiser. É das poucas coisas que está dependente do visado e não de quem visa. Assim os insultos não são bons nem maus, dependem muito do que você faz com eles. Por diversas vezes comecei um debate sendo insultado e consegui mantê-lo e torná-lo proveitoso, pelo menos para mim (gosto muito de aprender a forma de argumentação e a linha de raciocinio com quem eu discuto). Passo agora para os argumentos que mencionou: "estamos perante argumentos do tipo “quanto é que te pagam” ou “estás ao serviço de quem”?" Como é obvio este é como o insulto, isto é, uma inexistência argumentativa, mas tal como o insulto pode ser algo construtivo caso o interlocutor tenha a arte de o conseguir.

Outro ponto de discordância é a sua visão de "maioria" que honestamente você não tem a capacidade de o saber, ou seja acaba por cometer o mesmo erro que aponta aos outros. Uma opinião baseada numa visão parcial da realidade não é de certo o que você consideraria uma discussão "séria e profunda", pelo menos espero eu. E deixe-me que lhe diga, por experiência própria, que existe muitas pessoas com quem pode ter uma discussão séria e em todos os quadrantes politicos, desde a extrema-esquerda à extrema-direita e até no meio de nacionalistas se podem encontrar pessoas com quem consegue ter discussões, basta que para isso que se queira ouvir. Mais, ao contrário do que está aqui implicito, ou do que Henrique Raposo escreveu no expresso, a caixa de comentários é mesmo o reflexo da qualidade do artigo e do autor (e neste caso dou o exemplo Do Carlos Santos e do Valor das Ideias ou dos Ladrões de bicicletas).

Infelizmente, por diversas vezes vejo, ou melhor, leio o que você escreve, que no fundo é uma enorme ajuda para que o que seja feito seja exactamente o que você ataca. Já pensou alguma vez que se apenas os más praticas é que têm visibilidade, isso é um enorme desincentivo a quem faz bem? É que se um blogger quer ter visibilidade basta insultar, pois de certeza que virão escritores como você que darão essa visibilidade a essa actitude, no entanto é necessário uma boa dose de masoquismo para se tentar fazer um blogue de alguma qualidade!

Agora, discutindo o seu argumento: "Vejo sim o bota-abaixo, o dizer mal, o ódio mesmo, mas pouca coisa sobre ideias que possam melhorar a nossa vida colectiva. É, aliás, só isso que me leva a apoiar o PS e sobretudo José Sócrates..."

Já o disse no meu blogue e direi outra vez aqui, este é o argumento de base que serve para moldar o raciocinio para uma ditadura. Acha mesmo que eu votaria na União Nacional mesmo que tudo o resto fosse mal? Não me parece, julgo mesmo que é a pior argumentação para se defender um voto. Nunca se vota, na minha opinião pessoal, num mal menor. Isso configura uma aceitação de uma má conduta (e neste momento não estou a julgar especificamente o PS). O voto a existir tem de ser pela positiva...

"...e o que ele representa como determinação em modernizar Portugal. Mas isso é capaz de ser difícil de entender por certas mentes mais dadas ao superficial."

1. Acha que o que ele fez com as secretas modernização?

2. Acha que o que ele fez com o casamento entre as pessoas do mesmo sexo uma modernização?

3. Acha superficial o verdadeiro atentado à dignidade pessoal que aconteceu no sector da educação?

josé Vladimiro a 12 de Agosto de 2009 às 23:09
Leonel,


Não precisa justificar-se! Bastava dizer que apoiava o Sr. Engenheiro e chegava!
Tem que compreender que existem outras pessoas que não acham mesmo nada de piada ao Sr. Engenheiro!
Já não só as trapalhadas da licenciatura! E todo um percurso de vida que não augura nada de bom...uns vêm outros não!
É como O Prós e Contras!

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