Por Hugo Costa | Domingo, 09 Agosto , 2009, 10:41

 

As listas do PSD estão fechadas. Pacheco Pereira é o cabeça de lista do distrito de Santarém. Desta forma importa ver afinal o que o fim da sua reforma política (com direito a subvenção vitalícia) traz ao debate das legislativas.
A certeza de um espírito a roçar o estalinismo é expectável. Pacheco Pereira é conhecido pela pouca solidariedade para quem não está do mesmo lado, mas mais importante é ver as posições daquele que já foi cabeça de lista de distritos como Aveiro e Porto. A minha primeira análise vai para a sua total insensibilidade social, posteriormente (em outros posts) irei analisar outros pontos de vista de Pacheco Pereira. Em 2001 referindo-se ao Rendimento Mínimo Garantido disse:
“Um governo corajoso devia acabar com este no primeiro dia da governação”
O Rendimento Mínimo Garantido foi uma das medidas sociais mais importantes adoptadas na História da Política Social Portuguesa, obtendo claros resultados na diminuição das desigualdades sociais, aproximando os 10% mais ricos dos 10% mais pobres. O Rendimento Mínimo Garantido ao longo dos anos tem permitido a resolução de problemas de pobreza extrema e capacitação para a emancipação social. Este instrumento tem como principio o direito à subsistência em padrões mínimos. Não sendo factor de exclusão o motivo ou a inexistência de anteriores contribuições para o sistema público de Segurança Social.
De referir que Portugal foi o penúltimo país da União Europeia a seu tempo, a adoptar a resolução de 1992 do Conselho de Ministros da União Europeia sobre a matéria de onde cito a explicitação dada ao mesmo apoio social “ o direito fundamental dos indivíduos a recursos e prestações suficientes para viver em conformidade com a dignidade humana.”
 
É esta a insensibilidade social que graça nas listas do PSD de Manuela Ferreira Leite. Pacheco Pereira representa aquelas pessoas que pelo seu nível de rendimento se esquecem de quem está abaixo dos níveis mínimos da dignidade humana, utilizando o populismo fácil para arrastar votos. O Rendimento Mínimo Garantido só pode ser considerado uma má medida por quem nunca precisou de um “empurrão” na vida para conseguir viver de forma digna. Como com todas as políticas sociais, não são os abusos que fazem de uma medida socialmente justa, uma má medida.

Armando Abranhos a 9 de Agosto de 2009 às 12:12
Isto só demonstra que as ditas prioridades do Partido Populista Demagogo (chamo-lhe pelo que ele é) não são o emprego mas sim o desemprego, não a redução da pobreza ou das desigualdades sociais mas a sua agravação; não o bem-estar geral da população mas um elitismo grave e retrógrada.

Este Partido Popular (in)Democrata é averso aos valores de Abril e aos valores que eu julgava serem os desta nossa população.

Ingénuamente, ainda tenho esperanças que este povo saiba se defender dos «monstro»s laranjinhas.

As laranjas pareçem doces mas são sim amargas.

Assino Queirózmente,
Armando Abranhos

Lúcia Duarte a 9 de Agosto de 2009 às 12:55
Bom dia, Hugo Costa.

Contrariamente ao q a direita quer transmitir para opinião pública de que o conflito e a luta de classes (Marx é afinal um modelo confiável, poderemos admirar-nos com a ironia?) foram arredados da sociedade Ocidental, prova no "Jamais" o seu contrário.
Afinal estamos em terreno de conflito social e de luta de classes. No PSD actual o que se pretende é restaurar o poder de uma determinada classe social e, quem sabe, construir as estratégias necessárias para tornarem o PSD uma inevitabilidade governativa para Portugal. Estaremos perante o regresso de um certo ideário monárquico adaptado aos tempos? Este PSD tem pouco de social democracia e demasiadas influências dos correligionários de Bush , não é, por isso, minimamente confiável.
E quanto à sensibilidade social? Parece-lhe que um partido que se preocupa em restaurar o poder para uma determinada elite se preocupa com a restante população? Claro que se preocupa Hugo Costa. Nós já vimos que sim. Mas restaurando um velho discurso teórico: autoridade, credibilidade, seriedade, mas que foi implementado por alguém (Salazar) que construiu hipocritamente uma aparência de distância com a riqueza (Weber dá-nos uma proposta de análise interessante para perceber a verdadeira dimensão do ideário político-ideológico de Salazar), algo de completamente avesso aos neoliberais do PSD, eles gostam de mostrar o que são através do que possuem e esta incoerência é irónica e mortal, nos tempos que correm.

Victor Ferreira a 9 de Agosto de 2009 às 23:49
A insensibilidade social que "grassa" nas listas do PSD não tem mesmo "graça" nenhuma.

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